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Coluna Ozinil Martins | Quando se desperdiçam talentos quem perde é o país!
08 de Dezembro de 2021

Coluna Ozinil Martins | Quando se desperdiçam talentos quem perde é o país!

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 08 de Dezembro de 2021 | Atualizado 08 de Dezembro de 2021

Vamos imaginar um país com uma população de 220 milhões de habitantes, área territorial de 8 milhões de km², riquíssimo em recursos naturais e onde seus jovens recebessem uma educação que incentivasse a criatividade, o empreendedorismo, o correr riscos, o crescer contínuo em busca, sempre, do melhor. Este país, provavelmente, estaria entre os países líderes do mundo em inovação, em produtividade, em qualidade de vida e seu povo seria apontado como exemplo de civilidade e vida em comunidade. Claro que na imaginação pode-se tudo, mas a realidade é completamente diferente e, este país que é real, tem 20 milhões de pessoas passando fome de maneira crônica, mais de 60 milhões em risco alimentar, 12 milhões de desempregados (principalmente jovens) e 40 milhões em atividades informais.

As razões para explicar o quadro desenhado são muitas, mas vamos nos ater à educação. Há anos a educação brasileira vem sendo, sistematicamente, desconstruída. A cada governo que é empossado no país, seja a nível municipal, estadual ou federal, novas políticas são implantadas, o que se fazia antes é, simplesmente, descontinuado e começa tudo novamente. O Ministério da Educação é o maior elefante branco existente no país; lento, infiltrado por gente que faz de conta que está tudo bem e por uma burocracia infernal, que acredita em políticas ultrapassadas e que não agregam valor, formando, ano após ano uma massa de analfabetos funcionais, inclusive nos cursos superiores. O problema da educação no Brasil não é dinheiro, é falta de gestão, que começa pela escolha dos profissionais que farão a gestão escolar de cada unidade educacional. A competência para fazê-lo não é levada em conta, mas é fundamental o apoio político para que a indicação se efetue , um bom professor de educação física passa a ser um péssimo gestor de uma unidade escolar pelo apoio prestado ao político durante a campanha eleitoral. A cada eleição este processo se repete. Não há um processo de escolha técnica e com critérios definidos; a escolha se faz por apadrinhamento. E, assim começa a saga da educação no Brasil!

Enquanto isto continuar na mesma batida, a mudança nunca será alcançada por não ser um objetivo comum e os maiores perdedores serão os jovens estudantes que, desestimulados pela forma arcaica como as aulas são conduzidas e como se dá o processo de promoção ano após ano, veem seu tempo na escola como desperdício e, ou abandonam os estudos em troca de empregos primários ou fingem que estudam até completar o período para sua formação. Aí surgem os analfabetos funcionais que infestam o país de ponta a ponta com tendência a atingir níveis altos da sociedade. Não foi por acaso que a Senadora Eliziane Gama declarou: “Para cada mulher morta duas são negras!”, ou que o Senador Fabiano Contarato tascou: “Tenhamos a hombridade de fazer a nossa mea culpa, ou ela inteira!”

O pior que acontece, ao longo de todo processo, é a perda de talentos, de pessoas com habilidades que poderiam ajudar a construir um país competitivo e solidário. Quantos jovens ficam pelo caminho ou são albergados pelo crime organizado desperdiçando o bem mais precioso de qualquer país, sua juventude?

Segundo Rousseau: “Na juventude, deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele.” Deixo ao leitor atento imaginar qual será o futuro que está sendo criado!

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