Coluna Ozinil Martins | Por que o homeschooling incomoda tanto?
25 de Maio de 2022

Coluna Ozinil Martins | Por que o homeschooling incomoda tanto?

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 25 de Maio de 2022 | Atualizado 25 de Maio de 2022

Na semana recém-finda a Câmara dos deputados aprovou o projeto de lei que oficializa o homeschooling no Brasil. A notícia foi saudada por boa parcela de brasileiros e criticada por outro tanto. Normal para o momento de dicotomia que vive o país. Se você é a favor, eu sou contra o interesse do país que se dane!

Homeschooling é a possibilidade que tem os pais de formarem seus filhos garantindo-lhes o ensino em casa, mas com a supervisão de escolas oficiais. Há todo um regramento para que o sistema funcione. Só para fazer uma comparação nos países que compõem a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – 84% deles permitem o homeschooling: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Japão, Coreia do Sul, Letônia, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. Alemanha, Suécia e Lituânia possuem alguma lei proibindo a prática explicitamente. No caso da Grécia, Espanha e Holanda há legislações restritivas à prática. 

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Se o sistema se mostra eficaz em países que, comprovadamente, tratam a educação com mais respeito que o Brasil, por que a resistência apresentada por alguns partidos políticos e seus seguidores? Quando se percebe que as mudanças afetam todos os segmentos econômicos e sociais, por que a educação ficaria isenta de modificações? As Universidades passam por mudanças significativas e, no Vale do Silício já funcionam Universidades sem professores, sem campus, vivendo os novos tempos em que o acadêmico é responsável pelo seu processo evolutivo. O paternalismo, próprio de países autoritários em que o Estado pensa pelas pessoas, contraria, frontalmente, os princípios do homeschooling; isto parece fazer mal ao pessoal que processa a ideologia do Estado que pensa e o povo que executa. Os tempos mudaram!

Nos últimos anos a Educação passou por mudanças perversas; de aulas em que se ensinavam português, matemática, história, geografia à doutrinação explícita por “professores” que se encarregam de politizar as aulas em que deveriam ensinar. No ensino médio com menor ênfase, no ensino superior, principalmente na área de humanas, com ênfase total. Não à toa os indicadores mostram que estamos formando analfabetos funcionais. O exame da OAB parece um indicador claro, pois o índice de aprovados, dificilmente, chega aos 15% dos inscritos. 

Quando aparecem nos programas jornalísticos representantes de Instituições de ensino ou de órgãos associativos ou de categorias funcionais atacando a aprovação da lei que permite o homeschooling gostaria de lembrar que, ainda na semana anterior, as notícias indicavam que mais de 2 milhões de estudantes, em idade em que já deveriam saber ler e escrever, não tinham adquirido estas habilidades. Garanto que as crianças que estão sendo formadas em casa não sofrem destas deficiências. 

Seria muita ingenuidade acreditar que muda a tecnologia, muda o mercado de trabalho, muda a organização social e somete a Educação permanecerá inalterada seguindo o padrão do século XVIII . A filosofia de distribuir diplomas não alterará a disposição do mercado empregador de buscar os melhores. O papel do Estado é oferecer as condições para e, é papel de cada um transformá-las em resultado!

“Nossas salas de aula geram alunos intelectualmente passivos, e não líderes. Puxa-sacos e não colaboradores. Elas incentivam a ouvir e obedecer, a decorar e jamais a ser criativo.” Stephen Kanitz.

 

Foto do topo de RODNAE Productions no Pexels.

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