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Coluna Ozinil Martins | “O que um museu tem a ver com educação?”
26 de Janeiro de 2022

Coluna Ozinil Martins | “O que um museu tem a ver com educação?”

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 26 de Janeiro de 2022 | Atualizado 26 de Janeiro de 2022

Certamente você já ouviu falar sobre a pequena ilha de Cingapura. Uma ilha com economia forte e pujante que coloca o país como o quarto mais rico do mundo (atrás apenas de Catar, Luxemburgo e Macau), de acordo com o poder de compra de sua população. O interessante é que até os anos 80 do século passado era uma ilha muito pobre com problemas crônicos de corrupção.

A decisão do homem que transformou o país, Lee Kuan Yiu, foi certeira; antes de investir em infraestrutura e educação foi fundamental acabar com a corrupção endêmica que assolava a ilha-estado. Com o passar do tempo e de não ver resultados com as punições aplicadas, o governo decidiu optar pela pena de morte sempre que o dinheiro desviado incorria em morte de alguém ou prejuízos sérios ao erário. Os corruptos identificados, entre o mais alto escalão do funcionalismo público (militares ou civis), foram fuzilados ou enforcados de acordo com a legislação vigente.

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A liderança do país identificou a inexistência de recursos naturais, mas viu potencial na localização do país e transformou a ilha-estado no maior entreposto comercial da Ásia, além de investir pesado em seu maior patrimônio, sua gente. A educação foi a escolha prioritária. As aulas começavam com a discussão do tema Ética Pública; ao mesmo tempo a população em geral era instruída sobre o mesmo tema em salas de cinema. A atuação foi massiva e os resultados aí estão. Os jovens ao entrar nas faculdades em Cingapura dominam o inglês e mandarim com fluência, leem 25 livros, em média, por ano e estudam tudo que se refere a tecnologia.

Isto explica porque uma ilha de 728 km², com 5 milhões de habitantes (chineses, malaios, indianos), densidade demográfica de quase 8 mil habitantes por km² se transformou no quarto país mais rico do mundo com renda per capita de U$ 31 mil. Só para efeito de comparação, Florianópolis tem 675 km², 510 mil habitantes, densidade demográfica de 755 habitantes por km² e renda per capita de U$ 8.500 (dados de 2019).

É óbvio que não dá para comparar Cingapura com o Brasil; afinal o país sul americano é o quinto em extensão territorial, riquíssimo em recursos naturais (maior detentor de reserva de água doce do mundo), agricultura altamente desenvolvida e garantidora da alimentação para mais de 1 bilhão de pessoas ao redor do mundo, detentor de reservas de minerais estratégicos como o nióbio e nunca, exceção ao regime monárquico, estabeleceu a educação como sua prioridade máxima.

Mas, falando em corrupção, foi divulgado em 25.01.2022 o índice de Percepção da Corrupção, produzido pela Transparência Internacional, que coloca o Brasil em 96º lugar entre os países analisados; houve uma piora de duas posições no ranking da roubalheira. Fica claro que vivemos no país uma pandemia de corrupção, independente do governo de plantão; isto acontecerá enquanto a forma de governar o país estiver centrada nos governos de coalização, ou melhor, governos de repartição. O que a justiça fez com a operação Lava-Jato mostra que todos os poderes estão mancomunados e que ao povo resta pagar a conta e seguir sua “via crucis” de cultivar a miséria. Talvez, se o combate à corrupção seguisse os moldes de Cingapura…

Outro dado importante divulgado refere-se à pesquisa feita e que mede o QI médio das populações dos países. O resultado publicado na Worldpopulationreview indica um QI médio dos brasileiros de 87 que, na comparação com outros países não mostram grandes distorções, mas nos colocam atrás de países como Uruguai, Argentina, Chile, além de nos deixar muito longe de países como China, Japão e Nova Zelândia, entre outros.

Enquanto não exigirmos, como povo, que a educação seja a prioridade máxima do país continuaremos a saga de país do futuro. A frase que intitula esta coluna foi dita pelo ínclito Ministro da Educação (2012 a 2014) Sr. Aloísio Mercadante quando exerceu o cargo que deveria ser o mais importante do país. Acho que isto define a prioridade com que é tratada a educação. Tenho ouvido e lido informações de especialistas na área que a pandemia resultou em um retrocesso de 10 anos na educação, então é ter fé e acreditar que vai melhorar; do estado nada se pode esperar!

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