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Coluna Ozinil Martins | O politicamente correto e os direitos fundamentais!
03 de Novembro de 2021

Coluna Ozinil Martins | O politicamente correto e os direitos fundamentais!

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 03 de Novembro de 2021 | Atualizado 03 de Novembro de 2021

Que o mundo vive tempos exponenciais todos, por mais obtusos que possam parecer, já perceberam. Uma das consequências do exacerbado crescimento populacional será o surgimento de governos cada vez mais autoritários com receitas que eles entenderão como apropriadas para todos. A crise provocada pela pandemia só fez aparecer a ponta do iceberg! Direitos constitucionais fundamentais estão sendo atropelados com a concordância de autoridades, que se omitem de forma vergonhosa.

E, tudo começou com o politicamente correto, uma forma encontrada pelas minorias para tentar impor seus conceitos de como se deve viver. Tudo que havia sido construído até então passou a ser objeto de crítica e, não raro, de ações agressivas por parte dos militantes destas minorias. Importante ressaltar que as pessoas que fazem parte destas minorias, mas que não comungam de suas pautas, são tão agredidas quanto às demais. Se você é negro e defende a meritocracia ou é contra o sistema de cotas, se você é homossexual e não aceita o casamento entre iguais prepare-se para ser objeto de críticas e ações que o excluem do debate.

O que vem como complemento é a revisão da história, a marginalização de escritores, o patrulhamento ostensivo a quem ousa pensar diferente, principalmente, se a pessoa que emite a opinião tem alguma notoriedade. O fato ocorrido com o jogador de vôlei do Minas Tênis Clube e da seleção do Brasil escancarou a ação estúpida de uma minoria barulhenta seguida pela decisão mal pensada dos patrocinadores do clube, que exigiram a demissão do jogador. Com o sistema político brasileiro, absolutamente polarizado, as consequências aconteceram imediatamente e voltaram-se para o aumento significativo de seguidores do jogador nas mídias sociais e para as críticas aos patrocinadores. A grande maioria silenciosa está mandando seus recados. Interessante que o politicamente correto parece limitar-se apenas a assuntos que interessa às minorias; a discussão parece ater-se a ideologia de gênero, orientação sexual e raça. Não se vê ações enfáticas dos militantes da minoria na defesa, por exemplo, do meio-ambiente! Há 100 milhões de brasileiros sem esgotamento sanitário e 30 milhões sem água em suas casas e 4 milhões que nem banheiro possuem.

A crise pandêmica permitiu que governadores e prefeitos exercessem sua autoridade de forma absoluta passando, inclusive, por cima dos direitos fundamentais dos cidadãos. A liberdade de expressão, de emitir opinião sobre qualquer assunto é um direito sagrado de cada cidadão. “Posso não concordar com uma palavra do que diz, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las.” A expressão é atribuída a Voltaire, mas é, em verdade, como sua biógrafa (Evelyn Beatrice Hall) sintetizou a obra do filósofo francês. 

O direito de ir e vir é outro destes princípios fundamentais que está sob ataque com a implantação do passaporte da vacina. Já começam a chegar sinais, de países onde estes direitos são mais consolidados, de revolta do povo contra a limitação; os próprios comerciantes, na Itália, fazem vistas grossas à exigência dos passaportes e, não os exigem. Em Florianópolis a vereadora Manuela Vieira do partido Novo entrou com decreto legislativo visando sustar a decisão do executivo sobre a exigência de passaporte e o MPSC considerou ilegal a decisão de universidade de não permitir que estudantes não vacinados participem das aulas.

Logo que comecei minha vida profissional aprendi que construí-la em conjunto com a equipe em que trabalhava seria mais fácil. Uma equipe é a síntese da convivência; pessoas diferentes, pensando diferente, com gostos diferentes, forma de enxergar o mundo de diferentes maneiras e, quando trabalhando tornam-se unidas pelo objetivo comum. 

É em decorrência da liberdade de expressão e da capacidade de articular ideias que as pessoas conseguem apontar problemas, explicá-los, solucioná-los e tentam chegar a um consenso. Quer reduzir a capacidade de uma equipe na obtenção de resultados, limite sua atuação, impeça seus membros de serem criativos e você terá todos pensando igual. Às vezes, a forma como você se expressa pode soar ofensiva à outrem, mas sempre será através do debate que surgirão as melhores soluções.  

Se o país fosse orientado por objetivos comuns, certamente, os resultados nos transformariam em potência mundial. Mas, parece que preferimos alimentar a discórdia e criar miséria! 

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