Coluna Ozinil Martins | O descaso com os centros urbanos e sua deterioração!
29 de Junho de 2022

Coluna Ozinil Martins | O descaso com os centros urbanos e sua deterioração!

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 29 de Junho de 2022 | Atualizado 29 de Junho de 2022

Uma das vantagens de já ter vivido muito e morado em várias cidades, de pequenas a grandes, é a possibilidade de comparar o que já foi com o que está sendo. Curitiba, Porto Alegre, São Paulo e Florianópolis têm algo em comum nos dias de hoje. A deterioração da qualidade de vida nos seus centros urbanos é um problema que se agrava a cada dia que passa. 

A pergunta que deveria ser respondida é sobre o abandono dos gestores públicos com os centros urbanos. Há um processo que foi natural e, muito provavelmente provocado pelo aumento da violência; as grandes lojas, que ajudavam os centros urbanos a serem bem frequentados, deixaram as principais vias para se transferirem para os grandes aglomerados comerciais (Shopping Centers) permitindo que os lugares desocupados se transformassem em comércio popular com venda de produtos sem grande valor agregado e, com frequência, fruto de ações ilegais.

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Para agravar o problema a omissão do poder público permitiu a ocupação dos centros urbanos por moradores de rua e por marginais, que se aproveitam da fragilidade da fiscalização e policiamento, para transformarem estes locais em ponto de distribuição de drogas e venda de produtos fruto de ações ilícitas. A Cracolândia em São Paulo é o exemplo mais marcante. 

O que antes era buscado pelas famílias, morar no centro das cidades, com o passar do tempo e a transferência destes moradores para bairros mais distantes e condomínios fechados, deixou de ser atrativo e os centros se transformaram, em alguns lugares, em cortiços urbanizados entregues aos moradores de rua e a traficantes.

Com isto dirigir-se aos centros das grandes cidades passou a ser uma aventura. Tem de tudo! De moradores de rua a camelôs, de compradores de ouro a pedintes, de anunciadores de restaurantes populares a indígenas vendendo seus artesanatos. Isto tudo é agravado pelos prédios abandonados cujo dono é o Estado ou o Município, que ao omitir-se permite a ocupação pelas pessoas carentes. 

Recentemente em Florianópolis foi informado pela municipalidade que o centro histórico teria seu calçamento retirado e substituído por lajotas. Óbvio que se trata de uma ação inócua e maquiadora, pois os problemas que afetam o centro não serão resolvidos por ações evasivas. Agora, li em postagem da Vereadora Manu Vieira, que quaisquer alterações em imóveis do centro só poderão ser realizadas com autorização do órgão (Fundação Catarinense de Cultura); isto significa que todo o centro histórico estará, provisoriamente, tombado. A incongruência presente, pois ora pode ora não pode.  

Por ter morado nestas cidades participo de vários grupos que tentam manter a história viva e presente no cotidiano atual. A revolta expressa nos comentários refere-se ao abandono dos centros das cidades que outrora eram o ponto de confluência das pessoas para passear, lazer, conviver. Hoje, por mais maquiagem que se faça mais e mais pessoas só vão a estes lugares quando é essencialmente necessário.

Importante frisar que entendo a necessidade de sobrevivência das pessoas e a imperiosidade em viver, mas não consigo entender a posição do poder público que permite a situação chegar a um ponto insustentável e de soluções muito difíceis.

 

 

Foto do topo de Aleksejs Bergmanis no Pexels.

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