Coluna Ozinil Martins | Lixo: um problema de todos!
03 de Julho de 2022

Coluna Ozinil Martins | Lixo: um problema de todos!

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 03 de Julho de 2022 | Atualizado 03 de Julho de 2022

O lixo, a cada dia vivido, agrava-se como um problema global. Segundo a ONU “a pegada material do mundo está aumentando mais rapidamente do que o crescimento populacional e a produção econômica” e, um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da própria instituição é assegurar o consumo e a produção sustentáveis.

Na Suíça, pais com eficiente sistema de coleta de lixo, este é considerado matéria-prima dentro do processo de reciclagem por que passa. Das 318 toneladas de garrafas de vidro utilizadas pela população em 2020, 99% passaram por reciclagem, o mesmo ocorrendo com as garrafas de alumínio na proporção de 97% de reaproveitamento. Em todo país mais de 50% do lixo produzido é reciclado.

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Interessante é que, mesmo em um país com excelente nível educacional e cultural, há a figura dos inspetores do lixo que agem a procura dos que descartam o lixo de maneira ilegal. Importante frisar que as multas são pesadas e cobradas. A educação dos infratores se processa através de orientações específicas feitas por estes inspetores.

Recentemente, em viagem à Curitiba, recebi a informação de que um determinado condomínio foi notificado, oficialmente, de que se não separasse o lixo dentro das normas especificadas pela companhia coletora o mesmo não seria mais recolhido; a empresa responsável pela coleta colocou-se à disposição do condomínio para realizar palestras sobre o tratamento que deveria ser dado ao lixo pelos condôminos. Esta mesma Curitiba há um bom tempo já trocava o lixo, nas áreas mais pobres da cidade, por vale transporte o que redundou em melhoria na limpeza destes locais.

Só para perceber a dimensão que o problema lixo traz a humanidade precisamos entender que, segundo relatório da World Data Lab (2018), pela primeira vez na história, 50% da população mundial está situada na classe média e, isto significa mais consumo de todos os recursos do planeta e maior produção de lixo. A previsão, do mesmo instituto, é que até 2030 mais de 1 bilhão de pessoas ingressarão na classe média pressionando os meios de produção e os recursos do planeta.

Como já dizia o poeta italiano Petrarca, no século XIV, “navegar é preciso, viver não é preciso” necessário adaptar a frase para “viver é preciso, preservar é fundamental.” O consumo consciente se faz cada vez mais necessário em nome das novas gerações que já estão aí e, as que virão. Sempre que exagerarmos no consumo de bens materiais estaremos cometendo estelionato contra as novas gerações, tirando deles a oportunidade de viver dignamente.

Aos governos municipais cabe a responsabilidade de treinar suas populações para o uso consciente de produtos e ensiná-los para a importância da separação e da reciclagem do que pode ser transformado em matéria-prima. Não é mais compreensível que, problema tão sério, seja administrado de maneira tão primária. A cidade de Içara, em Santa Catarina, está dando um belo exemplo quando estabelece um sistema que permite a troca de lixo reciclável por produtos de feira agrícola. Que outros municípios exerçam a criatividade e encontrem formas de proteger o planeta; afinal é o único que temos!

 

 

Foto do topo de Emmet no Pexels.

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