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Coluna Ozinil Martins | As diferenças que nos aproximam!
19 de Janeiro de 2023

Coluna Ozinil Martins | As diferenças que nos aproximam!

“O conhecimento de diferentes culturas nos aproxima e nos faz entender quem somos!”

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 19 de Janeiro de 2023 | Atualizado 18 de Janeiro de 2023

Quando se olha para o perfil da gente brasileira vemos um país multifacetado composto por pessoas vindas dos mais diferentes países e, quase sempre, estas vieram, não por vontade própria, mas por necessidades que lhes foram impostas em seus países originários.

Os negros, que aqui compuseram a mão de obra escrava durante muito tempo e, que eram vendidos em seus próprios países pelos seus algozes de tribos diferentes; os italianos pelas oportunidades de empregos oferecidos, pois na Itália o desemprego era alto em função do início do processo de industrialização; os japoneses vieram ao Brasil, influenciados pelo próprio governo japonês, que se debatia em uma imensa crise e não tinha, sequer, como alimentar seu povo. Outros povos aportaram aqui por motivos semelhantes e ajudaram a construir o que hoje somos. Poloneses, ucranianos, russos, espanhóis, alemães, entre outras etnias, compõem este cadinho que criou o brasileiro.

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Quando se particulariza a história os quadros que foram desenhados e que caíram no esquecimento, mostram cores diferentes das que hoje enxergamos. Como sou um “rato” de sebo deparei-me com um livro que me chamou a atenção pelo título; Nihonjin (Japonês) escrito por Oscar Nakasato. Depois de ler sobre o autor e sua relação parental com os primeiros japoneses aqui chegados decidi que seria uma leitura interessante. Foi uma escolha, na verdade, maravilhosa. O livro é a narrativa da epopeia que foi a chegada dos japoneses no Brasil. Tentarei resumi-la para o leitor da coluna e, penso que algumas surpresas acontecerão.

Em 18/6/1908 aportava em Santos o navio Kasato Maru com os primeiros 781 migrantes japoneses, fruto do acordo entre os governos do Brasil e Japão. Logo ao chegarem foram colocados em comboios férreos e levados para o interior de São Paulo onde trabalhariam nas plantações de café em substituição aos, até então, escravos. Cheios de mensagens positivas, que lhes haviam sido transmitidas, acreditavam que em alguns poucos anos fariam bela economia e que voltariam ao Japão para lá criar oportunidades de trabalho. Mas, a ilusão não foi longa; ao chegarem às fazendas de café, foram alojados em pequenas casas de madeira, com chão de terra e sem mobília e sem os recursos básicos de cozinha. Tudo teria que ser feito por eles ou comprados na própria fazenda, aos preços definidos pela administração. Ao final do mês o saldo era sempre negativo o que impossibilitava a economia de qualquer valor que lhes permitissem romper o círculo vicioso.
Porém, com o passar do tempo o jogo dos fazendeiros foi percebido e, os mais corajosos, aventuraram-se a arrendar pequenas chácaras e mesmo a criar pequenos negócios. Isto faz surgir, em São Paulo, o bairro da Liberdade, cujo nome fica fácil de explicar.

É de se ressaltar que os mais antigos Nihojins negavam-se a qualquer miscigenação com brasileiros ou imigrantes de outras nacionalidades; os que assim procediam eram chamados de “gaijin” e, eram discriminados pelos próprios parentes. Importante chamar a atenção para a fidelidade que mantinham ao Imperador do Japão. Esta fidelidade criou uma divisão entre os precursores da imigração e seus descendentes em função da derrota na Segunda Guerra Mundial. Apesar da rendição japonesa um grupo mais tradicional não aceitou a verdade e principiou a perseguir os que aceitavam e reconheciam a capitulação japonesa. O conflito chegou ao ponto de provocar assassinatos até ser admitido por todos de forma definitiva. Dos japoneses originários nenhum conseguiu retornar ao Japão com as economias prometidas, mas, atualmente, os “decasséguis” fazem o movimento inverso e, brasileiros que são, retornam ao Japão em busca de emprego e qualidade de vida. A vida como ela é!

Aqui e hoje, os japoneses estão incorporados à cultura do país, porém mantém suas tradições e celebram suas festas com a maior liberdade.
Importante que os mais jovens não percam o conhecimento sobre os povos que, vindos de outros países, ajudaram a construir este imenso país com sua cultura povoada de riquezas culturais trazidas de outros países. O conhecimento destas culturas nos aproxima e nos faz entender quem somos!

Observação: Quem quiser aprofundar conhecimento sobre a migração japonesa lembro que o filme “Gaijin – Os Caminhos da Liberdade” de Tizuka Yamasaki é um excelente recurso disponível.

Foto:Pixabay

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