Coluna Ozinil | As exigências aos nossos atletas olímpicos
11 de Agosto de 2016

Coluna Ozinil | As exigências aos nossos atletas olímpicos

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Por Prof. Ozinil Martins de Souza 11 de Agosto de 2016 | Atualizado 11 de Agosto de 2016

A cada 4 anos o país se enche de orgulho e vemos uma série de reportagens jornalísticas analisando as possibilidades de medalhas e jogando sobre os ombros dos atletas uma responsabilidade de um peso imenso. É a Olimpíada! Agora, com as disputas sendo no Brasil, a responsabilidade foi multiplicada.

Importante ressaltar, sem ser dono da verdade, que duas variáveis devem ser consideradas para um país ser bem sucedido nos esportes: primeiro, a massificação, pois quanto mais pessoas pratiquem a modalidade maior a possibilidade do surgimento dos talentos; segundo, políticas efetivas de Estado para o incentivo da prática de esportes. Em Pindorama não temos nem um, nem outro!

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A massificação ocorre em alguns esportes que caem no gosto popular e produzem atletas espontaneamente ou pelo envolvimento de instituições que se propõem a fazer o papel que deveria ser dos órgãos oficiais ligados ao esporte.

O exemplo mais bem sucedido de massificação ocorreu com o futebol, que sem nenhum incentivo, mas pela vontade popular, transformou-se no maior esporte brasileiro; outro exemplo bem sucedido é o do voleibol. Aqui se percebe, claramente, o desenho profissional de um projeto.

O papel do Estado deveria ser fundamental para o desenvolvimento dos esportes em geral. Programas de governo desde o ensino fundamental ao superior, a identificação das vocações e o apoio incondicional fariam surgir atletas que se tornariam vitoriosos. Os exemplos dos EUA e de Cuba são concludentes. Um país é rico, cheio de recursos e de campeões; o outro é pobre, sem muitos recursos e pleno de campeões. Definição dos esportes em que investir e identificar as vocações do país é fundamental para o sucesso.

O que vemos no Brasil, além do ufanismo pátrio provocado acintosamente por alguns veículos de comunicação (prometendo o que não podemos entregar), é o esforço de pessoas e instituições na busca da excelência.

Guilherme Toldo, nosso herói da esgrima, treina 6 meses por anos na Itália e muitas de suas despesas são bancadas por ele mesmo. Quando voltaremos a ouvir falar em esgrima novamente?

A medalha de ouro conquistada pela Rafaela Silva vem através do apoio incondicional do Instituto Reação, de Flávio Canto. Ela e o ganhador da medalha de prata, Felipe Wu, são atletas das ForçasArmadas, bem como outros que ainda competirão.

São apenas exemplos que ajudam a entender que o que exigimos dos nossos atletas é, absurdamente, desumano. Transferir a responsabilidade para os atletas é de uma injustiça brutal. 

O Brasil sairá da Olimpíada com algumas medalhas, longe, muito longe de seu potencial e continuará a viver de exceções, que surgirão de tempos em tempos, nos alegrando e fazendo crer que agora vai. O exemplo do ocorrido com Guga e o tênis é ilustrativo.

Logo, transferir a responsabilidade para os atletas é de uma estultice absurda.  Nesta área, viveremos sempre das exceções, enquanto prevalecer à visão míope que comanda o esporte no país. Infelizmente!

 

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