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Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada:  Os Toni e Lima Martensen
16 de Dezembro de 2016

Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada: Os Toni e Lima Martensen

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Tia Amália era irmã de minha mãe e nossas famílias muito ligadas. Tio Batista trabalhava no matadouro de Carapicuíba, onde tinha uma banca, um açougue. Morávamos nós em Pinheiros e eles em Osasco que, quem conhece a cidade sabe muito bem, é uma das áreas mais populosas da Grande São Paulo, ligadas ambas por ruas de trânsito pesado, prédios e casarios. Nos anos 40 não era assim, Osasco ficava longe, no interior, onde eu ia passar as férias com minha tia. Ruas de terra, a Estrada de Itu que levava para o meio do estado, a chácara dos padres, o cineminha na praça, as festas de Santo Antônio. De vez em quando a gente invertia e um deles vinha passar férias na cidade, se hospedando na minha casa.

Filho único, eu tinha com meus primos uma ligação de irmãos. Cinco irmãos Toni.

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Nos anos 50, quando eu estava batendo nas portas para fazer minhas pesquisas de opinião, dois deles, pouco mais velhos que eu, já trabalhavam em agências de propaganda: Plínio Toni e Sérgio Toni.

Sérgio começava sua carreira na criação que, graças ao seu talento, veio se confirmar como de grande sucesso. Plínio, que morreu prematuramente, era contato. Uma gravíssima deficiência visual prejudicava enormemente sua atividade, mas não impedia o brilho e competência de sua atuação, o que fazia dele um profissional benquisto pelos clientes e disputado pelas agências.

Continuávamos sempre juntos, nos cinemas, nos almoços de fim de semana, nas festas, eles contando e eu ouvindo as histórias do mundo da propaganda. Muitas vezes fui visitar o Plínio na Eclética, agência do Julio Cosi pai, que ficava na Rua Líbero Badaró, no Centro de São Paulo. A agência, primeira a funcionar no Brasil, foi fundada em 1914 por Benaton e Castaldi, que deixaram o negócio em 1918, entrando Júlio Cosi e Eugênio Leuenroth. Foi onde conheci algumas das figuras que voltarão aqui, como Julio Cosi, Jr., João Natale Neto e outros que admirava por trabalharem no que me parecia ser a melhor profissão do mundo: a publicidade.

Plínio foi para a Lintas e, sabendo que havia uma vaga na Mídia, pediu para Rodolfo Lima Martensen me entrevistar. Imagine um garoto, nos seus verdes vinte anos, recebido pelo presidente da agência, fundador da Escola Superior de Propaganda, um homenzarrão de cabelos brancos, voz de barítono e sorriso contagiante. Pois foi assim. Uma conversa longa, ao fim da qual seu Lima disse, para minha decepção:

“Julio, a vaga que temos não é para você. Tenha paciência, espere mais um pouco e pode ter certeza que um dia ainda trabalharemos juntos”.

Cerca de um ano depois, Lima me chamou para preencher uma vaga no departamento de marketing de Irmãos Lever e eu tive o privilégio de conviver com ele por dez anos, além da imensa satisfação de escrever em 2005, “Na pele de quem paga – O cliente tem sempre razão?”, uma publicação da ESPM em comemoração aos 90 anos de seu nascimento.

Tudo isso será contado aqui mais tarde, mas agora queria apenas dizer que essa tentativa do Plínio Toni não deu certo. Porém, como irmão que era, mais uma vez me levou pela mão, desta vez com sucesso, para meu primeiro emprego de carteira assinada.

Mas isso é tema para a quarta coluna. Te espero lá.

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