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Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada:  Entrevistador
01 de Dezembro de 2016

Coluna Julio Pimentel | 60 anos na estrada: Entrevistador

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O jovem entrevistador, ao final da pesquisa de opinião feita com minha mãe, me encaminhou para sua empresa e para o marketing.

O instituto de pesquisas chamava-se ENOP Empresa Nacional de Opinião Pública, que mais tarde foi incorporado pela Marplan, esta muito maior e mais conhecida. A impressão deixada por Valentim Blois no primeiro contato seria depois confirmada nas inúmeras vezes em que estivemos juntos: sempre sorridente, afável, pronto para uma tirada engraçada. Nuca soube muito de sua vida pessoal, mas o fato é que Valentim sempre me pareceu uma pessoa feliz.

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O que você faz, onde estuda, onde mora, quanto tempo pode dedicar ao trabalho, coisas assim foram perguntadas na entrevista, ao fim da qual Valentim deu instruções de como abordar os pesquisados e me entregou uma prancheta e dez questionários que versavam sobre hábitos de audiência de rádio e TV e leitura de revistas e jornais. 

“Pode fazer as pesquisas onde quiser, com vizinhos ou mesmo em casa com a família. É pra ver se você se adapta e se tem facilidade em conseguir as respostas. Você tem uma semana para trazer de volta.”  

Um dia para fazer as entrevistas, no segundo estava de volta. Questionários respondidos, com um monte de observações nas margens que, me parecia, ajudariam a melhor entender o que os entrevistados diziam. Acho que ajudavam mesmo, porque valeram os parabéns do Valentim e minha primeira pesquisa, que iniciei no dia seguinte.

Meu primeiro emprego, uma agradável sensação de conquista que seguiu acompanhando as dezenas de pesquisas que me foram confiadas durante quase três anos. Ganhava meu dinheiro, ajudava em casa e ia aprendendo. Entre outras coisas, que as pessoas geralmente se desarmam diante de um sorriso, de um cumprimento caloroso. 

Algo inconcebível hoje, fui inúmeras vezes convidado a entrar nas casas, esticar a entrevista com um cafezinho, um pedaço de bolo. Em grande maioria eram donas de casa e quanto mais simples eram, mais atenção era dada, mais eu percebia a vontade de colaborar – elas se sentiam gratificadas. Durante todo esse tempo, tive apenas uma pesquisa complicada, com médicos. As entrevistas eram previamente agendadas por telefone, mas mesmo assim as esperas eram longas, o atendimento frio, desinteressado, mesmo grosseiro em alguns casos. 

No mais, foi sempre muito prazeroso e produtivo e esses contatos ajudaram muito a entender pessoas. Aprendi também porque e como ir buscar as informações que eram pedidas por anunciantes e suas agências de publicidade, para melhor se comunicar com seu público. 

Muitas passagens pitorescas pontuaram esses três anos, como uma senhora que fez questão de responder, me obrigando a entrevistá-la em seu quarto, doente de cama; ou uma família que não se conformou em que só a mãe respondesse, e eu tive que preencher mais uns três  ou quatro questionários, que depois joguei fora. 

Lembro até hoje com muito carinho dessa fase. Não entrei na Politécnica da USP, como queria, e continuei trilhando os caminhos que até hoje percorro, da pesquisa de opinião, comunicação e do marketing.

Até a próxima. Te espero na terceira coluna.

 

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