Coluna Jaime De Paula | Você tem idade para trabalhar com tecnologia?
10 de Janeiro de 2022

Coluna Jaime De Paula | Você tem idade para trabalhar com tecnologia?

O etarismo, ou ageísmo, que é o preconceito por conta da idade, precisa ser trazido à tona nas empresas

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Por Jaime de Paula 10 de Janeiro de 2022 | Atualizado 10 de Janeiro de 2022

 

Acabo de completar 60 anos e não passa pela minha cabeça parar de produzir. Depois de uma longa jornada no setor de TI, hoje, por opção pessoal, direciono meus conhecimentos para o terceiro setor e sigo acompanhando de perto as tendências em tecnologia.

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Recentemente, participei de uma banca junto com jovens talentos do setor para seleção de uma solução inovadora em dados.

Certamente, assim como eu, muitos profissionais do setor com o perfil conhecido como 50+ estão em plena idade produtiva, com a vantagem da experiência acumulada. Agora, mesmo que tardiamente, o setor de TI começa a perceber a importância desse perfil profissional. Por décadas, alimentamos o estereótipo do jovem recém-formado (ou ainda na universidade) como o ideal para trabalhar com tecnologia. Ele pode, realmente, ser um baita profissional. Assim como pode ser mulher, jovem ou madura, ou alguém com mais tempo de jornada. A idade não define o profissional, mas sim suas capacidades – não só as hard, mas cada vez mais as soft skills. Na empresa que fundei, e da qual me afastei há alguns anos, os três pilares para a contratação de novos colaboradores continuam sendo protagonismo, ousadia e colaboração. E isso pode vir de um rapaz de 19 anos ou de uma mulher de 55. Aliás, quanto mais variado for o time, melhor.

O etarismo, ou ageísmo, que é o preconceito por conta da idade, precisa ser trazido à tona nas empresas. O setor de tecnologia está superando esse preconceito por pura necessidade. Os dados da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) apontam que até 2024, 421 mil postos de trabalho serão criados no setor no país, enquanto os cursos superiores da área formam menos de 50 mil profissionais da área a cada ano. Sobram vagas e faltam profissionais qualificados.

Tem mais um motivo pra essa mudança acontecer cada vez em maior escala. Enquanto em 1940, a expectativa de vida ao nascer no Brasil era de 45,5 anos, até 2050, segundo o IBGE, a projeção é que a média de vida dos brasileiros seja de 80,57 anos. Viveremos e trabalharemos cada vez mais.

Enquanto a juventude contribui com o frescor dos iniciantes, ideias novas e soluções ainda impensadas, quem já tem experiência pode se valer do conhecimento acumulado para contribuir na estratégia e aplicabilidade dessas novas tecnologias. Tem espaço para todos, é o que chamamos de diversidade geracional.

E outro fator interessante é que, depois de um período deixados de escanteio, esses profissionais mais rodados começam a ser vistos com outros olhos pelo mercado. No início do ano, o Estadão publicou uma matéria sobre o tema, mostrando que, cada vez mais, quem tem experiência pode escolher como e onde trabalhar. Seja na empresa ou no sistema anywhere office, a disputa por profissionais de TI tem dado cada vez mais poder de escolha a eles.

Em 2020, de acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), 54% dos profissionais técnicos eram jovens adultos na faixa dos 18 aos 29 anos; enquanto que os com mais de 50 anos eram apenas de 2,7%. Um ano antes, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontava que 27,3% dos profissionais sem ocupação com mais de 40 anos procuravam um trabalho há pelo menos dois anos. Acredito que se tivéssemos os dados dessas mesmas pesquisas em janeiro de 2022, já veríamos uma mudança nessa equação.

Quanto mais conhecimento, mais contribuições podemos dar, seja pelas viagens feitas, pelos relacionamentos, pelo estresse vivido em projetos anteriores. Nossa experiência pode evitar erros e dar novos pontos de vista para quem está começando, assim como podemos aprender muito com os mais jovens. Isso vale também para a diversidade sexual, religiosa, ideológica. Quanto mais diferenças, melhor.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

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