Coluna Jaime De Paula | Futurologia realista
26 de Janeiro de 2022

Coluna Jaime De Paula | Futurologia realista

O mercado de trabalho passará por novas e constantes transformações, já que cada vez mais, funções repetitivas e previsíveis serão realizadas por máquinas

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Por Jaime de Paula 26 de Janeiro de 2022 | Atualizado 26 de Janeiro de 2022

As infindáveis descobertas que virão a partir da IA (inteligência artificial) ainda são imprevisíveis, mas algumas tendências nos ajudam a visualizar possibilidades. A criatividade é um campo que deve ser elevado a outro patamar a partir de tecnologias que permitirão uma interação muito maior com histórias, pinturas, literatura, música. À medida que passarmos da contemplação à imersão, a interatividade entre artistas e público deve chegar a um ponto em que a experiência será de verdadeira criação coletiva.

Em paralelo, como já escrevi neste espaço, cada vez mais nossos amigos robôs estarão habilitados a nos substituir em funções criativas como produção textual, por exemplo. Em 2020 o laboratório de pesquisa OpenAI lançou o GPT-3, um algoritmo baseado em deep learning para criar textos a partir de milhares de livros e da própria internet, revolucionando o que chamamos de modelo de linguagem, outra tendência forte da inteligência artificial. Assim como as máquinas aprendem a entender, interpretar e reproduzir expressões da linguagem humana, o caminho é a nossa comunicação com elas. Ou seja, a linguagem deixaria de ser de domínio exclusivo humano e passaríamos a realmente conversar e trocar ideias com computadores e objetos. Talvez essa concorrência nos estimule a desenvolver novas formas de expressão criativa.

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Falando na relação robôs e humanos, o mercado de trabalho passará por novas e constantes transformações, já que cada vez mais, funções repetitivas e previsíveis serão realizadas por máquinas. Por outro lado, já temos um enorme apagão de mão de obra em tecnologia da informação e precisaremos cada vez mais de profissionais capazes de trabalhar com colegas não-humanos e de programar as máquinas para as funções desejadas.

Prefiro apostar em um aumento de possibilidades que possam impulsionar o que já fazemos a partir da predição de tendências. Isso afeta quase todas as áreas, como vendas, marketing, engenharia, setor financeiro e de transportes, que gradualmente já estão experimentando os benefícios da IA em seus resultados. No direito, o combate aos crimes cibernéticos, que podem ser tão malléficos à sociedade quanto o terrorismo, é um dos principais alvos da inteligência artificial. Em pouco tempo, todas as profissões deverão contar com ferramentas que servirão para encurtar caminhos com foco em resultados certeiros, o que nos dará mais tempo, seja para focar em outras áreas de desenvolvimento profissional ou até para trabalharmos menos tempo.

A mobilidade é outra área com grande potencial de aplicação da IA. Se imaginarmos o fim das falhas humanas nos acidentes de trânsito, decretado pela popularização dos veículos autônomos, já conseguiremos ter uma ideia das possibilidades – se aplicadas ao transporte aéreo e marítimo, então, abriremos novos conceitos em mobilidade e turismo.

E é claro que o metaverso está entre as principais tendências projetadas a partir da IA. O foco é a desmaterialização completa do espaço físico e a confluência de todas as tecnologias. A pesquisadora americana Amy Webb disse em uma entrevista, que daqui a uma década vamos olhar para o metaverso com a naturalidade que olhamos hoje para a Internet, meio sem lembrar como vivíamos antes. Deveremos começar a visualizar essa transição a partir da materialização do 5G.

Tudo o que pincelamos aqui vai se deparar com as questões éticas, antecipadas pela discussão em torno da LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados. No fim do dia, esse discernimento humano sobre limites e sobre certo e errado é o que vai permitir que as tecnologias nos ajudem, em vez de nos eliminarem.

Obrigado pela leitura e até a próxima!

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