Coluna Jaime de Paula | Da ciência de dados à cultura de dados
14 de Dezembro de 2021

Coluna Jaime de Paula | Da ciência de dados à cultura de dados

Logo não se vai mais separar empresa grande e pequena: a separação será empresa rápida e empresa lenta

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Por Jaime de Paula 14 de Dezembro de 2021 | Atualizado 14 de Dezembro de 2021

Participei recentemente da banca julgadora do Prêmio Brasil Referência em Dados, que teve participantes de altíssimo nível com projetos incríveis de diferentes vertentes. Fiquei muito feliz que a vencedora tenha sido uma mulher: a Angélica Caseri, que é Data Scientist Lead e apresentou uma solução inédita de análise e previsão de eventos extremos de chuva, com uso de geoestatística e dados de satélites. É a primeira mulher a conquistar o prêmio, com uma solução criativa que impacta a vida de muita gente. Ao saber da colocação, Angélica disse que o maior trunfo da ciência de dados é poder juntar o lado cientista e o empresarial.

Angélica disse tudo. Nós estamos no mundo do conhecimento e não adianta ter apenas estratégia, é preciso criar a cultura de dados, gerar informação, que precisa ser analisada e entendida para então gerar conhecimento. Quando a empresa consegue juntar estratégia, cultura e dados ela consegue gerar conhecimento e aplicar em favor do seu negócio.

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Hoje não se trabalha mais com históricos, mas sim com predição. E para isso os dados primários e secundários históricos têm que estar muito bem organizados. Se antes era big data, agora é inteligência artificial. Quem não está nesse estágio precisa acelerar; quem não conseguiu ainda agregar valor usando dados, está atrasado. Se eu pegar os dados internos e, junto com os dados externos, trabalhar de forma organizada, com ferramentas que permitem fazer predições, aí eu consigo agregar valor.

Logo não se vai mais separar empresa grande e pequena, a separação será empresa rápida e empresa lenta. Esses atrasos vão gerar muitos problemas para os negócios no futuro. Por isso eu não acredito em estratégia, eu acredito em cultura, em informação analisada e interpretada para gerar conhecimento. E uma cultura baseada em dados precisa envolver principalmente quem está à frente dos processos, não apenas nas áreas de tecnologia. Analisar dados como ferramenta de suporte às tomadas de decisão precisa ser um hábito, o modelo de governança precisa ser baseado em dados. Amazon e Netflix já estão trabalhando muito bem nesse sentido.

Segurança e confiança são critérios fundamentais nesse modelo – o que leva a outra questão urgente: a adaptação à Lei Geral de Proteção de Dados. Muita gente acredita que LGPD é para empresas de tecnologia. Mas o consultório médico, o escritório do advogado também precisam estar atentos. Um prontuário médico, se vazar, é um problema muito sério.

Felizmente tem muita gente boa pensando e produzindo com esse mindset. Gente como a Angélica e tantos outros que pegaram a visão da ciência de dados inserida na cultura do negócio. Um levantamento do Gartner mostra que mais de 30% das organizações já colocam o data analytics e a inteligência artificial (IA) entre suas duas maiores prioridades. De acordo com o estudo, em 2023 a alfabetização em dados será uma forma explícita e impulsionadora do valor do negócio, presente em mais de 80% dos dados e análises estratégicas e programas de gestão de mudanças.

Aproveito este último texto de 2021 para desejar boas festas e um ano incrível, de muitas realizações e descobertas. Obrigado pela leitura e até a próxima!

Segue o vídeo para quem quiser saber mais sobre o Prêmio Brasil Referência em Dados:

 

 

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