Coluna Inovação | Grandes empresas de TI, as "corporates", aumentam apostas na aquisição de startups

11 de Junho de 2021

Após um primeiro trimestre repleto de aportes em startups, movimentos recentes mostram empresas tradicionais fortalecendo suas estratégias de fusões e aquisições.

Foto: Softplan/Divulgação 
 

Nos primeiros meses de 2021, não faltaram notícias sobre startups catarinenses que receberam aportes de fundos de venture capital (caso da Knewin) ou que foram adquiridas por grandes empresas (como a Effecti e a RD Station, entre outras). Em abril e maio, porém, os principais movimentos no mercado local foram de grandes empresas de TI locais que fortaleceram suas estratégias de fusões e aquisições (M&A) e saíram às compras. É o que destacou relatório da plataforma Sling Hub, ao listar os principais deals do período. 

Nos últimos dois meses, empresas tradicionais como Intelbras, Softplan, Nexxera e Senior, além da emergente fintech Asaas, engordaram seu portfólio com aquisições de negócios complementares e/ou estratégicos. Destas corporates, destaque para a Senior Sistemas, de Blumenau, que já adquiriu três empresas somente em 2021. A mais recente foi a GKO, fundada no Rio de Janeiro e que é referência em sistema de gestão de transportes (TMS) - por meio da plataforma, a empresa gerencia mais de 15 milhões de notas fiscais e três milhões de embarques/ano. 

Quem também se mostrou para o mercado com uma nova compradora é a Softplan, que anunciou em janeiro uma diretoria específica para M&A, que terá um caixa de R$ 200 milhões para os próximos três anos. Em maio, a empresa com sede em Florianópolis confirmou a aquisição do CRM Construtor de Vendas, especializado no mercado imobiliário brasileiro e que se une à plataforma proprietária da Softplan voltada à área de construção, o Sienge. Importante considerar neste movimento da empresa a chegada do novo CEO, Eduardo Smith, que além de executivo, foi investidor em várias startups locais (entre elas a Smarket e a GeekHunter).

A Nexxera, também de Florianópolis e representante das primeiras gerações de empresas de tecnologia da cidade, foi outra que abriu a carteira em maio, ao adquirir a  Gold Soluções – startup especializada em BPO Financeiro (terceirização da gestão) em meios de pagamento. Com o incorporação, a Nexxera espera gerar uma receita bruta de R$ 70 milhões nos próximos cinco anos, abrindo uma nova frente de negócios.

Outra aquisição relevante neste segundo trimestre veio da Intelbras, de São José, que desembolsou quase R$ 90 milhões por 75% das ações da concorrente Khomp, que desenvolve hardware e software para telefonia, controle de acesso e Internet das Coisas (IoT). Com 25 anos de mercado e 231 colaboradores, a Khomp faturou R$ 55,7 milhões em 2020.

O aquecido mercado de M&A envolveu também a fintech Asaas, de Joinville, desenvolvedora de plataforma de cobranças e pagamentos com foco em pequenos negócios. Recentemente, a empresa adquiriu a startup curitibana Base ERP, que fornece software em nuvem também direcionado a PMEs. A compra faz parte da estratégia de crescimento e de ampliação da plataforma Asaas, que atende a mais de 56 mil clientes no país e que recebeu em setembro passado um aporte de R$ 37 milhões, liderado pelo fundo de investimento Inovabra Ventures, do Bradesco.

A expectativa no mercado é que novos fundos baseados em Santa Catarina - como o Catarina Capital, o Invisto/Acate e o Terracotta Ventures que juntos devem somar recursos em torno de R$ 250 milhões - alavanquem, nos próximos meses, uma série de novos investimentos em startups.    

 

E JÁ COMEÇOU: CAMERITE, STARTUP DE VIDEOMONITORAMENTO, RECEBE R$ 15 MILHÕES

A startup joinvilense Camerite, fundada em 2012 e que desenvolve soluções de videomonitoramento para cidades e governos com uso de inteligência artificial, anunciou nesta quinta (10) uma aporte de capital no valor de R$ 15 milhões pelo fundo de investimento Zaphira, com sede em São Paulo.  Os recursos vão para a expansão no mercado brasileiro, contratações e investimentos em tecnologia

Desde a fundação, a empresa já captou cerca de R$ 40 milhões. No início, o foco era fornecer imagens ao vivo sobre trânsito e clima para os moradores de Joinville, sede da startup. O modelo de negócio evoluiu para a área de segurança a partir de 2016, com alguns upgrades tecnológicos, como uso de camada de inteligência artificial e armazenamento de dados em nuvem. 

A plataforma é utilizada por 300 mil pessoas em 600 cidades brasileiras. O modelo de negócio é por franquia – atualmente são 120 unidades pelo país e a perspectiva é chegar a 900 franqueados em quatro anos. 

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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