Coluna Inovação | "Cidades Inteligentes não são apenas tecnologia, mas conexão e colaboração"

05 de Novembro de 2020

Às vésperas das eleições municipais, o fórum empresarial Grupo de Cidades Inteligentes lança uma "carta aberta" para sensibilizar os futuros prefeitos sobre a importância de pensar os municípios como plataformas de inovação

Há uma visão simplista de que desenvolver uma cidade inteligente significa fazer investimentos gigantescos em novas tecnologias e infraestrutura de redes. Existem diversos conceitos, mas uma cidade inteligente é aquela que ajuda a melhorar a vida de seus cidadãos, seja com acesso simplificado a serviços, com menor burocracia para quem quer empreender e mais transparência na gestão pública, entre muitas outras questões. 

Este é um dos principais recados que o Grupo de Cidades Inteligentes (GCI), um think tank que promove debates e busca disseminar o conceito e a importância das smart cities no Sul do país, quer deixar ao divulgar uma "Carta Aberta" voltada aos futuros prefeitos que serão eleitos neste mês. O grupo é uma iniciativa do fórum empresarial World Trade Center (WTC) de Curitiba, Joinville e Porto Alegre - e conversa diretamente com os ecossistemas de inovação destes estados.  

"Mais do que nunca, as cidades ganham protagonismo na sociedade contemporânea. Se elas geram condições favoráveis, os cidadãos ganham em qualidade de vida, de serviços e oportunidades de emprego, renda e lazer. Se elas não correspondem às necessidades da população, perdem em atratividade e, consequentemente, talentos e potencial econômico", resumem os signatários da carta, como o presidente do GCI, Jean Vogel (também diretor executivo do Ágora Tech Park, centro de Inovação de Joinville) e Milton Fabrício, diretor executivo do WTC. 

Para simplificar o tema - e desmistificar a visão de que cidades inteligentes demandam apenas tecnologias - o Grupo sugeriu cinco premissas que podem estar na ordem do dia de prefeitos e gestores públicos a partir do próximo ano, já que o avanço digital impulsionado pela pandemia vai exigir da municipalidade cada vez mais condições de infraestrutura e serviços online aos cidadãos. 

"As cidades são uma plataforma de oportunidades. Tratá-la sob essa perspectiva, abrindo seus serviços, incentivando e possibilitando conexões permite que a sociedade contribua, que a criação de novas startups seja incentivada, assim como a atração de players consolidados. Cria-se assim um ambiente propício à colaboração, inovação e ao compartilhamento sustentável", afirma Jean Vogel, presidente do GCI.

Mas como dar os primeiros passos para ser uma cidade mais inteligente? As sugestões dos especialistas, em cinco passos:

#1 Uma cidade inteligente é mais do que tecnologia, é colaboração:

Tudo começa com uma mudança de mentalidade: a gestão pública precisa estar aberta, conhecer e se conectar com suas universidades e demais instituições de ensino, ouvir as demandas da população, ter uma interlocução transparente e propositiva com o setor privado e entidades representativas do mercado, criar desafios para que startups ajudem a pensar em soluções. Uma cidade inteligente é baseada nos princípios de colaboração, abertura e engajamento. 

#2 Smart spaces" - equipamentos públicos como ambientes inteligentes:

Onde a comunidade pode colaborar e se engajar com uma cidade inteligente? Não há outra resposta que não vivendo a própria cidade: escolas, espaços corporativos, parques e praças, hospitais e postos de saúde podem se tornar smart spaces. Hoje há pouquíssima conectividade nestes ambientes, que são ocupados por parte significativa da população. 

#3 Atração de talentos - e não apenas de CNPJs:

Historicamente, os gestores públicos priorizaram a atração de novas empresas e indústrias para seus municípios para ampliarem sua receita (impostos) e gerar empregos. Mas isso hoje não basta: uma cidade inteligente demanda uma sociedade inteligente, por isso o gestor público do século XXI precisa também definir estratégias e ações para atrair e manter talentos. 

#4 Usar dados e inteligência artificial para tomada de decisão:

Há uma série de plataformas e sistemas disponíveis, de baixo custo ou mesmo gratuitas, que usam bancos de dados públicos e podem ser aplicados à realidade local. Como melhorar a mobilidade urbana? Que regiões demandam maior investimento em segurança, ou uma infraestrutura de serviços (creches, escolas, parques)? A tecnologia tem ajudado cidades mundo afora com dados e evidências que facilitam a criação de projetos e políticas públicas.

#5 Inovação nas cidades mobilizam o ambiente empresarial:

Quando o poder público abre a possibilidade de testar um serviço inovador à população, ele cria um ambiente de validação de mercado para novas soluções, o que facilita a conexão entre grandes empresas e startups. É a oportunidade para transformar a infraestrutura já instalada nas cidades (como as redes 4G) em novas plataformas de serviço para o bem comum. Isso significa um alto potencial de novos investimentos, geração de empregos qualificados - e ganho de eficiência ao poder público.

O tema será debatido em live no YouTube na próxima segunda (09.11), que vai focar em "smart mobility", com líderes na América Latina de empresas como Renault, Zurich Airport e Waze Carpool, o link para acesso é este: https://www.youtube.com/watch?v=q2qA0IEGFy4

 

Fabricio Umpierres Rodrigues

  • imagem de umpierres@gmail.com
    Fabrício Rodrigues, editor do portal SC Inova, é jornalista com especialização em Gestão Empresarial. Atuou durante 12 anos como coordenador em agências de assessoria de imprensa (Dialetto e PalavraCom), foi repórter em jornais como Gazeta Mercantil SC, A Notícia e Folha de S. Paulo e editor de sites de cultura desde os tempos da Internet discada. www.scinova.com.br / E-mail: scinova@scinova.com.br

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