Publicidade
Coluna Fabrício Wollf |A comunicação pública em xeque
20 de Julho de 2018

Coluna Fabrício Wollf |A comunicação pública em xeque

Publicidade
Twitter Whatsapp Facebook
Por Fabrício Wolff 20 de Julho de 2018 | Atualizado 20 de Julho de 2018

De uma forma geral, vê-se comunicação pública como a capacidade de uma determinada administração em se comunicar com os cidadãos, ora chamados de contribuintes, ora denominados eleitores. Isto porque esta é a forma mais básica de comunicação esperada de uma gestão. E, claro, a que mais interessa ao administrador público: falar aos seus eleitores sobre seus feitos e ações, ainda que muitos desconheçam ou desrespeitem a legislação sobre publicidade da gestão pública, que prevê a prestação de contas dos atos governamentais. Mas como a fiscalização é frouxa, faz-se propaganda mesmo e tudo certo.

Entender a comunicação pública, no entanto, como mera publicidade dos feitos ao público contribuinte-eleitor, beira à falta de inteligência. Se esta é importante, outros aspectos da comunicação são tão ou mais importantes. Um problema frequente no poder público é a comunicação interna, que vai desde a falta de sintonia entre os vários setores, a total falta de troca de informações com o público interno – ou seja, com o servidor público. Esta comunicação, quando existe, é falha, unidirecional e não dispõe de um canal efetivo de troca onde o servidor também possa ser facilmente ouvido. Disparar e-mails marketing com informações que comumente interessam aos gestores (mas nem sempre aos servidores) para “cumprir tabela”, dar a entender ao público interno que há interesse e uma conexão.

Publicidade

Uma comunicação interna efetiva precisa manter aberto um canal de diálogo o tempo todo. Precisa pesquisar o índice de satisfação deste público, saber suas demandas, dificuldades, comprometimento, aspirações… Para haver real conexão, é necessário realmente se importar. Uma gestão inteligente cria canais de comunicação humanos e eficientes, ferramentas tecnológicas que não afastem os gestores da realidade presencial, e se preocupa o tempo todo em avaliar a relação entre o índice de satisfação e o rendimento produtivo de seus colaboradores. Uma gestão que não consegue cuidar da própria casa, dificilmente terá sucesso na comunicação para o público externo, seja do município, estado ou país. Isto porque qualquer propaganda bem feita e massivamente veiculada cai diante de uma crítica de um colaborador junto a seus amigos ou familiares.

Porém, esta tarefa não é fácil aos gestores públicos pelo simples fato de que eles costumam comunicar a todos (público interno e externo) sua facilidade em enterrar a competência, a produtividade e os bons resultados que podem ser obtidos por seus colaboradores, em troca dos conchavos, indicações político-partidárias ou simplesmente de amiguinhos do poder, o que naturalmente se traduzirá em um golpe na meritocracia. Nos corredores, essas notícias correm. Aqueles bons servidores, que trabalham e merecem reconhecimento, sentem-se desprestigiados, desmotivados. Este tipo de atitude que, todos sabem, representa aquela velha política que a imensa maioria dos brasileiros rejeita neste país de tanta corrupção, ganha os comentários nas ruas e detona a real imagem de um gestor público, aquela imagem que a publicidade oficial, no fundo, não consegue disfarçar.

A comunicação é muito mais do que o ato de dizer. É o ato de mostrar com exemplos de retidão de caráter como se faz.  

Publicidade
Publicidade