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Coluna Entretenimento | Entrevista com o percussionista Osvaldo Pomar, sobre o projeto Culturaberta
28 de Março de 2023

Coluna Entretenimento | Entrevista com o percussionista Osvaldo Pomar, sobre o projeto Culturaberta

As inscrições para o projeto que contempla diferentes expressões artísticas já estão abertas e seguem até o dia 2 de abril. Entenda mais sobre o projeto e manifeste sua expressão artística!

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Por Entretenimento 28 de Março de 2023 | Atualizado 29 de Março de 2023

Osvaldo Pomar, o Vava, fala sobre o projeto Culturaberta, que começa ainda em abril, em Floripa

 

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Crédito da imagem: Cristiano Prim

 

Palhaçaria, teatro, música, desenho, fotografia, compostagem… as diferentes manifestações artísticas estão previstas no projeto Culturaberta, de formação continuada em arte e cultura. Assinado por um coletivo de 16 artistas renomados de Santa Catarina, ontem (27/03) foram abertas as inscrições para participar das 16 oficinas que serão realizadas ao longo do ano.

Pessoas interessadas ou que já têm experiência com artes, maiores de 18 anos, podem se inscrever até o dia 2 de abril.

Um dos artistas que forma o coletivo, o percussionista Osvaldo Pomar, conversou com a Leticia Bombo, jornalista que assina a coluna Entretenimento.

Ele contou mais sobre o projeto, como surgiu a ideia do Culturaberta, os festivais/mostras que acontecerão até novembro e expectativas para uma segunda edição.

 

Acompanhe a conversa.

 

Osvaldo, que bacana que conseguimos nos organizar pra conversar. Me conta, como surgiu a ideia do Culturaberta?

Ah, muito legal mesmo a gente conversar e divulgar o projeto, porque ele é muito vivo!

Então, foi uma iniciativa de conversas entre alguns artistas e o Marcelo, que é o proprietário do Matura Floripa, onde a gente vai realizar as oficinas. A ideia veio da vontade de contemplar a demanda de aprendizagem artística e a interação entre as artes. Nós, músicos, por exemplo, conseguimos interagir com os artistas da dança quando fazemos um evento juntos e, ainda assim, pode acontecer uma edição no ano. Mas quando acontece, é muito legal essa troca.

Então juntamos alguns artistas que se conhecem, interagem socialmente, mas nem sempre profissionalmente, para que essa galera possa dar oficinas sobre a arte com a qual trabalha e ainda expor, divulgar seus trabalhos, ao mesmo tempo que incentiva uma formação na área mesmo.

Buscamos incentivos e o Culturaberta foi contemplado pela Lei Estadual no PIC, que é o Programa de Incentivo à Cultura, da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), e o Brasil Atacadista embarcou nessa ideia com a gente. Então,  o valor do ICMS que o mercado paga todo mês, é repassado para que o projeto possa acontecer de forma gratuita para a população.

 

Muito rica a ideia de juntar as várias manifestações artísticas, para além dos festivais específicos de cada arte! Sobre a ideia de levar a cultura para as pessoas, qual é o resultado concreto de a gente levar uma formação cultural, artística para a sociedade?

A gente pode tentar fazer um comparativo aqui com o show do Gilberto Gil, que foi no último final de semana, gratuito, no centro de Floripa e que reuniu milhares de pessoas, encerrando a Maratona Cultural e as comemorações de 350 anos da cidade. Eu me apresentei em um evento off da programação e senti um pouco de como esse show, de um artista tão relevante para o Brasil, mudou o sentimento das pessoas. Ele impactou as pessoas diretamente e de uma forma instantânea.

Uma formação continuada, ainda que tenha prazo para terminar, é um processo mais lento de sensibilização mesmo.

Eu sou professor da oficina de pandeiro, então posso falar por experiência própria que, depois de dois meses de oficina, as pessoas começam a ouvir o mundo de outro jeito; elas ouvem a música, elas começam a interpretar a partir de um ponto de vista artístico, no caso do pandeiro, rítmico.

Mas qualquer uma das outras artes consegue acessar as pessoas em um ponto muito mais sensível, que a escola regular, muitas vezes, não chega.

 

Esse ponto sensível foi, inclusive, citado pelo seu Gilberto durante o show de domingo, né?

(risos) eu acho que tô parafraseando aqui no automático, mas é uma coisa que eu concordo muito mesmo.

Eu tenho um mestre que toda vez que a gente estava tocando e alguém se queixava por causa do volume dos tambores, dizendo “ah, tem que parar com esse barulho…” ele dizia, “ô amigo, desculpe, a gente vai reduzir, entendemos e tal, mas barulho quem faz é máquina, a gente tá fazendo música”. Na hora da conversa ali de muro, não resolvia, mas a fala dele ficava ressoando na pessoa, o que é ótimo, porque a gente se acostuma com padrões de frases também e precisamos ir além desses padrões.

E aí claro, a gente tem outras questões mais profundas, principalmente falando do nosso país, que têm que ser trabalhadas. Temos que ir ganhando as pessoas aos pouquinhos, porque tem muita deformação da informação também do fazer artístico.

 

É… e as inscrições para as oficinas começaram ontem (27/03) e vão até 02 de abril. Quem pode participar?

A gente está focando no público maior de 18 anos, interessado em qualquer uma das expressões artísticas que o projeto contempla: artes visuais, teatro, música, compostagem… a ideia é justamente essa, de mostrar que o estudo das artes não precisa parar na escola. Pode e deve ir além, se for isso mesmo que a pessoa quiser.

É preciso parar de pensar que as crianças estudam artes na escola e depois ou vai trabalhar ou vai ser artista. Ser artista é um trabalho também.

 

Além das oficinas, serão quatro festivais ao longo deste ano. Como vocês estão organizando isso?

A ideia é ir mostrando para o público as práticas das oficinas. As aulas começam em abril, já em maio teremos um primeiro festival em que vamos convidar os professores para já ir mostrando o que seus oficineiros estão produzindo. Se não tiver nada fechado ainda, sem problemas, eles podem mostrar o processo em que estão.

A ideia, também, é ir acostumando estes alunos a estarem no palco, sentir como é se apresentar, o nervoso que dá e tal e ir treinando para o encerramento do projeto.

Além disso, queremos fazer workshows no espaço do nosso apoiador, aqui no Sul da Ilha, justamente para mostrar como são as oficinas de dança, por exemplo, e impactar, de alguma forma, um público que talvez não vá até o Matura.

Daí, sim, lá em novembro, a gente faz o Festival com resultados mais concretos das oficinas, convidando artistas renomados do Brasil para virem prestigiar essa formação com a gente e todos que estiverem por aqui.

 

E já pode dar alguma dica, de quem é o artista que deve vir?
Ah, não! Ainda não podemos e também é provável que a gente acabe fechando quem vem mesmo ao longo do processo que, como comentei lá no começo, é vivo. Então, a gente vai fazendo devagar mesmo, até para podermos amarrar para uma segunda edição do projeto… quem sabe?!

 

E, para finalizarmos, qual a ideia do nome do projeto, é o que ele sugere mesmo, Culturaberta?

É quase que uma provocação pra gente tentar ir buscando uma cultura aberta mesmo, como ideal, que está lá na nossa frente, é o nosso foco.

Precisamos equilibrar todas as outras coisas que fazemos na vida, para nos dedicarmos a uma formação de algumas horas, incentivando que as pessoas atentem para seus lados artísticos e sigam no caminho da cultura. Não existe uma sociedade sem cultura.

Inclusive tem um “a” só, que liga as palavras “cultura” e “aberta”. Foi uma jogadinha assim de colocar o mesmo “a” ligando as duas palavras. (risos)

Mais de 300 pessoas serão selecionadas para participar das 16 oficinas que passam por diferentes expressões artísticas. Para se inscrever, basta acessar o site. O resultado sairá no dia 7 de abril e as aulas começarão na semana seguinte.

 

Envie sugestões de entrevistas para [email protected].

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