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Coluna Carreira | Você se considera otimista?
01 de Maio de 2022

Coluna Carreira | Você se considera otimista?

Se ainda não, talvez queira repensar, pois isto pode até lhe ajudar a encontrar novo emprego.

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Por Prof Jonny 01 de Maio de 2022 | Atualizado 09 de Maio de 2022

Nem todos acreditam que uma atitude otimista, mesmo diante de um cenário sombrio em vários aspectos, tem de fato algum efeito. Interessante notar que em novembro de 2021, durante a COP26- Conferência da ONU sobre mudança climática, em Glasgow, Escócia, o jornal The New York Times organizou um fórum paralelo ao evento, chamado Climate Hub. Este evento reuniu líderes e pensadores influentes para debater, discutir com a comunidade em geral sobre estratégias para enfrentar mudança climática. E daí, o que isto tem a ver com otimismo?

O ponto é que justamente um dos últimos painéis do evento, teve como pergunta título: Como podemos liberar o poder do otimismo?

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Você pode não saber mesmo se isto funciona, mas pense bem, poucos de nós sabem exatamente como funcionam os complexos sistemas criados pelos nossos colegas dos campos de elétrica e eletrônica, mas ninguém pensa duas vezes antes de se beneficiar de todos confortos trazidos por estes e outros avanços da tecnologia.

Nem tão pouco ter esta atitude é sinal de alienação ou distanciamento dos problemas do mundo. Talvez o desafio seja justamente o contrário, ser alguém que está no mundo, mas sem se deixar ser “afogado” pelo constante bombardeio de más notícias vindas de todas as frentes. Então, o que seria o tal otimismo neste contexto?

 

Gostei muito da definição trazida neste artigo publicado pela Forbes:

 

Go ahead and continuously improvement concept, silhouette man jump on a cliff from past to future with cloud sky background.

“Otimismo significa reconhecer os desafios que surgem em seu caminho, mas abordá-los como problemas gerenciáveis e temporários na trilha para o sucesso. Trata-se de ver o copo meio cheio e canalizar uma atitude positiva.”

Este artigo descreve alguns benefícios do otimismo. O texto tem foco no mundo dos negócios, apontando que cultivar essa mentalidade em sua equipe de trabalho fará com que não apenas você tenha uma equipe mais saudável, mas também que isto se refletirá em seu negócio. Mesmo que você agora não esteja numa posição de liderar equipe, é possível extrapolar tal ideia para sua carreira. Portanto, tal atitude poderá contribuir para sua melhor interação como potencial líder no contexto de seu trabalho. Em relação ao cenário crítico atual, é fundamental estar aberto a reconhecer as más notícias, como também é essencial enfrentá-las com as boas, mostrando que há um caminho para a situação atual, motivando as pessoas a fazer planos e seguir em frente. O texto também traz algumas reflexões sobre a importância do otimismo para líderes, como cultivar esta atitude, e como tal postura pode contribuir para uma mentalidade de solução de problemas e resiliência com foco no futuro.

Então, você pode estar pensando algo como, ok, beleza, é fácil cultivar o otimismo quando “as coisas vão bem”, mas como fazer em tempos de crise?

É justamente este o foco desta matéria publicada em abril de 2020 pela McKinsey. O artigo tem autoria de Jacqueline Brassey e Michiel Kruyt, dois líderes na organização. Vale lembrar que este momento se trata do início da pandemia, em que o mundo estava num cenário ainda mais incerto quanto ao impacto da doença sobre as pessoas, as organizações e até mesmo as nações. Novamente, o foco é em liderança. O texto sugere a prática da “consciência integrativa”, o que compreende estar ciente da realidade em mudança no mundo exterior e como responder emocional e fisicamente a esta mudança. Esta postura permite que os líderes deixem de ver os desafios como obstáculos para vê-los como problemas a serem resolvidos gerando aprendizagem. Os autores trazem conceitos da neurociência, mostrando como conectar efetivamente a consciência situacional com a autoconsciência, em outras palavras, relacionar a situação do mundo exterior à nossa percepção interior do que está acontecendo, que eles denominam consciência integrativa. A ideia é que encarar uma ameaça como oportunidade de aprendizado e inovação transforma uma situação incerta em uma situação de esperança e possibilidade. O texto apresenta que estresse pode ser bom e que, se aproveitado de forma construtiva, pode contribuir para manter altos níveis de energia mesmo em um ambiente de crise. A proposta enfatiza a necessidade de buscar significado, o que ajuda todos a lembrar de que tempos difíceis e longas horas de trabalho servem a um propósito.

Vale a pena notar que além de conceitos, a matéria traz exemplos de situações críticas, onde a devida postura da liderança fez total efeito, como por exemplo, a atitude da Primeira Ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, ao se posicionar perante a nação em 2019 logo após atentados às mesquitas em Christchurch, ao mencionar “Eu me recuso a acreditar que você não pode ser ao mesmo tempo compassivo e forte”.

Outra situação de destaque foi a forma como o capitão Chesley Sullenberger, cuja história ficou registrada com o filme o Sully, exerceu claramente uma consciência integrativa sob situação de extremo estress, ao perceber que seu avião havia sido atingido por pássaros em ambas turbinas e, mesmo assim, conseguiu pousar no rio Hudson em 2009, onde todos a bordo foram salvos. Entre as principais sugestões apresentadas no texto, têm-se estas seis atitudes que devem ser cultivadas:

1. Adapte sua forma de agir. Busque entender como suas prioridades, seus papéis, seu tempo e sua energia estão operando em harmonia (ou não) no cenário atual.

2. Defina sua intenção. Reserve alguns minutos no início do dia para analisar sua agenda, identificando tópicos de maior risco (ou importância) que devem demandar maior atenção.

3. Regule suas reações. Enquanto estiver em uma situação estressante durante o dia, observe suas emoções para que possa reconhecer como está reagindo ao estresse e se necessário fazer uma pausa, antes de escolher como responder.

4. Pratique a reflexão. Procure criar uma forma de processar o que aconteceu durante o dia e criar espaço para ouvir seu mundo interior, tanto mente quanto corpo. O importante é tornar tal prática como regular.

5. Reavalie sua perspectiva. Quando estamos cansados em estresse, tendemos a ver mensagens negativas e ameaças mais facilmente do que oportunidades e mensagens positivas. Manter um equilíbrio e ser realista não é fácil. O primeiro passo é ter consciência disto, e depois buscar lidar com essas situações de forma mais eficaz.

6. Gerencie seu nível de energia. Uma das coisas mais difíceis de fazer em tempos de crise é equilibrar as demandas de trabalho com o bem-estar físico. Uma situação de crise exigirá tempo de recuperação ou, em algum momento, seu desempenho ou até mesmo a saúde pode ser prejudicada.

Sabia que os otimistas são melhores até em encontrar novos empregos?

Esta é a ideia defendida por Michelle Gielan, pesquisadora em Psicologia Positiva, neste artigo publicado na Harvard Business Review. A autora defende que, embora o descontentamento tenha um papel a desempenhar, por exemplo nos impulsionando para mudança, do ponto de vista científico, uma mentalidade positiva e otimista é melhor combustível para a jornada do que a insatisfação ou negatividade que nos levou a um novo caminho na vida. No artigo, ela declara que nas atividades que realiza de aconselhamento a pessoas que perderam seus empregos, é possível identificar quase instantaneamente os otimistas, pois eles agem mais rapidamente para encontrar um novo emprego porque acreditam que eventos negativos são temporários; eles atualizam seus currículos, exploram o LinkedIn e fazem contatos com ex-colegas para encontrar uma vaga. Os pessimistas irão contornar esses comportamentos, mas muitas vezes levam mais tempo e fazem com menos entusiasmo, o que, em quase todos os casos, afeta os resultados finais. As consequencias vão mais além, até mesmo no processo de entrevista uma atitude otimista pode fazer diferença. Quando questionado sobre como resolveu algum recente desafio, a maneira como você formula a resposta pode dar pistas sobre seu desempenho futuro. Alguém que dá uma resposta empoderada com foco nas soluções em vez de apenas discutir o problema, bem possivelmente merecerá uma segunda entrevista.

Ainda de acordo com a pesquisadora, seu estudo descobriu que os otimistas no trabalho são cinco vezes menos propensos entrar em burnout do que os pessimistas e três vezes mais propensos a serem altamente engajados em seus trabalhos. Alem de outras descobertas, ela aponta que o aspecto mais esperançoso resultante da pesquisa sobre otimismo é que nossa mentalidade é maleável – assim como um músculo na academia, podemos trabalhar nele para fortalecê-lo. A conclusão do texto traz três hábitos diários como muito eficazes para construir otimismo: pensar em três novas coisas pelas quais se é grato todos os dias; enviar e-mail mesmo curto com nota positiva para alguém novo todas as manhãs para elogiar ou agradecer; e passar alguns minutos por dia escrevendo sobre o momento mais significativo das últimas 24 horas.

Bem, espero que você tenha uma atitude aberta para, pelo menos conhecer, este campo se isto lhe for novidade. Observe, o que New York Times, Forbes, McKinsey e Harvard Business Review têm em comum?

São todas organizações focadas no mundo dos negócios e trabalho no geral, portanto se eles estão dando espaço a isto, vale a pena conhecer.

Finalizo com esta citação frequentemente atribuída a Winston Churchill: “Um pessimista vê a dificuldade em cada oportunidade; um otimista vê a oportunidade em cada dificuldade.”

Pense sobre isto!
Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

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