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Coluna Carreira | Uma conversa significativa com Sam Cyrous- logoterapia, serviço, storytelling e outros pontos
27 de Julho de 2022

Coluna Carreira | Uma conversa significativa com Sam Cyrous- logoterapia, serviço, storytelling e outros pontos

Sam abriu espaço em sua intensa agenda para falar sobre temas essenciais para carreira e outras áreas da vida.

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Por Prof Jonny 27 de Julho de 2022 | Atualizado 08 de Agosto de 2022

Nascido no Uruguai, com pai e mãe persas, Sam Cyrous fez graduação em Psicologia em Portugal, mestrado na Espanha e formação na Alemanha e Itália. Reside em Goiânia (GO) desde 2008. Além de psicólogo, ele é storyteller, professor da PUC-RS e de outras instituições no Brasil e na América Latina e consultor em Direitos Humanos e Cultura de Paz. Foi curador do TEDxGoiânia e secretário geral da Associação Brasileira de Logoterapia e Análise Existencial. Escritor com artigos publicados em diferentes idiomas, entre os quais em livros de referência científica da Editora Springer. Atualmente, é também pesquisador na UnB, onde realiza doutorado.

Nossa conversa ocorreu via online. Entre lives, aulas e atendimentos, Sam abriu espaço em sua intensa agenda para falar sobre temas essenciais para carreira e outras áreas da vida. Desejo que o leitor se beneficie de suas ideias, tanto quanto pude aprender sobre elas.

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Em seu perfil, você se apresenta como “um ser intercultural de várias identidades”, quais seriam as duas ou três destas identidades que mais estão atuantes no momento? E por que?

Acho que todos nós somos uma mescla de diferentes personagens formados ao longo de nossas vidas. Neste momento, sou principalmente aquele preocupado com as incoerências do mundo e como transformar este mundo num local de desenvolvimento constante, de nobreza constante, de evolução constante, não é uma conversa de progresso a todo custo. É uma conversa de entender quem nós somos para saber onde estamos indo, e aí tenho grandes influências para isto, tenho influência intelectual de Viktor Frankl, como você sabe. Ele tem uma metáfora que gosto muito, que é a metáfora da nuvem: os hebreus, na época do êxodo, tinham uma nuvem na frente deles e a seguiam; se a nuvem parasse, eles paravam, pois não poderiam ver o caminho. A nuvem deveria estar sempre na frente. Acho que é um pouco isto que o ser humano deve fazer: ir atrás “dessa nuvem”, buscando o sonho, aquilo que faz seus olhos brilharem. Meu sonho neste momento, minha identidade neste momento, talvez seja contribuir para que as pessoas consigam ir atrás desta “nuvem mágica”, dos seus sonhos ou daquilo para o que elas nasceram — acho que é isto!

Quais decisões norteaream sua escolha de carreira para ser psicólogo?

Não sei se as escolhas são conscientes, por mais que alguém crie uma resposta cognitiva e racional para isto. A minha escolha, na infância, foi assistindo uma adaptação de um livro de Isaac Asimov, em que toda jornada acontecia dentro do corpo humano. Quando vi aquilo, devia ter uns sete anos, disse a mim mesmo “quero ser médico”, quero entender desta coisa chamada corpo humano. À medida que os anos foram passando, fui tentando prestar atenção nos médicos que eu consultava, quando ia com meus pais, médicos que apareciam nos filmes, nas séries… sempre prestava atenção. Em algum momento, me deparei com um médico chamado Sigmund Freud, e, aos treze anos, li pela primeira vez Freud, o que é outra história… Daí falei, é isto que eu quero! Estava decidido: é a Psiquiatria. O caminho é um tanto quanto óbvio, não entrei em Medicina para fazer Psiquiatria, mas entrei em Psicologia, e vi que na verdade hoje, no século XXI, quando terminei a minha formação como psicólogo, aquilo que eu achava que a Psiquiatria fazia, e era a Psiquiatria no século XX, hoje, é Psicologia que faz. Então, acabei sendo conduzido por um caminho que surge na ficção científica (você sabe de minha paixão pela ficção científica): vou explorando e descubro a Psicologia e me formo na área.

Dentro da Psicologia, como foi a definição de sua linha de atuação?

Não sei o quanto você conhece da Psicologia, mas existem abordagens diferentes, uma macro-abordagem, podemos dizer, é a Psicologia Cognitiva-Comportamental, e a maioria dos meus professores no início do curso era desta vertente, e eu era mais “freudiano”, sabia sobre mecanismos de defesa, sabia sobre os sonhos — afinal, conhecia da teoria de psicanálise. No final do primeiro ano, um professor nos mandou fazer um seminário sobre Jung e aí eu percebi “nossa, muito legal!” e passei as férias de verão do primeiro ano, em vez de “curtir férias” (se bem que não acho que foram perdidas), lendo dois livros de Jung. Identifiquei-me com o seu pensamento. No ano seguinte, por mero acaso do destino, meus pais têm um amigo chamado Luis Henrique Beust, e ele viria ministrar um curso de uma semana, durante as férias, e eu fui. Não lembro em que momento, ele citou Viktor Frankl; nunca tinha ouvido falar dele! Nestas mesmas férias de verão, do segundo para o terceiro ano, morava em Portugal e meu tios que moravam na Alemanha vieram nos visitar e fomos juntos passar um dia na Espanha. Lá havia uma livraria encantadora e eu deixei os familiares jantando e fui para a livraria. Lá comprei três livros, dois dos quais nunca li e um de Viktor Frankl. E, ao ler, no final do primeiro capítulo, disse a mim mesmo “é isto que estava procurando”. O livro, que foi traduzido no Brasil há uns dois anos, chama-se “Psicoterapia e Existencialismo”. Apaixonei-me pelo seu pensamento e dois anos depois de terminar a graduação, comecei a fazer alguns cursos em Logoterapia; dois anos depois do mestrado, fui a um evento em Roma, e foi neste evento que disse “é isto, sou logoterapeuta”.

Em termos simples, como você define a Logoterapia?

A Logoterapia e Análise Existencial formam um ramo da Psicologia, cujo foco central está em capacitar a pessoa a buscar o sentido de sua vida, e também o sentido das situações pelas quais a pessoa passa ao longo de sua vida, sejam elas boas ou ruins, pois a felicidade que está sendo tão valorizada nos séculos XX e XXI é um efeito, ou subproduto de quando vemos o sentido. Então, podemos ser felizes em situações de infortúnio, se tivermos clareza do sentido da situação, pois a felicidade é um estado de ser, uma consequência desta visão do sentido. Claro que estou explicando de uma forma muito simples, há muitas outras coisas que precisam ser faladas, como por exemplo, o fato de que somos livres e responsáveis por como lidamos com as situações. O livro Em busca do sentido: um psicólogo no campo de concentração é possivelmente o livro mais popular de Viktor Frankl e um dos livros mais traduzidos no mundo: vale a pena lê-lo e refletir sobre sua proposta de pensamento e de ação.

Sabemos que em muitos países, inclusive no Brasil, apesar de crises, o mundo do trabalho tem vivenciado o que se costuma denominar a “grande debandada” muito relacionada à pandemia. Você tem percebido algum efeito disto na procura por terapia relacionada à ocupação profissional?

Não necessariamente na pandemia, tenho percebido que isto é um movimento que ocorre há alguns anos. Por exemplo, atendi uma pessoa que era formada em Direito e estava estudando para ser juíza, e ela se frustrava porque não tinha clareza do porquê queria ser juíza, apesar de dizer coisas bonitas sobre o potencial impacto positivo de juízes em cidades pequenas. Acho que ela só dizia porque eu trabalho com Direitos Humanos, e mostro estas coisas nas redes sociais, mas eu deixava passar. Um certo dia, não sei como, os olhos delas brilharam quando ela falou de culinária. Daí começamos a explorar isto. No outro dia, ela voltou, e já tinha feito dois cursos de culinária, e começamos a notar, com o tempo, agora que ela sabia o que fazia seus olhos brilharem, que suas crises iam diminuído e até desaparecendo. O importante é conseguir enxergar o que faz a vida valer a pena, ela chegou à conclusão que não iria abandonar o Direito para ser Chef de cozinha, mas ela conseguiu encontrar o equilíbrio entre estes dois mundos. A pandemia tornou esta e outras questões muito mais visíveis: botou uma lupa sobre nossos problemas. Verdade seja dita, os últimos quarenta anos não têm sido fáceis, vivemos uma sucessão de crises. Cada uma delas leva à recessão econômica e as pessoas são levadas a parar para pensar se vale a pena continuar fazendo o que estão fazendo. Daí vem uma crise e a gente não aprende, depois vem outra, e outra e outra, e continuamos sem aprender. A humanidade, em algum momento, tem que aprender que a vida não é sobre trabalho, e, talvez por isso, nos textos de Frankl, podemos ver, por vezes discretamente, a mudança para a palavra serviço. Por exemplo numa palestra dele em 1946, na qual começou falando de trabalho, e passa a falar de serviço — e as pessoas nem percebem — porque trabalho tem a ver com eu ser útil do ponto de vista do capital, trabalho num certo contexto tem a ver com que os nazistas faziam nos campos de concentração com os presos, encarando as pessoas como recursos úteis se estiverem em certas condições. Frankl fala de serviço, dizendo que todas pessoas são capazes de servir a algo maior que si mesmas. Este é o serviço! Podemos encontrar esta e outras duas palestras no livro “Sobre o Sentido da Vida”.

Então, só para deixar claro, você não notou nada específico relacionado à grande debandada na procura por logoterapeuta?

Acho que a crise foi maior, mas não somente por causa da questão laboral apenas. Foi uma série de situações que foram trazidas, porque veja o seguinte: há formas de descobrirmos e vivermos o sentido de nossas vidas. Uma delas é pelo sofrimento, e as pessoas perceberam que não sabem sofrer, na pandemia elas tiveram clareza disto. A outra é nas experiências que nós ganhamos quando vivenciamos, e na pandemia não estavámos tendo experiências muito boas, a nível cultural, tivemos uma queda drástica, por que as lives cresceram tanto na pandemia? Porque tentamos substituir a vida cultural visível por uma vida cultural digital. A produção cinematográfica caiu na pandemia, relacionamentos interpessoais caíram na pandemia, atividades como ir ao bosque, caminhar, ver o por do sol caíram na pandemia, não tinha o que experimentar na vida. Assim sobrava uma coisa, o que eu ofereço na vida para o mundo e aí as pessoas começaram a refletir sobre isto. Algumas pararam para pensar o que estavam fazendo, e outras nem isto conseguiram fazer. Com isto, nós vemos um fenômeno na pandemia que são dois tipos de pessoas, algumas trabalharam incessantemente e outras não conseguiram trabalhar em absolutamente nada, é porque os dois tipos se bloquearam neste elemento da busca pelo sentido do serviço.

Além de psicólogo, você é storyteller, é possível explicar o que significa isto? E como esta atuação complementa (ou não) seu trabalho como terapeuta?

Storytelling, em uma frase, é a ciência que explica a arte de contar histórias. No Brasil, o storytelling foi muito para o marketing, mas na verdade é o conhecimento de como operam as narrativas. Como isto complementa meu trabalho como psicólogo? Na verdade, minha atuação como storyteller praticamente começou junto com a atuação como terapeuta. Por causa de um autor chamado Nossrat Peseschkian, que era meio persa, meio russo e meio alemão, que tive a oportunidade de conhecer. Entre outras obras, ele foi autor do livro “O Mercador e o Papagaio– Histórias Orientais como Ferramentas em Psicoterapia”. Li o livro nas férias de verão antes de entrar na faculdade, e uns anos depois, tive a honra de revisar a tradução e escrever o prefácio do livro. Como isto serve no contexto da Psicoterapia? De duas formas, primeiro, que os pacientes nos trazem histórias, as das vidas deles, e cabe a mim, como terapeuta, facilitar os caminhos para que eles consigam reescrever, recontar ou antes de tudo isto, rever suas histórias. A ideia é descobrir novas formas de enxergar as histórias da sua vida. O segundo ponto é que os nossos pacientes tendem a chegar com algumas resistências, eles não estão livres de amarras, apesar de terem dado o primeiro passo de ver que algo precisa ser trabalhado e ter alguém acompanhando para se descobrir, eles não estão muito dispostos durante o processo terapêutico a pensar fora do seu “natural”. Ao invés de ouvir ou receber certas verdades sobre si mesmos, cabe ao psicólogo ou terapeuta, muitas vezes, oferecer uma uma história fictícia ou real de outra pessoa, convidando o paciente a rever seus bloqueios, repensar seus processos internos sem perceber. E aí posso fazer de tudo, desde contar um pequeno conto a recomendar a leitura de um livro, a dizer para assistir um filme. Na mesma sessão ou na sessão seguinte, quando a pessoa voltar, conversamos sobre isto. Inclusive este é o tema do meu doutorado.

Não estava entre as perguntas antes, mas gostaria de saber se você conhece a Psicologia Positiva, em especial os autores Martin Seligman e Mihaly Csikszentmihalyi, que são considerados duas referências desta linha? E se sim, se vê alguma relação entre a Psicologia Positiva e a Logoterapia?

Meus alunos na pós de Psicologia Positiva perguntam muito isso. E, com certeza, Martin Seligman conhece a Logoterapia. Vejamos que para ter uma vida plena, por assim dizer, nós precisamos, segundo a Psicologia Positiva, de relacionamentos positivos, emoções positivas, uma vida de realizações, com engajamento para realizar estas questões que consideramos importantes, mas antes de tudo isto, precisamos de uma vida de sentido. E a Logoterapia é a que melhor explica esta questão de uma vida significativa. Nem sempre vejo Martin Seligman citar Viktor Frankl, mas de vez em quando está lá a presença de Frankl. Até porque, se precisamos ter uma vida com sentido, devemos buscar os autores que escrevam e pesquisem sobre isto.

Em seu discurso, por ocasião da homenagem recebida na Assembleia Legislativa de Goiás, você menciona que a pergunta chave deve ter foco no futuro, e não no passado, e seria “para que viver?”. Como muitos mencionam a importância do “porquê”, você poderia explicar a sutil diferença entre elas?

É uma sútil diferença mesmo, o por que tem alguns problemas. Vamos analisar, se você faz algo que lhe incomoda e digo “por que você fez isto?”, você sabe a resposta?
Na maioria das vezes não sabemos e, muitas vezes, nos irritamos com alguém que pergunta isto “por que fez isto?”. Porque aprendemos lá atrás, na infância, quando derrubava o copo e a mãe perguntava “por que você derrubou o copo?”. Qual é a resposta para isto? Não tem resposta! Isto é literalmente chorar sobre o “leite derramado”, sobre algo que aconteceu e você não tem o que fazer.
A pergunta deve ser “o que vou fazer com isto?” e o “para que?” muda o “por que” por outra opção. Exemplo, por que os hebreus estavam andando pelo deserto? Porque há alguns anos se liberaram do Egito, mas de que serve esta informação? Claro que para o historiador isto tem relevância. Minha esposa, que é historiadora sempre diz que serve para não repetir no futuro os erros do passado. Então, a pergunta é, de novo sobre o futuro: “para que?”.
Isto dá um nível de consciência à pessoa. Faço por decisão própria, não porque recebi uma ordem, porque tem a ver com o passado, por que você está escrevendo este texto? Porque alguém vai ler, porque o portal pediu, porque o editor mandou. Para que você está fazendo isto? Para influenciar pessoas, para tocar o coração da pessoa, para provocar uma reflexão… Por isto que a diferença da pergunta é muito discreta, é mesmo muito sutil como você falou, mas ela é importante. Em processo terapêutico, às vezes preciso olhar para a causa, é importante entender porque a pessoa está assim, mas não posso ficar cavando os interiores e as entranhas psíquicas da pessoa, se não dou uma esperança de para onde ir. Então, talvez as duas perguntas sejam reais, “por que?” e “para que?”. Só que o foco da segunda é lá na frente e não atrás. Sabe quando descobri isto? Quando era criança, assistindo um filme quando Sodoma foi destruída. A história conta que foi dito a Lot e sua família “saiam e não olhem para trás”. Eles saíram da cidade, e a esposa de Lot olhou para trás, e virou estátua de pedra e sal. Apesar de ser criança quando assisti isto, foi o momento em que pensei: “não vou ficar olhando para trás, quero algo que me ajude a olhar para frente”. Por isto que gosto daquela metáfora da nuvem na frente, não para as trevas atrás, mas para esperança na frente. Daí você escolhe qual caminho a seguir.

Entendi, não sei se você conhece Simon Sinek, autor do bestseller “Comece pelo Porquê”, que inclusive neste livro, faz a maior citação no final justamente a Viktor Frankl, e lá ele enfatiza o porquê, mas tudo bem, percebi a diferença, mas você vê relação?

Simon Sinek popularizou muito esta pergunta no livro, tem um detalhe o “porquê” dele é o “para que” a que me refiro. Exatamente a mesma ideia, só que com duas expressões distintas.

Como explicar para o público geral, o que é seu tema de doutorado na UnB?

Estou pesquisando como as histórias que nos são contadas em certos momentos de nossas vidas influenciam as nossas tomadas de decisão em outros momentos da vida, principalmente, em momentos de crise significativa.

Sam, que mensagem você gostaria deixar para uma pessoa que neste momento está fazendo uma reflexão sobre carreira profissional, sobre permanecer ou mudar? Que o leitor tenha como lembrança de sua última mensagem aqui?

Quero lhe dar duas respostas. Tem um trecho fantástico do livro que citei antes (“Sobre o Sentido da Vida”), onde Viktor Frankl cita um poeta oriental chamado Tagore “Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era alegria.” Então, deixo aqui três mensagens. A primeira é: nós estamos num mundo capitalista, não dá para ir ao mercado de trabalho, e fazer a coisa de qualquer jeito, se estou em dúvida sobre minha formação profissional, tenho que olhar para o mercado, para a realidade do sistema no qual estou, enxergar e fazer a leitura de realidade, não me iludir com qualquer coisa. Só que isto é só uma das três coisas e talvez a menos importante. A segunda, e mais importante, é saber quais são meus talentos, meus dons, minhas potencialidades, como um diamante que precisa ser lapidado, e saber como lapidar. Se faço isto errado, posso perder valor, se o lapido certo, posso tirar impurezas e fazê-lo brilhar mais. Cada um de nós é uma pedra diferente, alguns serão rubis, outros serão ouro, outro ametistas, e outros diamantes. Precisamos saber quais são nossos talentos, mas, mais importante de tudo, lembrar do poema de Tagore, saber que serviço é fundamental. Então, estes talentos, estes dons, estas habilidades que estou lapidando, elas estão a serviço do que? E precisamos nos perguntar: sou um agente de transformação positiva ou de manutenção das coisas?

Viktor Frankl usa uma comparação, que no inglês é fantástica, ele diz que alguns de nós somos “peace makers” e outros são “pace makers”. O peace maker é aquele que faz a paz acontecer, ele diz que, curiosamente, isto não é algo necessariamente bom, o pacificador não é sempre alguém bom, às vezes, os líderes das grandes guerras, os vendedores de armas, são os que “fazem a paz”, porque eles mantêm o status quo do jeito que está. Paz é manter as coisas como são, daí talvez a expressão “me deixa em paz”, me deixa do jeito que estou. O que precisamos é perceber se estamos a serviço de manter as coisas como estão ou se somos “pace makers”, marcadores de passo, como agentes de transformação para mudança positiva e significativa. Então se alguém está em dúvida sobre sua carreira, ou se alguém está bem com sua carreira, precisa pensar nestes elementos: leitura da realidade, talentos utilizados, e principalmente se somos capazes de marcar o passo positivamente, ou simplesmente, estamos mantendo as coisas como elas são.

Lições de carreira

Conheço Sam desde 2015, quando ele estava como curador do TEDxGoiania, onde tive a oportunidade de palestrar. Embora tivesse proferido palestras em outros eventos, aquele processo de curadoria tanto pelas normas do TED quanto pela postura muito profissional dele, foi um dos processos mais intensos pelos quais passei. Num de nossos papos em Floripa, quando Sam veio dar aulas de pós, ele me contou que já chegou a mencionar aquele processo comigo em outras oportunidades. Daquela interação surgiu uma rica amizade e sempre é um prazer falar com ele. Como mostra esta conversa, desde tenra idade, a história dele foi guiada por busca pelo conhecimento e atitude de servir, o que para mim são os maiores impulsionadores para uma vida plena, que inclui o êxito profissional.
Sendo assim, a reflexão que deixo a você, leitor, é: Em quais áreas de sua carreira pode mais combinar estes dois aspectos?

Pense sobre isto!
Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

Abraço,  Jonny

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Fotos: Pedro Antonio Heinrich

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