Magda de Paula é mentora de Líderes, amplia os resultados de Executivos e Profissionais com foco em Liderança, Estratégia e Gestão, tendo mais de 27 anos de experiência. Ela é fundadora e diretora executiva da EXPLAIN- Consultoria Organizacional, graduada em Psicologia pela PUC- Goiás, com Mestrado em Gestão da Qualidade pela UNICAMP, e tem a certificação PCC – Professional and Certified Coach. Nesta entrevista, Magda compartilha sua experiência de transição de carreira, passando pelas áreas de RH, qualidade, coaching e como ela se posicionou para atuar como mentora de executivos focando em estratégia e liderança.
Agradeço muito por sua disposição em contribuir com nossa coluna sobre carreira. Sabemos que em muito nossas trajetórias são influenciadas diretamente pelas decisões. Quais decisões você considera que foram mais estratégicas no início de sua carreira que contribuíram para sua trajetória?

No início de sua carreira, seu perfil já destaca que você atuou Supervisora de Recursos Humanos, considerando as várias opções da psicologia, o que lhe levou a atuar nesta área?
Um ponto extremamente importante, que uso muito quando faço orientação de carreira, quando estou com executivo, geralmente não trabalho somente o que a empresa pede, trabalho o que executivo traz e tem muitos executivos que a empresa pede algo para ele melhorar, mas na verdade, ele está com dúvida na carreira dele. Então, no final da Psicologia, já estava começando a ficar ansiosa, porque a psicologia tem imensa atuação, você tem psicologia do esporte, hospitalar, clínica, e nesta se tem uma variedade de tipos de abordagens, na parte de empresa, temos seleção, treinamento, enfim são várias possibilidades, e não sabia o que escolher. Não esperei o último ano, dois anos antes, já estava com essa dúvida do que vou fazer, e decidi procurar prática. Comecei a procurar todos os meus professores e falava o que tem para eu experimentar, quero experimentar, fiz estágio em tudo que você pensar, e todos extracurriculares, ou seja além do estágio obrigatório de final de curso. Assim, meu primeiro estágio foi na inauguração do Castro Parque Hotel, uma amiga me convidou para vaga de seleção de pessoal. Havia uma seleção para 300 vagas, e tivemos 3000 candidatos. Era um estágio de um ano, e quando chegou na metade, outra amiga minha estava trabalhando no RH da Mesbla, ela tinha entrado como selecionadora sendo promovida para área de treinamento, e gerou uma vaga para selecionadora de pessoal. Como eu já tinha essa experiência, ela me propôs, tive que cancelar o contrato de estágio, peguei outra pessoa como supervisor, e fui para Mesbla. Então trabalhei seis meses antes de me formar como selecionadora de pessoal. A Mesbla foi a minha grande escola, uma empresa que fechou, mas te falo que foi onde aprendi muito, e trago até hoje uma gratidão incrível pela empresa. Então, para mim na carreira qual é o grande diferencial? Para você conseguir definir algo, experimente. Fiz o mesmo com minhas duas filhas, quando elas estavam para selecionar qual curso fazer.
Em suas atividades, fica muito evidente a relevância sobre o tema da Liderança, inclusive isto ficou claro no BEC, onde tive você como facilitadora. Quando e como você percebeu que deveria focar neste tema? Tem algum momento marcante que gostaria de compartilhar sobre isto?
Na verdade, comecei a trabalhar com liderança desde que eu estava no RH e veio primeiro porque eu era treinadora na Mesbla, porque comecei como selecionadora, depois fui para supervisão de treinamentos. Então ministrava treinamentos, por isso que eu te falo que a Mesbla foi uma das minhas grandes escolas, porque ela comprava programas que eram validados. Teve um programa americano, que tínhamos exclusividade por 5 anos, um dos programas que ela trouxe era um programa de liderança. E desde o início, a empresa tinha uma visão corporativa muito grande e já orientava que precisa fazer o trabalho com a supervisão, ela precisa fazer o acompanhamento, fazer o direcionamento, sem isto as pessoas ficariam soltas. Então, esse ponto foi fundamental e devido à minha vivência na prática dentro da empresa, percebi a importância da liderança. Quando me tornei consultora de empresas, fui selecionada para fazer um programa de liderança pelo Sebrae aqui de Goiás, chamado Sebrae Ideal, era um programa para líderes e isso foi em 1998. Nesse programa, passávamos primeiro os módulos aqui em Goiás, era um programa para formação de líderes, pena que ele acabou, porque ele formava os líderes das cidades. Quem coordenava era o Sebrae em parceria com as entidades da cidade, CDL, etc. Comecei em Goiás, minhas avaliações foram muito boas, sempre tive avaliações muito boas, a partir da minha avaliação, fui convidada no ano seguinte pelo Sebrae nacional. Já trabalhei no Brasil todo, em todos os estados, já tive em cidadezinhas bem pequenas, onde trabalhávamos a liderança dessas pessoas e foi onde me apaixonei pelo tema mais do que nunca, porque via o resultado do programa, pois era responsável por dois módulos, o primeiro e o último. Então, via os participantes no início do programa, e podia vê-los no final. Hoje, estratégia e liderança são meus dois focos, porque um depende do outro, se eu focar somente em liderança, eu vou só no comportamento. Na verdade, qual o comportamento que tenho que desenvolver? Aquele que é necessário para a estratégia da empresa, então primeiro, ajudo a empresa a definir seu planejamento estratégico, o que que ele precisa alcançar, qual é o resultado, depois quais são as competências que preciso ter na minha empresa. Isto é necessário para o que está acontecendo hoje? As pessoas estão com uma enxurrada de competências que o líder deve ter, e ele não tem que ter tudo isso. A pessoa que está indo para uma carreira, ela não tem que ter tudo. Se você prestar atenção, todas as vezes que você vê um case sobre liderança, em que alguém conta o seguinte contexto, precisei fazer assim e atuei dessa forma, estou te contando isso, tive que ter resiliência por causa disso, então resiliência foi importante. E aí acaba que aquilo fica parecendo uma regra. E aí todo mundo tem resiliência. Não, tem resiliência aquele para quem a resiliência é importante para essa estratégia. Por isso que não consigo ver um líder, quando as pessoas vêm para mim, ele tem que desenvolver isso. Falo, para alcançar o quê? A estratégia foi definida antes para você ver quais qualidades são necessárias para atingir aquilo? Exatamente, a estratégia com mensuração, porque gosto de dizer sempre o seguinte, busque primeiro o resultado. Qual é o resultado? Depois, defina a estratégia, depois defina a liderança. Hoje, é comum ver algumas competências até antagônicas. Se você der um foco só para a pessoa e não dois, ela desenvolve mais rapidamente.
Em 1995, você funda a CONTARH voltada a RH, e em 2006 cria a EXPLAIN CONSULTORIA com foco organizacional. Quais foram os maiores desafios enfrentados por você como empreendedora?
Fundei a minha primeira empresa em 95, a CONTARH consultoria. Onde comecei como empreendedora, criar sociedade foi meu primeiro e maior desafio, porque eu estava com sócias, então duas amigas e nós montamos a consultoria. O meu maior desafio era entender como conduzir minha empresa, principalmente a parte societária, a estrutura de divisão de lucros, como é isso? Fiz uma transição de carreira muito boa, fiz esse curso que te contei, terminei em 94 e fui convidada a fazer parte de um programa do SEBRAE, programa Sebrae de Qualidade Total. Trabalhava 44 horas semanais e à noite, horário de almoço, e sábado dava consultoria, e treinamento, 94 foi o ano mais intenso da minha vida. Em 1995, fiz a transição de CLT para abrir a CONTARH, onde fiquei por 10 anos com a consultoria, treinamento e assessoria de recursos humanos. Fui para a qualidade, minhas sócias eram mais para o RH, fui atuar com liderança e qualidade, fui estudar ISO 9001. Quando comecei a pegar projetos, muitas empresas não queriam me contratar por causa do nome da minha empresa CONTARH com o RH no final. Então, ocorreu uma virada de estratégia, uma mudança de foco do RH para um foco mais organizacional estratégico, e por isto criei a EXPLAIN, cujo nome significa Excelência em Planejamento e Inovação, e sua tradução do inglês como explicar!
Como a autoria do livro “Aprendendo a Jogar” influenciou sua abordagem nos treinamentos e palestras? Você poderia descrever os principais pontos do livro?
O livro que escrevi em parceria com a minha sócia na época, Carla Limongi na CONTARH, tem o propósito de ajudar as pessoas trabalhando em treinamento a terem tipos de dinâmicas que podem ser utilizadas em palestras, treinamentos, workshops e seleção. O livro tem três partes, a primeira é aquecendo o corpo e preparando a mente que são dinâmicas de início. No meio, colocamos dinâmica de desenvolvimento de contexto e no final dinâmicas de encerramento. Montamos o livro na forma de aplicação, e no início fazemos uma abordagem de como usar o jogo, porque o que acontece, boa parte das pessoas usam dinâmicas como uma brincadeira, e já começamos dizendo no livro “brincar é coisa séria”, “jogar é coisa séria”. Então, se você inclusive não souber escolher a dinâmica de acordo com o contexto e o tema, vou te dar um exemplo que é muito feito, você lembra no BEC (Business & Executive Coaching- que foi o curso onde tive Magda como trainer), usava muito vitalizador. Nunca fazia um vitalizador por fazer, ele era ligado ao próximo tema, que eu ia trabalhar ou ao tema que eu trabalhei logo anterior. Então, eu não falava simplesmente: Ah! vamos dar uma “levantadinha” agora. Não tem levantadinha! Sabe por que você tem que levantar? Porque a sua energia é importante para o trabalho nesse momento, e você diz isso antes para preparar a mente daquele indivíduo. Sabe o porquê vai fazer aquilo, antes de fazer, e depois tem o debriefing, porque inclusive no livro eu coloco como trabalhar, coloco exatamente o que você tem que fazer, que você tem que unir o lado esquerdo e o direito do cérebro. Então, tenho que fazer a vivência primeiro, depois tenho que trazer a vivência para como ele reagiu, depois trazer para prática, tem que se aprender, faço o gancho do vivencial para a prática. O que você aprendeu sobre você com isso? E depois a ação, se não, não adianta. Isso é o propósito do livro.
Além da formação em psicologia, e mestrado em qualidade, você tem certificação em coaching. Até que ponto o coaching acrescentou ao seu portfólio de atribuições e ampliou seu escopo de atuação?
Digo o seguinte, o coaching foi a segunda grande virada na minha vida. A primeira virada de carreira foi a qualidade, a segunda foi o coaching, pois com ele consegui unir os pontos. Você conhece um texto que usamos de carreira, quando trabalho muitas vezes com os meus coachees, a história da Fátima- a fiandeira, onde ela passou por várias coisas na vida, em um certo momento, ela une tudo isso. Então, o coaching fez comigo exatamente o que a Fátima fez com a vida dela. Eu trabalhava com qualidade, com processos, com liderança, com equipes, e aí quando veio o coaching, ele uniu tudo isso para eu ajudar um líder. Por que fui para a área de Coaching executivo? Devido à minha vivência em gestão, em estratégia, consigo abordar a pessoa de uma maneira mais assertiva, com segurança, falando para ele sobre a gestão do negócio dele, trabalhando indicadores, e assim me tornei mentora e consultora. Assim, o coaching “amarrou tudo isso” por meio de técnicas. Como entrei no mundo do coaching é algo interessante. Recebi de uma amiga do grupo Eternit, gerente de RH, um pedido que eles estavam precisando de um coach para um executivo. Como eu não tinha formação, indiquei uma amiga. Depois de uma semana, a gerente me ligou de novo, pois a pessoa que tinha indicado, não retornava as ligações. Então, perguntei a ela qual era o problema do líder, quando ela me relatou, com base na minha experiência de 15 anos atuando como consultora de executivos, falei, vamos fazer o seguinte, deixa eu ter uma primeira conversa com ele. Só que aí comecei a minha formação pela Sociedade Brasileira de Coaching, fiz o primeiro módulo em um final de semana e com a experiência que já tinha foi suficiente para eu começar a montar o atendimento dele. Fiz o atendimento dele depois desse primeiro módulo, depois fiz toda a formação. Assim, o coaching foi um descortinar, a hora que vi a estrutura do coaching me deu uma maior assertividade, por isso que falo que ele uniu todos os pontos.
Recentemente, tem havido uma grande ênfase na aplicação da tecnologia nas organizações, notadamente a Inteligência Artificial. Qual é sua opinião sobre isto? E como você avalia o impacto destas tecnologias na área de RH?
Olha, sou suspeita porque eu sou apaixonada por tecnologia. Tudo que você falar de tecnologia nova uso, a hora que fala ChatGPT, estou usando muito. Uso e trabalho o que eu preciso e é fantástico. Considero que a tecnologia é um grande apoio se soubermos utilizar com inteligência, você potencializa o que faz, nós não podemos é bloquear. Portanto, considero que a tecnologia seja algo extremamente útil, que acho vai evoluir bastante, mas acho que tem muitas pessoas que ficam se segurando, não dá para segurar mais, temos que trazer a nosso favor.
Quais sugestões você daria para alguém que começa hoje sua atuação na área de RH?
A primeira coisa que recomendo é: faça uma visão de onde você quer chegar num prazo específico. Então, defina, por exemplo, daqui a 3 anos onde eu quero estar dentro do RH, e preferencialmente procure permear por todas as áreas de RH, inclusive a área de pessoal, porque o conhecimento que você vai adquirir te ajudará na frente a tomar melhores decisões, então se a carreira sua é voltada para o RH, procure conhecer os subsistemas do RH o máximo que puder, aquele que é a visão primeiro horizontal. Em algumas ocasiões, você entra numa empresa muito grande, já é segmentado, você só faz aquela atividade, acaba conhecendo pouco, então se você não entra numa empresa menor, onde você tem que fazer todas essas atividades, depois você pode escolher qual deles mais gostou, se identificou mais, você teve o conhecimento inicial. A partir daí, você vai afunilando e fazendo a sua carreira. O que vejo hoje são pessoas que fizeram um tecnólogo de gestão de recursos humanos com visão muito superficial das coisas, e já assume uma área de RH. Então, precisa vir passo a passo, vejo que na carreira hoje, essa geração inclusive, quer correr muito rápido, quer logo já virar gerente de RH. Tudo tem a sua maturidade, tudo tem a sua experiência. Hoje, com base na experiência, tenho tranquilidade em conversar com qualquer nível e falar com qualquer tipo de pessoa, mas isso foi devido a essa experiência e a permitir experimentar, que a sua meta não seja somente ganhar dinheiro, seja uma meta de conhecer, isto é um ponto importante.
Qual seria sua mensagem final para esta entrevista?
O que eu sempre gosto de dizer como maior dica é o seguinte: falo que o meu grande propósito hoje é fazer as pessoas e os líderes serem felizes, mostrar para as pessoas que é possível ser feliz no seu trabalho. Geralmente, as pessoas colocam, que bom que estou de férias. Busco que as pessoas também sintam, que bom que tenho meu trabalho, porque isto é a oportunidade de realização e se não está assim, repense, mude. E mude primeiro você, a primeira liderança é a autoliderança, é só entender que está na sua mão.
Lições de carreira
Conheci Magda de Paula durante meu segundo curso de coaching (BEC-Business Executive Coaching), em 2014, e pude perceber sua grande capacidade de trabalhar com equipes. Esta entrevista é uma ótima oportunidade para aprender com sua vasta experiência em liderança, estratégia e gestão. Sua jornada de carreira é inspiradora e nos mostra que, com perseverança e foco, podemos alcançar nossos objetivos profissionais. Fica evidente como a curiosidade e vontade em aprender se tornaram pilares de sua história.
Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!
Abraço, Jonny
