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Coluna Carreira | Como conciliar carreira e maternidade?
16 de Janeiro de 2023

Coluna Carreira | Como conciliar carreira e maternidade?

Uma conversa relevante com Susana Sevidvash Zaman, consultora no tema.

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Por Prof Jonny 16 de Janeiro de 2023 | Atualizado 16 de Janeiro de 2023

Susana Sevidvash Zaman tem mestrado pela UFRGS na temática da Equidade de Gênero, co-Fundadora da consultoria Maternidade nas Empresas e mãe da Laura e Nabil. Sua trajetória tem passagem por empresas como Accenture, Sicredi, FGV, Grupo RBS, entre outras. Ela é formada em Engenheira de Produção pela UFRGS e tem MBA em Gestão Estratégica de Pessoas pela FGV, consolidou a sua carreira em desenvolvimento humano e de negócios, conduzindo processos de mudança organizacional.

Segundo pesquisa da FGV, após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade está fora do mercado de trabalho. Com a crescente presença da mulher no mercado de trabalho, torna-se fundamental, tanto para as empresas como para a sociedade em geral, entender as várias dimensões desta questão. Nesta ampla conversa, Susana aborda vários aspectos deste tema, e traz reflexões sobre sua própria carreira, como ela buscou se aprofundar no tema e influenciar como consultora o setor corporativo.

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Agradeço muito por sua disposição em contribuir com nossa coluna sobre carreira. Sabemos que em muito nossas trajetórias são influenciadas diretamente pelas decisões. Considero sua trajetória como foi o início de sua carreira, transitando da formação em engenharia para área mais gerencial?

Excelente pergunta para começar. Só conseguimos fazer esta reflexão da trajetória olhando para trás, nem sempre os pontos que eu vou te trazer eram conscientes como hoje, olho com esta consciência. Na verdade sempre fui uma pessoa desde muito jovem uma liderança. Fui diversas vezes líder de turma na escola, presidente do grêmio estudantil e uma pessoa que nos e sempre fui líder em todos os sentidos. Então nesse sentido, sempre soube que a minha vocação tinha a ver com alguma coisa de negócios e gestão nesta área. Mas, o fato de eu ter um pai acadêmico, ele é engenheiro, com PhD na área, e na visão dele, administrador era como se fosse era um curso que era fácil demais, teria que ser algo mais era desafiador. Engraçado, hoje olho para trás, e vejo quanto a criança quer atender as expectativas dos pais, e fui para a área da engenharia. Minha sorte foi que ao partcipar do Programa da Junior Achievement descobri que existia a Engenharia de Produção. Fiz o vestibular da UFRGS e passei. Desde o terceiro semestre da faculdade fiz estágios na área. Meus estágios eram em fábrica, processos produtivos, tempos e movimentos, bem na área da engenharia. Considero-me aprendiz, isso eu dou muitos créditos aos meus pais e também ao fato de ter crescido sob os principios da Fé Bahá’i, que coloca a educação em primeiro lugar. Apesar de gostar da experiência no ambiente produtivo, eu sempre tive uma vontade de trabalhar com consultoria / gestão de negócios. Foi no oitavo semestre do curso de engenharia que me deparei com um cartaz, anunciando vaga para estágio para Accenture, Empresa de consultoria global. Me candidatei, fui fazer entrevista. Na ocasião eles estavam anunciando quatro vagas de estágio, três para processos, e uma para change management, gestão da mudança. Achei incrível aquele termo, gestão da mudança, não sabia nada sobre isto. Tinha meus 20 anos de idade não sabia o que era gestão da mudança, nunca tinha ouvido falar, mas também não queria perder oportunidade que tinha mais vagas de processo, tinha experiência em processos, mas pela minha forma de comunicação e das entrevistas como foi se conduzindo, eu devolvi para liderança do processo a responsabilidade de escolher o que é melhor para mim, e não eu quis tomar decisão, falei vocês me conheceram, sabem se meu perfil se encaixa mais. Felizmente meu perfil se encaixou na gestão da mudança. Foi assim que comecei a trabalhar com processos de transformação organizacional com foco em comunicação, treinamento, ajudar as pessoas a uma grande transformação. Veja só como a vida sempre trabalha para nos colocar na nossa essência. Comecei minha carreira em engenharia, mas já voltei para onde a minha essência me levava que era a área mais de humanas e de transformação. Foram cinco anos trabalhando como consultora na Accenture. Eu já era casada na época. Participei de vários projetos em empresas de grande porte em diversas cidades como São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Piracicaba. Foi uma experiência, uma bagagem absurda. Foi realmente um início fundamental.

 

Entre suas atuações, está presente há algum tempo o empreendedorismo feminino. Pode nos contar um pouco sobre isto? Até que ponto isto influenciou nas outras ações de sua carreira?

Depois de cinco anos, decidi voltar para Porto Alegre, este ritmo estava muito intenso para mim, perdia muitos momentos em família, voltei para Porto Alegre, e fui indicada para trabalhar no Sicredi, como RH. Cuidei de processos de gestão de carreiras, sucessão, como especialista de RH dentro do Banco Cooperativo Sicredi. E de lá, fui para o grupo RBS, também aqui no Rio Grande do Sul, trabalhando como business partner, consultora de RH interno, cuidei da transformação digital da RBS, da redação da Zero Hora, que vivenciou a transformação do offline para o online, da nova marca, cuidando sempre de times, formação de times e gestão de pessoas. Nesse meio do caminho, sempre quis ser mãe. Maternidade para mim sempre foi um tema importante, mas eu mesma vive um desafio, qual que seria o momento certo de ser mãe Tinha colocado na minha cabeça que até os 30 anos eu queria ser mãe, como engenheira, cheia de planos e projetos eu coloco metas para mim. Só que eu pensava que não tinha como ser mãe naquele ritmo, então pensava que eu deveria ir para outra carreira, talvez ser professora, buscando maior flexibilidade. E aí, Baha´u´llah me dá a oportunidade em 2013, tinha concluído um MBA pela FGV, em gestão estratégica de pessoas. Estava na RBS, e recebi um telefonema de uma ex-professora da FGV, mencionando que estavam formando um curso para Novo de analistas de RH e me convidando para compor a equipe de professores. Para mim, aquilo foi uma confirmação de que podia ser mãe, e que meus caminhos iriam se abrir Comecei a dar aula na Berrini, em São Paulo. Para quem é de Porto Alegre, alguém de “fora do eixo” Rio-São Paulo, foi um super convite. Comecei a dar aula, e na minha última turma, estava grávida de 8 meses. Em outubro 2014 nasce minha primeira filha, a Laura. Durante toda a gestação e na licença ficava pensando como sobre como iria conciliar a maternidade com a carreira. Sempre tive a consciência de que a maternidade tem um papel muito importante, pois a mãe é a primeira educadora de filhos e filhas. Além disso, vários desafios dos adultos vêm de uma primeira infância não bem conduzida. Ciente disso, tomei a decisão que eu queria ficar mais tempo com a minha filha, e por isso decidi pedir demissão do mundo corporativo e empreender para ter este maior tempo com ela. Doce ilusão de quem nunca tinha empreendido, que empreender ia me dar mais tempo. Na verdade, empreender me deu muito menos tempo, porque comecei a me conectar com o trabalho todos os dias, finais de semana e à noite. Foi durante a licença maternidade da Laura, criei um projeto, uma empresa chamada Nutrimãe, que era o primeiro clube de assinatura voltado a descomplicar os cuidados com a alimentação saudável de mães gestantes. Nesta mesma época, participei como voluntária do projeto do Jogo de Damas que tinha como objetivo fortalecer o empreendedorismo feminino. E foi durante este período, comecei a enxergar o mundo pela lente de gênero. Antes de me tornar mãe, eu tinha a ilusão, de que não existia a diferença entre homens e mulheres, socialmente falando. Apesar da minha turma da faculdade ter apenas 6 mulheres, eu achava que essa era assim porque as outras mulheres não queriam estar lá. E no início da carreira, mesmo sendo a única mulher em vários projetos, eu achava que era só a gente querer, e que não tinham mais mulheres que elas não queriam. Tenho até que admitir que sentia um certo “orgulho” de ser muitas vezes a única. Hoje percebo que a forma que eu pensava era uma falta de consciência sobre as desigualdades que a gente enfrenta e certo machismo da minha parte. E não enxergava isto até a maternidade chegar na minha vida. Por que? Porque a maternidade atravessa a gente de um jeito que lhe tira daquela trajetória profissional, e me puxou. Antes eu tinha um salário super alto, uma coisa super legal, já tinha carro da empresa, todo status que o mundo corporativo, o que dizem que você tem sucesso, que você chegou lá, eu tinha todos os reconhecimentos. Mas quando vem me tornei mãe não tinha mais nada disto. Pela escolha de estar próxima de minha filha nem pagar minhas contas eu conseguia mais. Tenho a sorte de ter um marido que muito me apoia e a gente tem condições de viver sem a minha remuneração, mas isso impacta emocionalmente a mim, pelo menos, enquanto uma mulher que valoriza trabalho muito.

 

Pelo que entendi, foi nesta época que você cria a startup NUTRIMAE, com a missão de valorizar a maternidade. Como foi esta iniciativa de empreender?

Sim, nesta época, criei a Nutrimãe, como um clube de assinaturas para as mulheres grávidas, com propósito de nutrir a mãe, corpo, mente e alma. Sabia a importância das decisões durante a gravidez, sempre tive esta consciência, e nutricionalmente me interessei muito pelo assunto. O clube chegou a ter 100 assinaturas mensais, foi algo bom, só que para meu objetivo profissional, não foi o esperado, acabou sendo muito aquém do que imaginei, de fato o business plan era para 1500 assinantes. E foi nesse cenário, fiquei grávida do Nabil, meu segundo filho, e me vi numa situação não esperada, operando um clube que não estava dando retorno financeiro para mim e era um trabalho estava grávida carregando caixa. Isto era 2016, neste mesmo ano, a FGV lança uma pesquisa, que aponta que até 48% das mulheres interrompem suas carreiras após licença maternidade. E isto me inspirou para atuar nesta questão, pois notei que a maioria das empresas não valoriza a maternidade, o trabalho de formação de um filho ou filha. As empresas não reconhecem que ao fazer isto, desenvolvemos habilidades que podem ser levadas para carreira e quando nos desenvolvemos como seres humanos, levamos isto para nosso dia-a-dia. Neste ponto, pensei posso mudar os ambientes corporativos, trabalhei com gestão da mudança e cultura organizacional, por que não posso vender isto em que tanto acredito? Foi assim que surge a vontade e a ideia de começar a trabalhar o tema da maternidade no universo corporativo.

 

Justamente neste ponto, se encaixa minha próxima pergunta. Em 2018, você cria, em sociedade com Luciana Cattony, o Programa Maternidade nas Empresas. Em seu perfil, existe uma frase muito inspiradora que diz “Em um mundo regido pelo valor humano, feito por ambientes acolhedores, de respeito e líderes mais empáticos, não faz mais sentido ter que escolher entre carreira e filhos”. Como foi o processo de criação deste empreendimento?

Então, a Maternidade nas Empresas surge em 2017, inicialmente como uma iniciativa ligando a NutriMãe e RealMaternidade, projeto idealizado pela Luciana para levar leveza e e alegria para as mães e as famílias. Eu e Luciana nos conhecemos no mundo do empreendedorismo materno e nos identificamos muito uma com a outra, porque nós duas viemos do mundo corporativo. Luciana é publicitária trabalhou em empresas grandes, entre elas W3Haus e Gerdau. E percebemos como a maternidade impactou as nossas carreiras. Inclusive, quando criei a NutriMãe, entreguei meu press kit para Luciana, que devido ao RealMaternidade já tinha cerca de 200 mil seguidores no Facebook, em 2014. E ela, quando viu a NutriMãe, ela foi muito generosa, me chamou para tomar um café e me passou vários inputs sobre publicidade a respeito do press kit. Nesse ano, a Luciana participa de uma pesquisa internacional que investiga relação entre maternidade e carreira, essa pesquisa foi conduzida pela Matina Moreira que morava em Los Angeles. E o resultado dessa pesquisa mostrou que a maternidade desenvolve habilidades que podem ser levadas para a vida profissional, fazendo de pais e mães pessoas ainda melhores. Costumamos dizer que “Quando nasce uma mãe, nasce uma líder”. E com base nisto, Luciana e eu criamos nosso o primeiro produto em parceria, chamado “Maternidade, obstáculo ou impulso de carreira?” Que realizamos para as empresas Yara Brasil e Gerdau, e assim começamos como projeto piloto. No ano seguinte, em 2018, decido fechar a Nutrimãe e me dedicar ao trabalho no universo corporativo criando a nossa consultoria Maternidade nas Empresas. Em 2019, tanto eu quanto Luciana, decidimos entrar no mestrado pois entendíamos que era necessário mais do que nossas histórias pessoas e interesses, queríamos buscar profundidade e embasamento teórico sobre esta questão.
Entrei no mestrado na UFRGS tendo como foco de pesquisa a promoção da equidade de gênero no mundo corporativo. O meu tema de mestrado foi sobre flexibilidade. Busquei investigar o quanto a flexibilidade contribui ou não para equidade de gênero, tendo a pesquisa o título “Os impactos dos arranjos de trabalho flexível para equidade de gênero no ambiente corporativo”. Já a Luciana fez na UNISINOS no Design Estratégico com foco na investigação dos dilmes da maternidade e carreira. Inclusive, a pesquisa de Luciana resultou na metodologia que usamos hoje para trabalhar os programas de parentalidade, como o exemplo do programa implementado na Suzano.

 

O que você destaca como diferencial da Consultoria Maternidade nas Empresas? Você poderia destacar para nosso leitor alguns cases de sucesso deste programa?

Desde 2017, atuamos nas empresas para fortalecer a equidade de gênero pela valorização da parentalidade no universo corporativo. Para aumentar a representatividade feminina, em especial nos cargos de liderança, é preciso criar políticas efetivas de apoio às mães. Segundo uma pesquisa sobre licença-maternidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mães ficam desempregadas no primeiro ano após o parto. Pelo acolhimento de mães, pais e figuras parentais no universo corporativo, aumentamos o engajamento e a produtividade, contribuímos para criação de um ambiente psicologicamente seguro, em que todas as pessoas se sintam pertencentes, o que favorece a inovação. Contribuímos para um olhar mais humanizado da liderança, aumentando a percepção de bem-estar da sua comunidade (interna e externa), contribuindo para uma sociedade mais justa, ética e sustentável. Oferecemos soluções padrão e também customizadas para cada cliente, com domínio de metodologias e ferramentas, pesquisa constante e uma boa dose de cuidado e criatividade.

Excelente explicação, e quais valores e princípios nortearam a criar esta consultoria?

O primeiro princípio é Equidade de Genêro, a busca de criar uma cultura que reconheça que todos somos essencialmente iguais, e deveriamos ter direitos e oportunidades iguais. Isto vai além, tem relação com a unidade na diversidade, o que implica em reconhecer que somos diferentes e que esta diferença que valoriza, que traz valor e riqueza. Podemos ver diversidade em vários aspectos, por exemplo, na alimentação. Para uma pessoa ter uma vida saudável ela tem que se alimentar de cinco cores no prato. É a diversidade dos alimentos, dos nutrientes, não é um nutriente que é mais importante que o outro, inclusive é possível até gerar doenças por consumir apenas um único nutriente. Então, a diversidade está na base da nossa vida. E quando olhamos para nossas organizações, elas também têm que representar a diversidade na sociedade. Infelizmente no mundo e no Brasil, as nossas organizações não têm a diversidade, elas estão majoritariamente consumindo um único padrão, que é homem branco, de meia idade em posição de liderança. E graças a Deus, as pesquisas científicas demonstram que quanto mais diversidade, mais inovação. É a diversidade que promove a inovação, é a diversidade que sucesso nos negócios. E no mundo cada vez mais mutável, é possível ter esta diversidade de olhares para saber como conduzir. As melhores empresas que conseguiram “vencer a pandemia”, foram as que tinham este know-how interno, esta capacidade de olhar pela perspectiva de vários pontos de vista. E especificamente pelo olhar de genêro, isto também precisa acontecer, e aí quando a gente vê o que faz, o que nos impede de conseguir isto, vem a questão da maternidade, no sentido da formação da humanidade. Muito se fala que o futuro das nossas gerações está nas crianças, sim, mas o que eu estou fazendo por este futuro? O quanto eu crio as condições para que estas crianças e jovens sejam os adultos saudáveis para a sociedade? E sobre este papel, acho muito bonito o que ocorre em alguns países, como a Noruega, onde se reconhece que filhos e filhas são projetos sociais. Infelizmente, em vários outros países e incluo o Brasil, parece que filhos e filhas são “problemas dos pais”.Os países com mais altos índices de felicidade são os países que reconhecem que as crianças são o futuro daquela nação, e destinam programas para que estas crianças tenham condições de crescer saudavelmente, e a melhor coisa para uma criança crescer saudavelmente é a relação com seu núcleo de família. Então, dar condições para que pais e mães possam educar seus filhos, sem as pressões, pois os dilemas não são uniformes. Por exemplo, o dilema que eu vivencio sobre maternidade e carreira, foi um dilema privilegiado, e reconheço isto, mas muitas mães negras saem para trabalhar, deixando seus filhos com uma vizinha porque elas precisam trazer comida para casa. É importante lembrar que quatro em cada dez famílias no Brasil, são famílias de “mães solos”. Nosso país, tem 5,5 milhões de crianças sem o nome dos pais, quando um homem diz agora vou ser pai, ele recebe um aumento de salário porque ele tem mais uma boca para sustentar. E quando a mulher diz na empresa que ela vai ter filho, o que acontece? Ela é demitida, ela vai faltar ao trabalho, o tratamento não é igual para a mesma situação. Veja a situação do executivo, se ele tem uma fotografia dos seus filhos na mesa do trabalho, é visto como um cara de sucesso, ele é visto como um executivo de carreira tem uma família, as vezes tem só a foto ali. Agora uma mulher que está no alto cargo executivo, se ela tem uma foto com filhos, muitos pensam que ela deve ter terceirizado a criação dos filhos, e deve ser uma péssima mãe. Em resumo, os valores são equidade de genêro, unidade da humanidade e valorização da maternidade.

 

Quais sugestões você daria às mulheres, e aos casais em geral, que estão no momento de reflexão entre ter filhos e conduzir uma carreira profissional com excelência?

Primeiramente, faria o questionamento, uma reflexão sobre a minha real disposição em ser pai e mãe. A maternidade não é uma escolha para todos, acho que isto precisa ser bem claro. Porque não necessariamente é sendo pai e mãe que vamos ser realizados. Algumas pessoas que têm esta crença que a mulher só se realiza sendo mãe, acabam tendo uma vivência bem dolorida, então realmente desejo que cada vez mais isto seja uma escolha de disposição emocional para se doar a outro ser humano. Inclusive, descontruir essas crenças sobre maternidade e carreira foi tema do nosso mais recente ebook “Maternidade e Carreira: combatendo os ruídos” que propõe uma reflexão sobre frases que nos acostumamos a ouvir porque sempre foram consideradas “verdades” – e agir para transformar as narrativas e por que não o futuro?
Agora, para aqueles que desejam e têm esta disposição emocional, asseguro que a maternidade e parentalidade desenvolvem habilidades e nos permitem olhar o mundo numa perspectiva que é muito inspiradora. No último dia das mães, convidamos algumas mulheres especiais que a vida nos apresentou para espalhar a maternidade como potência. Fico emocionada, feliz, grata e tocada pelas vozes potentes e pela mensagem que este vídeo apresenta.

 

Quais dicas você daria aos jovens, especialmente mulheres, que consideram empreender?

Que possamos mudar a nossa cultura reconhecendo a maternidade como potência. Com mais amor, compaixão, autoconhecimento, autoperdão, menos cobranças e julgamentos. Que possamos simplesmente SER! Que possamos, por nossas ações cotidianas deixar um mundo mais humano, com mais equidade e justiça para nossos filhos e filhas. Todas as pessoas são agentes de transformação Então, acredito e trabalho para que esta escolha não precise ser uma dualidade, estas opções são complementares, estas dicotomias são falsas dicotomias, como tantas outras falsas dicotomias que temos. Precisamos entender que isto não é assim, mas é preciso disposição emocional, em primeiro lugar, e escolheria estar cada vez mais buscando, dentro das condições que cada um tem, espaços em que isto é reconhecido como valor, não aceitaria trabalhar em um espaço onde não tenho direito de ser o que para mim é importante, faz com que a gente se transforme.

 

Uma última reflexão, quais dicas você daria aos jovens, especialmente mulheres, que consideram empreender?

Vou dar a uma dica que até pode soar clichê, mas acho bem importante: escolha empreender em algo que se some ao seu propósito, porque empreender é algo muito desafiador. Coloquem amor no que vocês fazem, porque os desafios em empreender são imensos, mas quando temos a convergência com o propósito, passamos a ver os desafios como “degraus na evolução”, e não como tropeços. Ah, e sempre, sempre busquem Conhecimento. Conhecimento é riqueza! Leiam sobre o assunto nas diferentes perspectivas. Vejam o que está acontecendo, dentro e fora do país. Sejam antenados, pois não tem como empreender sem conhecimento. E acima de tudo, acredite em seus projetos.

 

Lições de carreira

As questões trazidas por Susana Zaman mostram como alinhar seu maior propósito, valores e princípios com carreira profissional, buscando empreender sobre um tema fundamental para sociedade, diretamente relacionado à valozização da mulher. Neste contexto, cabe a reflexão: “Só quando as mulheres forem bem recebidas em todos os campos de atividade humana, em condições de igualdade, é que se criará o clima moral e psicológico do qual poderá emergir a paz internacional”.

Para se atingir esta condição é essencial entender a complexidade da questão da maternidade das empresas, o que se tornou a razão principal da trajetória de Susana. Que as lições compartilhadas por esta jovem empreendedora possam contribuir para sua carreira profissional.

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo!

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