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Coluna Ana Lavratti: Por menos “porquês” e mais “tô aqui”
02 de Outubro de 2018

Coluna Ana Lavratti: Por menos “porquês” e mais “tô aqui”

Por Ana Lavratti 02 de Outubro de 2018 | Atualizado 02 de Outubro de 2018

 

Se o meu coração fosse um contêiner, ainda assim seria pequeno pra abrigar todo o carinho que recebi, o calor que exala do olhar iluminado, do abraço apertado, do vínculo criado quando o caminho do amor é ladrilhado de dor.

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Ontem foi assim. Convidada para a palestra de abertura do #OutubroRosa 2018 em Florianópolis, com o auditório da OAB praticamente lotado em plena tarde de segunda-feira, tive diante de mim uma centena de corações abertos – quiçá arrombados pelo sofrimento – mas deliberadamente abertos para saber o que eu sinto e sorver o que eu penso.

Diante de tantos voluntários, pacientes, cuidadores e amigos, eu contei a minha história, mas acima de tudo o que aprendi com cada vitória.

A dar #UmPassoPorVez #SemprePraFrente, concentrada apenas no degrau seguinte, na escalada arbitrária, por vezes temerária, chamada vida.

Com menos porquês e mais “tô aqui”, absorvendo o melhor do momento presente. Depositando mais versos na adversidade. Sem questionar o revés. Vencendo um golpe por vez.

E sem, contudo, deixar de sonhar. Alforriada feito fada. Tirando as asas de dentro do roupão. Reverente a Deus sem me abster do condão, daquilo que eu tenho ao alcance da mão.

 

A vida flui feito ondas, ora abundante ora minguante.

E depois de tanto tempo mendigando milagres, ontem provei o extremo da generosidade:

a ternura que transborda quando um coração calejado encontra um quinhão de conforto.

Que privilégio, Deus meu, saber que vão levar pra casa uma lasca do aprendizado que a doença me deu.

O conselho pra não se exaurir com a dor do outro. Pelo contrário. Pra buscar meios de se nutrir, abastecer e aí sim voltar a cuidar. Acordar e pensar onde eu vou garimpar #UmaAlegriaPorDia.

Porque ter energia muda o rumo. Como um sorriso muda o mundo. Como toda reação é só resposta à minha ação.

Por fim, o que a doença ensinou pra mim? Que talvez o outro tenha um problema próprio. Talvez seus medos e angústias ergam uma barricada onde eu previa andar de mãos dadas. Por isso não, nunca, deposito nos outros a minha expectativa. Evitando a indisposição, a sensação de frustração pela falta de atenção. Mantendo o foco no meu poder, no que eu posso fazer.

 

 

É muito difícil contar aqui o que eu vivi. Traduzir em poucas linhas uma hora de comunhão. Corações sintonizados na mesma emoção. Mas quero dizer que vida é uma dádiva. Imprevisível mas possível. E não precisa mudar nem um triz pra gente ser feliz.

 

Na Galeria de Fotos tem as imagens da abertura do #OutubroRosa, no dia 1º de outubro em Florianópolis, o artigo que assino, publicado ontem pelo jornal Diário Catarinense, e o convite que dirijo a todos vocês: para a próxima palestra #DádivaDaVida, no dia 29 de outubro, no Cool2Work.

 

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