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A importância dos eventos para o debate dos temas que impactam a sociedade
15 de Maio de 2024

A importância dos eventos para o debate dos temas que impactam a sociedade

Conferências como a ECO-92, organizada no Rio de Janeiro, consolidaram ações voltadas à proteção do meio ambiente em escala mundial.

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Por Alisson Barcelos 15 de Maio de 2024 | Atualizado 15 de Maio de 2024

 

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O Rio Grande do Sul vive a pior tragédia climática de sua história. Com um volume de chuvas muito além do previsto, mais de 80% dos municípios gaúchos foram impactados de maneira efetiva com o acúmulo da água. Os resgates de pessoas ilhadas nos tetos de suas casas e a rede humanitária que se criou em benefício das vítimas da catástrofe podem ser considerados consequências de algo que teve início muito antes.

Ainda que as chuvas, de fato, tenham apresentado índices históricos, a falta de planejamento em nível nacional e ocupações irregulares de espaços que deveriam ser preservados contribuíram para agravar ainda mais a situação que comove os brasileiros.

Mas, qual é a relação da tragédia rio-grandense com o setor de eventos? Entre os diversos objetivos de um evento, especialmente aqueles voltados ao segmento acadêmico e corporativo, está a democratização e a ampliação do conhecimento. Em outras palavras: conferências, simpósios, convenções e congressos são ferramentas absolutamente estratégicas para abordar e colocar no protagonismo dos debates os assuntos e pautas que impactam a sociedade.

No Brasil, uma das ações de maior relevância nesse sentido foi a ECO-92, evento que ficou conhecido como a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento e foi realizada entre os dias 3 e 14 de julho de 1992 na cidade do Rio de Janeiro.  Chamada também de “Cúpula da Terra”, o evento reuniu representantes de 179 países além de diversas instituições não governamentais tendo como tema central a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Outro aspecto pelo qual a ECO-92 se destacou e que deve ser lembrado como uma referência para eventos com essa proposta foi a intensa participação popular nos debates e troca de informação. Ao compreender que a população é peça chave no desenvolvimento das cidades, foi possível estabelecer políticas e propostas abrangentes que atendessem os anseios e interesses dos mais diversos núcleos sociais.

A convenção ambiental do Rio de Janeiro é, até hoje, considerada um importante marco nas discussões sobre a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Temas que até então não recebiam a atenção merecida como as mudanças climáticas e o desenvolvimento de uma justiça socioambiental passaram ser reconhecidos em diferentes fóruns.

No que tange o setor de eventos, a ECO-92 não foi algo isolado, muito pelo contrário, já que edições posteriores foram realizadas para ampliar os debates sobre o tema. Entre agosto e setembro de 2002 aconteceu a Rio+10 em Joanesburgo, capital da África do Sul. E, em 2012, a capital fluminense sediou a Rio+20, celebrando duas décadas do evento original.

Eventos distintos para objetivos diferentes

O setor de eventos destaca-se por sua multiplicidade e diversidade.  Isso significa que não importa qual seja o objetivo ou a proposta de uma ação, com certeza, haverá um formato ou uma modalidade de evento que atenda a demanda dos realizadores e as expectativas dos participantes.

Quando a ideia é criar algo voltado à democratização do conhecimento, a troca de experiências, ao intercâmbio de informações, ao fechamento de parcerias e, principalmente, à geração de experiências que podem agregar valor real à vida das pessoas, existe uma ampla variedade de propostas que podem ser realizadas. Confira os formatos principais abaixo.

Seminários: entre as principais características de um seminário está o desenvolvimento de uma sequência específica de atividades que tem como público principal os profissionais de um determinado segmento. A ideia é potencializar novas capacidades e habilidades.

Workshops: com uma modelagem de negócios que se assemelha a um curso ou uma capacitação, o workshop é uma exposição de um tema para, em seguida, o desenvolvido de práticas que fortaleçam os conhecimentos apresentados.

Congressos: normalmente se caracterizando como eventos de grande porte, os congressos tendem a acontecer em um período de tempo maior. Abordar determinados temas, comunicar realizações e novidade e apresentar propostas são alguns dos objetivos principais.

Convenções: amplamente valorizadas pelos profissionais, as convenções possuem na participação das pessoas e no engajamento das equipes uma de suas marcas registradas. É um evento muito realizado por empresas de todo o país.

Feiras: embora possam ser considerados eventos com uma abordagem mais comercial, as feiras também são excelentes espaços para que as novidades e inovações possam ser abordadas de forma a impactar grandes públicos.

Simpósios: desenvolvido muitas vezes no formato de palestras ou debates tendo a figura de um mediador, os simpósios têm a meta de abordar de forma aprofundada alguma temática visando ampliar o conhecimento sobre o assunto.

 

Um mercado em expansão

Não é novidade que o mercado de eventos vem atravessando um bom momento, especialmente se analisarmos de forma comparativa o período da pandemia de Covid-19 que praticamente zerou as ações no segmento.

O fim das restrições sanitárias e o desejo das marcas e do público em trocar experiências vêm contribuindo para a expansão dos resultados. Dados divulgados pela ABRAPE – Associação Brasileira dos Promotores de Eventos indicam que a previsão de faturamento para o setor em 2024 é de 75 bilhões de reais. E, sem dúvidas, muito desse total está ligado aos eventos de caráter corporativo e institucional.

 

Eventos em prol do conhecimento em todo o mundo

A democratização de informações e conhecimentos e o aprofundamento dos debates são estratégias de valor incomensurável para evitar ou, pelo menos, amenizar eventuais impactos negativos na vida das pessoas.

Neste momento em que o Brasil e mundo estão consternados quanto aos incidentes acontecidos no território gaúcho e, mais do que nunca, a solidariedade é o ativo mais importante no enfrentamento da situação, é oportuno destacar que o desenvolvimento de uma política ambiental mais eficiente seria de grande valia.

Ao longo dos anos que se seguiram a ECO-92, diversos eventos em escala mundial foram organizados visando a utilização racional dos recursos e um manejo mais sustentável do meio ambiente. O Protocolo de Kyoto, assinado em 1997, estabeleceu metas de redução para a emissão de gazes que foram ratificadas por um total de 55 países. É interessante observar que o Brasil também assinou o termo, porém, só no ano de 2004.

Mais recentemente, outro evento muito importante na área ambiental foi o Acordo de Paris realizado em 2015. Na ocasião, foram assinados termos para o controle das emissões de gazes de efeito estufa na camada de ozônio. Entre outros compromissos assumidos pelo Brasil, naquele momento, estava o reflorestamento de 12 milhões de hectares para conter o aquecimento global.


Como promover um evento e contribuir para o bem estar das pessoas

Agregar experiências positivas na jornada de vida das pessoas é e sempre foi um dos principais objetivos de um evento. O mesmo pode ser dito das ações ligadas à promoção e disseminação do conhecimento.

Através da troca de informações e do aprofundamento dos temas, é possível repensar determinadas práticas e, assim, elaborar ferramentas e soluções visando ampliar a qualidade de vida das pessoas em todas as áreas.

Para as empresas e profissionais que tem como desafio a organização de um evento nestes moldes, alguns aspectos devem ser priorizados. Um dos mais importantes é a definição do tema. Quanto mais específico e direcionado for os debates, mais próximo se estará da relação dos profissionais a serem convidados e, também, do público alvo a ser conectado.

Definida essa primeira parte, é hora de fazer a harmonização entre forma e conteúdo. Ou seja, criar um evento ligado, por exemplo, à valorização do artesanato local e distribuir como brindes produtos industrializados ou comprados de multinacionais são ações que se contrapõem. Ter o cuidado e a atenção em harmonizar tudo é essencial.

Por fim, é necessário definir uma estratégia de comunicação que não eleja vilões, ou seja, que não culpabilize ninguém. Eventos dessa natureza deixam como legado a ideia de que prevenir é sempre melhor que remediar. Ensinamento que os gaúchos e todos os brasileiros estão tendo que aprender de forma dolorosa neste momento único em nossa história.

 

Crédito da imagem: FreePik

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