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Coluna Eduardo Boechat | Economia mundial testando os freios
03 de Maio de 2022

Coluna Eduardo Boechat | Economia mundial testando os freios

Será uma diminuída de velocidade ou uma capotagem?

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Por Eduardo Boechat 03 de Maio de 2022 | Atualizado 09 de Maio de 2022

Tudo certo, pessoal? Antes de mais nada, peço desculpas pelo longo tempo desde meu último texto. Tirei férias e estou voltando com força renovada para a continuação do ano. Nesse período, vários fatos interessantes aconteceram e são dignos de serem comentados.

Lockdown China: na contramão do que vem acontecendo no mundo inteiro, a China segue adotando medidas muito duras no combate da pandemia. Estive na Europa e, por lá, quase ninguém usa máscara. Tirando aeroportos, tudo vida normal. Nos EUA, em alguns lugares, nem o uso de máscara nos vôos está sendo necessário. Outros países que adotaram medidas mais cautelosas, como Nova Zelândia e Cingapura, também aceitaram um nível maior de exposição ao vírus. A China parece ser a única que ainda continua forçando a sua população a longos períodos de lockdown. E isso tem tudo para impactar negativamente a economia mundial.

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Guerra: nada de bom tem saído daí. A cada semana aumenta a percepção de que a Rússia vai esticar essa corda ainda mais. Isso impacta fortemente commodities como petróleo, gás e trigo. Mais um combustível para um cenário inflacionário já desafiador.

Eleição francesa: a vitória de Macron já era esperada e, de fato, não representa uma mudança importante na política econômica francesa.

Juros americanos: aqui temos o maior risco de médio prazo para a economia mundial. O combate à inflação nos EUA pode gerar movimentos fortes nos preços dos ativos. A política monetária americana está saindo de uma situação de muito afrouxamento para uma situação de muita restrição, em um intervalo de tempo muito pequeno. A inflação ao consumidor bateu 8,5% nos últimos 12 meses, algo que não se via desde a década de 1980. O Banco Central americano (FED) cogita altas sequenciais de juros nos próximos meses. E aí mora o perigo. Nos últimos anos, principalmente depois do início da pandemia, o próprio FED tratou de espalhar dinheiro na economia, como maneira de combater os efeitos da desaceleração econômica. Esse dinheiro foi emprestado a juros muito baixos. Agora, esse dinheiro começará a ser retirado e juros mais altos serão cobrados. Uma combinação explosiva, que pode trazer recessão e dificultar bastante o ambiente de negócios. O mercado, pelos preços das ações e ativos em geral, ainda acredita que teremos um soft landing. Ou seja, as coisas irão se ajustando com o tempo e não teremos nenhuma queda abrupta da atividade econômica. Porém, dado a inexperiência do FED em lidar com surtos inflacionários, o hard landing (uma queda mais abrupta e descontrolada da economia) pode passar a ser o cenário mais provável.

Com tudo isso de pano de fundo, qual seria o melhor caminho a percorrer com seus investimentos? Eu tenho dito que 2022 deve ser o ano da renda fixa. Juros altos no Brasil devem aumentar a procura por instrumentos mais seguros. Investimentos em vários setores, com uma taxa de retorno baixa, devem ser postergados. Somando esse cenário com o risco eleitoral, penso que seria prudente esperarmos uma definição mais clara. Óbvio que o mercado é risco e retorno. Nesse momento o risco parece alto. Se um cenário melhor se materializar, temos algum dinheiro a ser ganho para quem está mais otimista. Dependendo do horizonte de investimentos que cada um tenha, talvez já valha a pena começar a montar alguma carteira de ações no Brasil e até nos EUA. Mas ainda acredito que veremos preços mais baixos nos próximos meses.


O mundo é dinâmico
Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da Activ Trades Português. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 08 da manhã. Temos, inclusive, espaço aberto a perguntas. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir ideias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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