A MDO Propaganda, com sedes em Florianópolis e Curitiba, que neste mês comemora 25 anos em atividade, anunciou na semana passada a contratação do diretor de arte gaúcho, Beto Das, para o cargo de diretor de criação da agência no lugar de Sandro Pinto que está indo morar e estudar no Canadá por um ano. AcontecendoAqui foi conhecer e conversar com Beto e traz até você um resumo do encontro.
Fale sobre sua experiência profissional antes de assumir a direção de criação da MDO
Eu venho de Porto Alegre, e comecei em 97, na HEADWAY, uma agência pequena, onde a gente fazia tudo: redação, direção de arte, arte final, e foi uma escola boa, não criativamente, mas a gente fazia AMARGOL, CALMADOR, e outros produtos do laboratório QUIMSUL, que fazia comerciais com o Antônio Fagundes e outras celebridades, e a gente se divertia. Era o começo. Depois passei por algumas agências como Acori, que depois se fundiria com a DCS, e pela Globalcomm, onde comecei realmente a fazer apenas direção de arte. Lá comecei a ter contato com clientes como GM, Brasil Telecom e Dellanno.
Depois disso veio a AMERICA, e um período trabalhando com moda no Vale dos Sinos. Depois voltei a Porto Alegre para trabalhar no núcleo de design da PAIM. Fiz uma entrevista com o Telmo Ramos e logo já estava criando para Lojas Renner, Supermercados Nacional e Ritter. Depois veio a ESCALA, onde aprendi muito sobre o varejo. Trabalhava com as Lojas Colombo e sempre que tinha tempo, propunha anúncios, campanhas e ações para os outros clientes da casa, como a UNIMED, SECRETARIA DA SAÚDE, PROJETO PESCAR, UNISINOS. o Axel, então diretor de criação, nos dava essa liberdade e daí vieram prêmios como o Colunistas Brasil, ouro no Salão da Propaganda, ouro no Central de Outdoor entre outros. Depois veio a VOSSA e a E21, onde conquistei o prêmio de Diretor de Arte do Ano no Prêmio Colunistas, ouro no Colunistas Brasil. Também tive nesse ano uma campanha publicada na Archive. A DEZ me chamou e passei a trabalhar com Paquetá Esportes, Feevale, Grupo RBS. Um lugar que aprendi bastante também, com o Saul Duque, aTaíse Kodama e o Bizarro. Lá teve um Grand Prix em design. Então veio a MORYA e logo depois o GAD, onde até pouco tempo era head of art, trabalhando com FILA, UMBRO e TRYON. A responsabilidade e o cuidado com a direção de arte junto com a Grace Meurer, minha diretora que vinha da Ogilvy, era grande. Hoje estou aqui na MDO, com o olho brilhando e um desafio muito bacana.
O que te motivou a trocar Porto Alegre e o GAD, que tem 70 profissionais por Florianópolis?
O desafio, sem dúvida. O novo. Ser diretor de criação de um mercado novo, trazer um outro tipo de expertise, uma mudança geral na vida e aprender com esse mercado. Trouxe a família e toda minha vida pra cá. O Sandro Pinto, que até então era o DC aqui me indicou pra assumir o seu posto, e o Ricardo e o Cherem gostaram das características dos meus trabalhos anteriores e fechamos.
Agora é colocar as ideias na rua. Quero aprender com os profissionais e fornecedores daqui, ajudar o mercado, poder contar com os profissionais de Floripa, tornar o mercado melhor pra todo mundo e fazer a MDO e seus clientes terem resultado, visibilidade e se posicionarem de maneira criativa, sempre.
O GAD é uma empresa especializada em Brand, Design e Comunicação. Como você enxerga a pegada de uma agência de propaganda em relação à empresas como o GAD?
O GAD é uma grande empresa, que tem expertise em muitas áreas de comunicação. A publicidade, em particular, é mais um braço, entre muitos serviços que eles prestam às marcas que atendem. Enquanto uma agência, focada especificamente em propaganda, tem a mídia e os veículos como base principal de receita, a ramificação de negócios do GAD permite, também, outras alternativas de negócios. Mas falando de criatividade, o cuidado e crivo com o que vai pra rua é muito grande.Tem pessoas muito qualificadas. É uma empresa muito sólida.
A maioria das agências procura se diferenciar na criação. Quais os valores e diferenciais que você vem agregar ao time da MDO?
Eu tenho uma base construída em cima do design, da direção de arte, da comunicação com ideia. Mas ideia que venda, não a gracinha gratuita. Não podemos nos dar ao luxo de passar batido, virar paisagem, seja no meio que for. A gente vê hoje que não se pode, e nem tem como, criar sem pensar em conteúdo, multiplataformas, novos formatos além da mídia tradicional. O consumidor é o porta-voz da marca e hoje temos que tomar muito mais cuidado quando entramos na casa dele e lhe oferecemos um produto. Hoje ele é o protagonista e tem as mídias sociais e novos canais para se proteger e se relacionar só com quem realmente converse de igual pra igual com ele. Quer honestidade, uma relação franca com o que consome. Quero reunir diferentes talentos aqui da MDO
e do mercado pra gente conseguir dialogar com esse consumidor. Se a gente entregar um pacote com criatividade, pertinência que encha os olhos dele e ele se sentir feliz com o que consome, eu vou ficar muito feliz.
Você trabalhou no GAD que é uma empresa bastante premiada. Como você vê o prêmio na Publicidade?
As premiações pra nós são combustível. Os profissionais passam a valer mais no mercado, os clientes passam a valorizar mais a agência que os atendem, e sempre é um divisor de águas para um próximo passo na carreira, além de um balizador de criatividade, tanto para profissionais quanto para as agências. Prêmio é respeito.
Acho que quem ama fazer comunicação tem que ter esse ímpeto, esse sonho de um dia ganhar um leão em Cannes, um Clio, El Ojo. E quem já ganhou, de ganhar mais, se superar sempre.

