Carioca, Fabio Cabral cresceu em São Paulo e estudou Ciências Biomédicas até a pós-graduação em Saúde Pública pela USP. Em 1982 decidiu-se pela profissão de fotógrafo, iniciando seu trabalho já ligado a produção de áudio visual, desde então atende editorias e agências de propaganda do Brasil e exterior, fotografando moda, retratos, arquitetura, design, reportagens, produções publicitárias, comerciais e artísticas. Seu trabalho pode ser apreciado em capas, editorias, anúncios e catálogos publicados nas principais revistas do Brasil.
São de sua autoria os livros: Anjos Proibidos (1991), Some Womems (1998), este com retratos de celebridades como Sonia Braga, Xuxa, Glória Pires, Cristiana Oliveira, Regina Duarte, Bruna Lombardi, Adriane Galisteu, Ana Paula Arósio, entre outras musas do teatro, cinema e televisão do país. E por último o livro SLZ 48 h (2002), com retratos de São Luiz do Maranhão.
Desde 1997 vem atuando como diretor de fotografia e diretor de cena de filmes publicitários, curtas e longas metragens. Premiado em Cannes e no Festival de Cinema Publicitário em Nova York, em 1998. Atualmente Fabio desenvolve seus trabalhos entre produtoras de cinema de São paulo e Florianópolis mantendo clientes e base de produção em NY e em países da Europa, África e America Latina.
AcontecendoAqui: Como você se tornou fotógrafo e o que te motivou a optar pela profissão?
Fábio Cabral: Me tornei fotógrafo ingressando em 1982 na Mikson a maior produtora audiovisual em São Paulo daquela época, lá se produziam todos os produtos de comunicação visual através de multivisão a partir de cromos 35 mm para a maioria das grandes empresas comerciais de diversos produtos e bens de consumo popular, automóveis, cosméticos, alimentos, etc. Havia 8 estúdios e 12 fotógrafos contratados e mais alguns freelancers, eu entrei como um dos contratados. Sou formado na medicina e tenho pós-graduação em dermatologia sanitária mas decidi trabalhar com a arte e a fotografia, foi que falou mais alto no meu ser naquela época e hoje já são 33 anos dedicados a essa arte no exercício do olhar condicionado.
AAqui: O que a fotografia significa além do cenário e do clic?
FC: A fotografia significa um registro eterno de um instante, de um momento, de um sentimento, de uma criação, ela traduz uma influência que pode se apresentar de forma concreta em alertar o significado da vida de algumas pessoas através da imagem. É uma arte, uma técnica, um trabalho, uma terapia, uma forma de expressão livre e poética.
AAqui: Que tipo de fotografia desafia mais um profissional como você a buscar o novo?
FC: Aquela fotografia que eu ainda não fiz, ou aquela que eu não pude fazer por viver em outra época, como ter fotografado a Marilyn Monroe por exemplo, meu maior desejo imaginário como um fotógrafo de mulheres.
AAqui: Você tem uma expertise ou um segmento de mercado onde atue mais?
FC: Eu tive uma vida dedicada a fotografar mulheres. Vários livros fotográficos publicados com o tema, dezenas de capas e ensaios para revistas como Playboy , Vogue, Elle, Marie Claire e demais publicações dirigidas ao universo feminino, campanhas para DPZ , Almap, W Brasil, Young & Rubicam , F Nascas, DM9, D Araujo, MDO, Propague, Formula, One WG, Maquete entre tantas outras no que envolve top models, atrizes famosas , celebridades, moda, beleza e comportamento. Mas meu trabalho não se restringe nisso, pois fotografo e já fotografei de tudo, reportagens, arte, arquitetura, produtos, design, etc. Porque acho que não existe fotógrafo disso ou daquilo existe fotógrafo! Fotógrafo ou você é, ou não é! Mas atualmente estou um pouco distante deste trabalho no meu dia a dia, porque já há alguns anos venho atuando com muito mais frequência como Diretor de filmes para diversas produtoras de cinema do mercado nacional.
AAqui: Qual segmento é o mais complexo na hora de produzir uma fotografia?
FC: O segmento mais complexo mesmo é a própria fotografia para a publicidade, porque requer retratar algo previamente criado para uma determinada função de comunicação, para um produto, conceito ou ideia a ser apresentada para o público em geral, além de ter que passar por várias instâncias de aprovação e isso requer muita experiência e sobriedade na conclusão, na decupagem e na produção e finalização do trabalho a ser publicado.
AAqui: Qual seu principal concorrente? O outro fotógrafo do seu nível ou os bancos de imagens?
FC: Não acho que fotógrafos possuam concorrentes, pois considero a fotografia um trabalho autoral que depende do olhar específico de quem a realiza e não do valor do orçamento atribuído a ela. Vocês acham que o Salvador Dali é concorrente do Pablo Picasso? Eu não possuo concorrente e só procuro aceitar trabalhos onde as pessoas ou empresas que me contratam desejam meu trabalho, a minha assinatura e não o meu orçamento mesmo porque costumam ser os mais caros quando comparados somente sob este aspecto.
AAqui: Considera importante estudar fotografia ou o dia a dia resolve?
FC: Importantíssimo! O dia a dia apenas nos ensina a viver, não é só importante estudar fotografia, como estudar tudo aquilo que envolve o universo da criação de imagens, da produção e da realização fotográfica, da comunicação, do marketing, da filosofia, da física quântica, da existência do ser humano… Estudar é única forma de realmente poder-se evoluir em qualquer processo profissional ou pessoal nas nossas vidas.
AAqui: Qual a sua opinião sobre a lei brasileira que garante os direitos autorais dos fotógrafos?
FC: Desculpem não responder com uma opinião ou algum critério a essa pergunta, porque considero as leis brasileiras uma verdadeira piada (a começar pelo fato da fotografia não ser uma profissão regulamentada) e o sistema judiciário que as aplica mais piada ainda, basta assistirmos aos telejornais diariamente para tirarmos alguma conclusão sobre esse assunto, tudo aquilo que se refere a isso prefiro não comentar e nem emitir minhas sinceras opiniões.
AAqui: Lugar ou pessoa que fez a diferença na hora da foto?
FC: Todos os lugares do mundo e países onde já trabalhei como NY e Miami nos Estados Unidos, França, Itália, Inglaterra, África do Sul, Argentina entre outros. E pessoa ou pessoas que fizeram a diferença em meus trabalhos sempre foram todas as top models e atrizes que estiveram na frente das minhas lentes como Isabeli Fontana, Renata Kuerten, Alessandra Ambrósio, Sonia Braga, Glória Pires, Xuxa, Ana Paula Arósio , Bruna Lombardi, Adriane Galisteu e tantas outras que já perdi a conta e precisaria de algumas páginas para enumerar todas.
AAqui: As agências de propaganda de Santa Catarina valorizam a boa fotografia nas suas campanhas?
FC: Acredito que não só as agências de Santa Catarina valorizam a boa fotografia, toda agência consciente e dedicada aos trabalhos ligados à mídia impressa devem valorizar isso, pois uma campanha sem uma boa imagem produzida por um profissional experiente de fotografia, está fadada ao fracasso, porém nem sempre os diretores de arte e criativos tem a oportunidade de desenvolver trabalhos como gostariam pela limitação das verbas impostas por alguns clientes que ainda não se conscientizaram que: “A propaganda é a alma do negócio”
Algumas imagens dos trabalhos de Fabio:





