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ENTREVISTA: Daniel Araújo conta a história de 30 anos de sua agência
18 de Novembro de 2013

ENTREVISTA: Daniel Araújo conta a história de 30 anos de sua agência

daniel araujo novembro_13_320 Daniel Araújo, fundador e presidente da D/Araújo Comunicação.

O ano de 2013 marca os 50 anos da Propague, os 40 da Quadra e os 30 da D/Araújo. Três grandes agências de publicidade que muito contribuíram para a propaganda catarinense ter a qualidade que se vê diariamente nos mais variados meios de comunicação. AcontecendoAqui foi conversar com Daniel Araújo, fundador da D/Araújo Comunicação que nesta segunda-feira, 18 de novembro, completa 3 décadas em atividade.  Daniel começa falando sobre o panorama da propaganda na década de 80,  recorda os primeiros clientes e os primeiros trabalhos realizados para eles, a evolução do mercado e os projetos para os próximos anos. Confira:

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Acontecendoaqui – Qual era o cenário da Propaganda no Brasil e em Santa Catarina há 30 anos?

Daniel Araújo – Estamos falando da década de 1980, vivíamos o glamour da propaganda brasileira, época em que grandes criativos se destacaram no exterior, como Washington Olivetto. Santa Catarina era diferente. Já existiam agências, mas elas sofriam com o preconceito da regionalização, um tema hoje tão valorizado dentro do setor. As principais contas encontravam-se no eixo Rio – São Paulo. Foi a década da consolidação da Propaganda Brasileira, quando surgiram varias agências e entre elas a D/Araújo.

 

AAqui – E o que o motivou a empreender em um mercado tão competitivo como a Propaganda?

D. A. – Cursava administração na UFSC e me vi pai precocemente aos 17 anos. Com uma responsabilidade enorme pela frente, procurei emprego e acabei tendo minha primeira experiência com Publicidade. Com seis meses de trabalho, já sabia que tinha nascido para ser publicitário. Eu me apaixonei à primeira vista e senti que tinha condições de caminhar com minhas próprias pernas.

 

AAqui – Como a D/Araújo nasceu?

D. A. – Quando decidi abrir a minha própria agência, não tinha nenhum capital de giro. Na época, abri uma “eugência”. Alugava uma sala comercial com um tio advogado. Ele utilizava o escritório à tarde, eu pela manhã. Dividíamos o aluguel, o telefone e o salário da secretária. Nas poucas horas disponíveis, organizava a agenda para captar clientes à tarde. Durante nove meses, minha rotina foi essa. Após esse período, a D/Araújo abriu as portas em endereço próprio na Rua Conselheiro Mafra, no centro histórico de Florianópolis.

 

AAqui – Quem foi o primeiro cliente?

D. A. – Meu primeiro cliente foi uma loja de compra e venda de ouro. Felizmente, nossa trajetória foi muito rápida. Em menos de um ano estávamos atendendo clientes nacionais, como a malharia Dalcelis e a ACS – Telefonia rural. Tenho orgulho de dizer que participamos do lançamento do telefone móvel no Brasil. Outro lançamento importante à época foi o das telhas esmaltadas CEDISA, que era a maior empresa do segmento no Brasil. Tudo em menos de um ano de agência.

 

AAqui – Conte-nos sobre as primeiras peças produzidas e veiculadas pela D/Araújo: o primeiro comercial, primeiro anúncio, primeiro outdoor.

D. A. – Atendíamos a Dominik uma empresa de varejo que vendia ferragens e ferramentas. A loja tinha mais de cinco mil itens e na ocasião nenhum computador para controle de estoque. Eu me lembro quando visitava o proprietário que ele tinha tudo na ponta do lápis e aquilo me impressionou. Foi ai que criei um conceito para as lojas Dominik: “O mundo das ferragens e ferramentas”. No primeiro comercial, usamos a música Dominique, trilha do filme Noviça Rebelde. A peça marcou muito e deu um recall incrível.
O primeiro anúncio foi um all type no jornal O Estado. Eu caminhava pelo centro da cidade, quando encontrei uma pessoa com uma placa “Compro e vendo ouro” e resolvi pegar o endereço. Fui até a loja e conversei com o proprietário sugerindo que ele anunciasse no já extinto jornal O Estado. Ele aceitou o desafio e isso deu um resultado espetacular para o cliente.
O primeiro outdoor foi feito em policromia para a malharia Dalcelis. Novidade na época, quando outdoors coloridos eram raridades, a foto da camisa polo Dalcelis, com o conceito “verdadeiramente polo”, foi o maior sucesso. A Dalcelis era líder em vendas de camisas polo no Brasil.

 

AAqui – E o que mudou de lá pra cá? Como se deu a evolução da profissão durante esse período de 30 anos?

D. A. – A chegada e posterior democratização da internet no Brasil foram as grandes revoluções da sociedade e, em especial, da comunicação nesse período. Nosso negócio ganhou proporção e visibilidade muito maiores. Os desafios aumentaram com as transformações no perfil dos consumidores e com o aumento da competição entre as marcas. Tudo isso criou um cenário mais complexo para as agências que passaram a ter de dominar novas ferramentas e estratégias de comunicação, lidando com novos setores como promo, marketing direto, digital e outros. A Propaganda se tornou muito mais completa, mais profissional e com foco cada vez maior em resultados. Percebemos que a criatividade continua sendo o nome do jogo, mas a forma de levar uma boa ideia até seu destino mudou.

 

AAqui – E nessa história, qual foi o prêmio mais importante conquistado pela D/Araújo e por que, na sua opinião, publicitário gosta tanto de ganhar prêmios?

D. A. – Nesses 30 anos, a agência conquistou mais de 200 premiações de peso em propaganda e marketing, entre eles, Festival de Nova Iorque, Festival Internacional de Gramado, Prêmio Abril, Profissionais do Ano da Rede Globo, Clube de Criação de São Paulo, Revista About, Revista Meio & Mensagem, Prêmio Colunistas de Marketing e Propaganda, Prêmio Catarinense de Propaganda, Prêmio Acaert, entre outros. Todos tiveram a sua importância. Prêmios são reconhecimentos de um trabalho bem executado, tanto para agências, quanto para clientes. Lembro com muito carinho do Galo de Ouro do festival de Gramado em 1997, quando recebi o troféu das mãos do Washington Olivetto. Não é só publicitário que gosta de receber prêmios, os clientes também. Várias vezes subi ao palco com os meus para receber premiações.

 

AAqui – Você não se cansa de dizer que a D/Araújo coleciona cases. Quais os principais nessas 3 décadas?

D. A. – O primeiro case marcante da D/Araújo foi para a revenda autorizada Peugeot Cap Ferrat, do amigo Mário Petrelli. Alcançamos um volume de vendas três vezes maior do que as lojas da rede em Curitiba e Porto Alegre e por isso a concessionária ganhou o título de Melhor revenda Peugeot do Mercosul;
Nosso maior case foi, sem dúvida, o de ter conseguido aumentar o consumo de carne suína no país. Isso se deu logo após termos vencido a concorrência pela conta disputado contra a DPZ e a WBrazil. Nossa estratégia foi perfeita quando escolhemos a apresentadora Ana Maria Braga como garota propaganda. O resultado foi fenomenal, elevamos o consumo de carne suína de 8kg para 12,5 kg per capita entre 1998 e 2000. Sendo considerado pelo mercado como um dos maiores cases do Brasil.
Para a Parati, contratamos o Robinho no auge de sua carreira, pouco antes do craque ser vendido por 30 milhões de euros ao Real Madrid, o jogador mais caro do mundo na época. Antes de entrar com a campanha na TV, fomos para feira de supermercadistas, a ABRAS. Estampamos a imagem do craque em nosso stand, e espalhamos pela feira um convite para as pessoas conhecerem o segredo do sucesso do Robinho. A ação chamou a atenção do diretor de compras do Grupo Pão de Açucar, que comprou toda a capacidade de produção do produto Bom de Bola da Parati. Com este sucesso de vendas, o cliente decidiu não veicular mais a campanha por não ter capacidade de entrega dos produtos. Ônus de ter um planejamento tão apurado (rs).
Com a Santur, ganhamos por 6 vezes consecutivas o título de Melhor Destino Turístico do país. Vale lembrar que Santa Catarina é o quarto Estado mais visitado, estamos atrás do Rio, de São Paulo e da Bahia, mas com um trabalho forte de mídia, somos percebidos como o melhor.
Mais recentemente, ajudamos a Döhler a dobrar de tamanho, alcançando a segunda posição em cama, mesa e banho no país. Mais do que isso, a têxtil joinvilense fechou 2012 com lucro enquanto todas as outras indústrias do setor fecharam no negativo. Ações de merchandising no Domingo Legal, do Celso Portiolli, e no Mais Você, da Ana Maria Braga, e plataformas digitais afiadas são apenas alguns exemplos do planejamento assertivo para a Döhler.

 

AAqui – O conceito de sua agência é Surpreenda-se. Como garantir que o cliente vai sentir isso nos trabalhos que receberá?

D. A. – Surpreender pode acontecer na força de uma mensagem, no formato de uma peça, na pró-atividade para fazer algo inesperado, no resultado obtido ou no impacto criativo, ou na inovação de uma campanha. Precisamos conhecer bem cada cliente, pois cada um possui uma realidade e um cenário diferente no qual temos que atuar. Não é uma tarefa simples, pois surpreender sempre é um grande desafio, por isso não nos acomodamos, nunca. A inquietude está no DNA da agência.

 

AAqui – Quais os planos para a D/Araújo nos próximos 30 anos?

D. A. – Continuar surpreendendo. Queremos fortalecer a nossa identidade de ser uma agência criativa, inovadora, inquieta e que oferece um trabalho de alta qualidade aos nossos clientes. Quem trabalha com a D/Araújo espera por isso, por essa razão nos escolhe para ser sua agência. Temos a certeza de que a Propaganda muda constantemente e não podemos deixar de acompanhar as tendências, por isso vamos evoluir junto com a comunicação e nos associar a parceiros estratégicos para entregar soluções melhores e mais conectadas. O mercado está altamente competitivo e exigindo profissionalização cada vez maior, por isso vamos continuar a contratar sempre os melhores profissionais e valorizar o nosso time, com capacitação e remuneração alinhadas com essa estratégia. Manteremos nossa sensibilidade aliada ao conhecimento e com um respaldo técnico afiadíssimos. É assim que a D/Araújo vai construir os seus próximos 30 anos.

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