Na semana passada AcontecendoAqui publicou nota sobre as mudanças realizadas na HQZ, agência de propaganda fundada há seis anos por Michel Dalmoro e que tem sede na cidade de São José-SC. Hoje trazemos aos nossos leitores um pouco da trajetória dessa empresa, as recentes transformações, os projetos em desenvolvimento e nova sede em Florianópolis.
AcontecendoAqui – Qual a sua formação acadêmica e experiência profissional antes de empreender como dono de agência?
Michel Dalmoro – Sou formado em Comunicação Social com habilitação em PP, pela Faculdade Estácio de Sá, desde 2008. Na primeira fase de faculdade já comecei a fazer estágios em empresas como marketing e atendimento. Além disso, antes e durante a faculdade organizava e produzia eventos no segmento da música eletrônica por todo o estado. Isso me trouxe muita experiência em gerir pessoas, pois havia eventos com mais de 100 pessoas no staff e, claro, toda a parte administrativa, produção, promoção, pré-evento e pós-evento. Já fiz muitos cursos, mas os mais importantes e os que mais aproveitei foram o Empretec do Sebrae em parceria com a ONU e um curso de Marketing Pessoal e Networking com a Myashita Consulting em São Paulo. Ambos colaboraram e muito na minha vida profissional e empreendedora.
AAqui – Depois de seis anos no mercado, a HQZ transformou-se na Miró Propaganda. Quais as razões da mudança? Vocês apenas trocaram o nome ou também mudaram o plano de negócios?
M.D.- Acredito que a principal razão é a filosofia da empresa estar renovada. Renovada para um mercado mais voraz como o de hoje e para ganharmos escala no nosso negócio. Chegamos a uma maturidade em que o faturamento da empresa não estava de acordo com nosso potencial, experiência e gestão. Muitos investimentos já foram feitos e mais investimentos estão previstos, tanto no capital intelectual quanto na nova sede em Florianópolis. Temos um plano claro de crescimento, com metas tangíveis. Haverá um acompanhamento sobre esse plano para que todos os ajustes ocorram em prol do alcance dos nossos objetivos.
AAqui – O momento atual da empresa é de reafirmação no mercado, afinal, mudar o nome da marca é uma grande transformação. Como atuar nessa sensível etapa sem afetar resultados obtidos até aqui?
M.D. – Fomos muito cuidadosos nesse sentido, levamos semanas para a escolha do nome, do logo e tivemos um bom tempo de maturação sobre cada ideia e planejamento para lançar a nova agência. Nossa história não foi apagada, e sim foi aproveitado o que tínhamos de melhor para criar uma agência melhor. Quanto a isso, considero que tivemos um grande avanço, tanto conceitual quanto de percepção diante do mercado. Usamos bem nossa rede de relacionamento, veículos, além de planos muito bem traçados para a Miró ganhar força no mercado em pouco tempo e com maturidade. Nos preocupamos muito mais, por exemplo, com nossos cases de sucesso do que com peças somente bonitas ou criativas. Montamos um plano de ação nas redes sociais envolvendo escritores, publicitários, pintores e o apoio da velha guarda da publicidade catarinense, como nosso amigo George Alberto Peixoto, artista plástico e um dos fundadores da Propague. Tudo para ganharmos força, sem perder o que já havíamos construído.
AAqui – Baseada nas teorias das Ciência da Informação, a Miró focará, agora, na informação e não somente na criação. Vocês contrataram novos redatores publicitários, jornalistas? Qual é a chave para executar esse novo diferencial que vocês apresentaram ao mercado na semana passada?
M.D. – Uma das maiores estratégias da nova agência foi contratar nosso diretor de criação, Sérgio Calderaro, que retornou após 6 anos trabalhando e estudando em Madri. Ele se doutorou em Ciências da Informação e trabalhou no Setor de Imprensa e Divulgação da Embaixada do Brasil na Espanha, uma tremenda escola no aprendizado de como se lidar com a informação, o fluxo correto e o tratamento estratégico de dados para cada caso. Além disso estão as estratégias discursivas, as teorias de emissão e recepção que o Calderaro conhece e está conseguindo aos poucos colocar em prática na agência. Esse grande investimento já está nos trazendo ótimos resultados internos para podermos exteriorizar, por meio das nossas peças e principalmente do planejamento dos clientes, essa nova fase da comunicação. Toda a nossa equipe, aliás, tem um viés diferenciado. É engraçado porque só fomos perceber isso depois, mas quase toda a equipe da Miró é formada por publicitários-artistas. Temos o Marcelo e o Helio que são músicos, a Daniela e a Ana Paula que são atrizes, o próprio Calderaro que já se aventurou como escritor. Até eu mesmo, que participei por quase uma década de grupos de dança. Acho que estamos conseguindo transformar essa sensibilidade artística em resultados práticos para os clientes, uma coisa ao mesmo tempo racional mas com uma afinada plasticidade artística que vem do próprio perfil da equipe. O novo nome da agência, inclusive, surgiu daí. Queríamos atrelar um toque de arte à empresa e acabamos selecionando o sobrenome do famoso artista plástico espanhol Joan Miró.
AAqui – Quais as perspectivas da Miró, aumentar a carteira de clientes ou aumentar o valor das marcas que já atende?
M.D. – Como citado na primeira pergunta, nosso principal objetivo é promover a escalada da empresa. Novos e maiores clientes são o principal objetivo da Miró como empresa. O objetivo como agência é aumentar o valor das marcas de nossos clientes. Mas todos os clientes que atendemos entram nessa nova fase. Eles inclusive já estão sentindo isso no dia-a-dia e no direcionamento para os novos planejamentos que virão.
AAqui – Para divulgar a mudança da marca, vocês contaram com o publicitário George Peixoto. Fale um pouco sobre a atividade que ele executou, bem como da relação com artistas locais que a Miró tem.
M.D. – Pra nós o Seu Peixoto é um exemplo a seguir, e temos a imensa sorte de ter essa relação bacana com ele. Na fase mais tensa de nossa decisão interna de mudar conceito e nome da agência, a gente o chamou para que passasse aqui uma manhã e conversasse um pouco com a equipe. E é incrível o que um olhar experiente e talentoso pode fazer. Ele primeiro conversou um pouco com todos, tomou um café e depois ficou passeando silencioso pela criação, de olho nas telas dos computadores dos diretores de arte. Aí pediu papel e caneta, se sentou e começou a rabiscar. Em vinte minutos se levantou e trouxe algumas ideias que acabamos aproveitando. Fomos almoçar juntos e na mesa do restaurante ele nos presenteou com outras dicas preciosas. Ele é uma usina de ideias. Dias depois pedimos sua permissão para usar fragmentos de alguns de seus quadros para compor o layout do nosso portfólio. Ele permitiu e nosso portfólio está aí, lindo, pra quem quiser ver.
Nossa relação com os artistas locais é uma coisa natural. Nosso diretor de arte Marcelo Peixoto é um músico tradicional da Ilha, já tocou com muita gente. O Helio Abreu também é um músico bastante atuante. Dani Magalhães e Paulinha Rocha têm essa infiltração com o pessoal do teatro, além do Calderaro com o pessoal da literatura, da música, das artes plásticas… Temos um círculo bastante importante e sabemos da batalha desse pessoal das artes em Florianópolis. Por isso a vontade de colocá-los em evidência e, claro, atrelar tudo isso à nossa própria marca.
AAqui – Faça uma breve análise do mercado catarinense. Ainda há lugar para novas empresas, ou ainda, fusões entre pequenas agências? Como estamos em relação ao mercado nacional?
M.D. – O mercado catarinense como um todo acompanha o mercado nacional, é claro. Então observamos um crescimento nos últimos anos até chegarmos à situação atual de desaquecimento. A diferença é que o mercado catarinense, como sabemos, era pouco profissional há alguns anos, mas entre as praças menores como a nossa acho que tivemos uma profissionalização mais acelerada em relação a outros estados de periferia. O panorama está mudando para melhor. As boas agências daqui não deixam nada a dever às boas agências dos grandes mercados. Quanto às fusões, embora pareça ser um caminho inevitável a médio e longo prazo, acredito que hoje ainda há espaço para os escritórios menores que sabem trabalhar com talento, seriedade, ética e um posicionamento diferenciado. Quero crer que esse é o caso da Miró.

