A nova campanha do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), criada pela AlmapBBDO gerou polêmica na internet. Chamada de ‘Opções’, a campanha com três comerciais busca mostrar que o papel da entidade é proteger os consumidores contra eventuais ofensas e discursos antiéticos que possam estar inseridos em campanhas publicitárias. Para isso, os vídeos dividem a tela ao meio, apresentando, nos dois lados, elementos visualmente opostos.
De acordo com o Meio & Mensagem, a campanha recebeu denúncias que questionam o tom do comercial. Uma dessas reclamações teve autoria de Ricardo Sales, pesquisador da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), sócio da agência Mais Diversidade e consultor de marketing para questões de equidade de gênero e diversidade na comunicação. “Por atuar na causa já tenho um olhar mais treinado a respeito do assunto e assim que vi a campanha fiquei bastante chateado porque ela é desconectada com tudo o que o mercado vem debatendo a respeito dessas questões”, pontuou o profissional.
Ana Cortat, co-fundadora da Hybrid CoLab – New Behaviour Driven e especialista na questão de equidade de gênero e diversidade na comunicação, também discorda do tom da campanha do Conar e reforça a responsabilidade da publicidade em propagar mensagens que colaborem com o melhor entendimento e evolução da sociedade. “O Conar poderia ter um importante papel agora, quando tanto precisa ser pensado e revisto. Essa não é uma campanha feliz por mostrar um afastamento preocupante de discussões, fundamentais para todos, relacionadas à construção de padrões e estereótipos e relacionadas à representatividade”, afirmou.
Procurada pelo Meio & Mensagem, a AlmapBBDO afirmou que o foco da peça jamais foi menosprezar os debates e discussões sobre representatividade e diversidade no âmbito da comunicação. “O objetivo da campanha era deixar claro o trabalho do Conar de tirar do ar o que é ofensivo e ilegal. Os exemplos usados trazem situações reais nos dias de hoje. A campanha faz parte de uma estratégia que vem sendo realizada há alguns anos e avançando dentro das possibilidades de uma instituição como o Conar, que cumpre uma função que nos parece importantíssima e razoavelmente complicada, que é a de regular a propaganda brasileira”, explicou Pernil, diretor de criação da AlmapBBDO.
Segundo o site, o Conar, por meio de sua assessoria de comunicação, afirmou que recebeu algumas denúncias contra sua campanha publicitária, mas que ainda não encontrou, em seu próprio estatuto, justificativas que o levem a acatar as denúncias e abrir processo contra sua própria mensagem publicitária. O M&M destaca que em 2002 e 2014 o Conar já julgou suas próprias campanhas. Nos casos, os conselheiros da entidade não acharam que as reclamações eram procedentes e arquivaram os processos.
