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Coluna Ozinil | Os legados: da Copa e da Olimpíada
07 de Fevereiro de 2017

Coluna Ozinil | Os legados: da Copa e da Olimpíada

As surpresas, em relação aos dois maiores eventos esportivos vividos pelo país, entre 2014 e 2016 não param. Quando achamos que já tínhamos visto tudo, algo mais surpreendente e inimaginável nos é mostrado. A capacidade de produzir fatos inadequados e que geram prejuízos monstruosos é inesgotável.

Em princípio parecia que o legado da Copa do Mundo teria como aspecto ruinoso apenas os três estádios construídos para inflar o ego de alguns governantes megalomaníacos; os estádios de Cuiabá, Manaus e Brasília. Não vou nem transitar pelos monotrilhos, acesso aos estádios, viadutos que desabaram. Penso que é mais razoável abordar o estádio Mário Filho, o nosso popular Maracanã.

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O que fizeram com o Maracanã é crime contra a história do futebol. Brigas entre cartolas e empresas componentes do consórcio administrador permitiram o roubo de máquinas e equipamentos, destruição das cadeiras de boa parte do estádio e a perda de toda a grama, importada, que tornava o Maracanã mais imponente ainda. Pensa que parou por aí?

Não! Este final de semana o Brasil tomou conhecimento de que o legado das Olimpíadas está sendo, aos poucos, destruído. O majestoso Parque Aquático, onde Michael Felphs quebrou seu recorde de medalhas, está transformado em criadouro de mosquitos; a bela tela produzida pela artista Adriana Varejão, que circundava a arena está destruída. Segundo informado, R$2 bilhões foi o custo de construção do complexo. Como somos um país rico e temos sobras de recursos entende-se a omissão das autoridades e do povo brasileiro.

O que leva um povo a tratar de forma tão inadequada seu patrimônio, seja ele cultural ou material? O que leva o país a produzir tanto desperdício em qualquer área que se analise? Obras inacabadas (creches, escolas, hospitais, estradas, pontes), material desperdiçado (remédios, alimentos) enfim, há um desperdício generalizado sobre as vistas de todos, que se indignam e em seguida esquecem. Basta olhar-se para o bem mais precioso da humanidade e constatar como o tratamos: a água! O Brasil é detentor das maiores reservas de água do mundo, mais precisamente 12% de toda a água existente. Como a tratamos? Informações veiculadas semana passada indicam que, apenas em 2048, teremos implantado em todo o país sistema de esgotamento sanitário que impedirá a contaminação dos mananciais de água. Se resistirmos até lá, veremos!

Ao tratarmos com tanto descaso, obras que são visíveis e pelas quais transitamos todos os dias, pode-se imaginar o tratamento que dispensaremos a este bem tão precioso como a água. A malemolência que caracteriza nosso povo é uma doença que carregamos desde sempre e, pelo jeito continuaremos a carregar infinitamente. 

Valha-nos a sorte e, que deus seja, realmente, brasileiro!

 

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