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Coluna Tônia Dutra | Prioridades na agenda mundial
14 de Junho de 2016

Coluna Tônia Dutra | Prioridades na agenda mundial

Estamos no mês de junho, período em que a questão ambiental fica em evidência. A agenda internacional em torno do desenvolvimento sustentável remonta à década de 1970, com a Conferência de Estocolmo (5 a 16 de junho de 1972). Naquele momento, a natureza já dava sinais de que não poderia ser tratada como fonte infinita de riquezas e, ao mesmo tempo, como depósito de resíduos poluentes, de modo inconsequente.

A partir da ideia de que era necessário promover um desenvolvimento que se sustentasse no tempo, em benefício da própria humanidade, mediante o aprendizado de dosar o uso dos bens da natureza (água, solo e subsolo, flora, fauna, atmosfera) conforme a condição de restabelecimento da mesma, vai-se difundindo a política internacional. De início com focos específicos, como a proteção de espécies ameaçadas e das florestas, proibição da emissão de determinadas substâncias em face à toxidade, se estendendo à abordagem de questões como o uso da energia nuclear e aos riscos transgeracionais das atividades humanas, quando consideradas na sua relação com a natureza.

Na Conferência conhecida como ”Rio 92” (ou “Eco 92”), realizada no Brasil (3 a 14 de junho de 1992), renovam-se as boas intenções. Mais de uma centena de países se faz presente, para deliberar sobre meio ambiente e desenvolvimento, biodiversidade e mudanças climáticas, propondo uma Agenda efetiva sobre o tema para o século XXI. São compromissos com uma revisão de paradigma, do modo de compreender e se relacionar com a natureza, passando os seres humanos da condição de proprietários para a condição de interdependentes.

Outros vinte anos se passaram. As pesquisas e evidências da influência humana sobre as mudanças climáticas e os efeitos perniciosos de determinadas práticas produtivas, como o uso intensivo de agrotóxicos, desmatamentos, monoculturas e elementos contaminantes do solo e da água, apresentadas e discutidas em 2012 (Conferência Rio + 20, de 13 a 22 de junho de 2012) vieram confirmar a urgência de adotar a sustentabilidade como prioridade.

O que significa eleger a sustentabilidade como prioridade? Significa que não há opção. Já não se trata de conciliar, em médio prazo, as necessidades de um determinado grupo humano em relação a outros mais industrializados, ou de preservar espécimes raras por amor à natureza.

A priorização chega até nós em 2015, como Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS. É urgente mobilizar esforços de todos os cidadãos que habitamos o planeta Terra, em torno dos seguinte desafios: erradicar a pobreza e a fome, boa saúde e bem-estar, educação de qualidade, igualdade de gênero, água limpa e saneamento, energia acessível e limpa, emprego digno e crescimento econômico, indústria inovação e infraestrutura, redução das desigualdades, cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção responsáveis, combate às alterações climáticas, vida debaixo d’água, vida sobre a terra, paz justiça e instituições fortes, parcerias em prol das metas.

Sustentabilidade não é questão para um dia, é preciso lembrar sempre. Fazer mais e melhor. O tempo urge. Estamos em débito com o planeta, e a cada ano que passa consumimos mais recursos do que a capacidade de recuperação da Terra. Significa, sim, que devemos ser justos, pacíficos, igualitários, tolerantes, colaborativos, generosos. Cada gesto de desamor nos torna mais e mais insustentáveis. A sustentabilidade não se limita a uma equação da física termodinâmica ou da biologia.  E, sobretudo, convém lembrar que sustentabilidade como prioridade é urgência humana, não do planeta.

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