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Coluna do Alexandre Amorim  | Fique de olho nas taxas
28 de Março de 2016

Coluna do Alexandre Amorim | Fique de olho nas taxas

Imagine que você tenha uma quantia para investir no mercado financeiro e decida ir ao banco pedir sugestões de produtos ao seu gerente (informação importante: lembre que o gerente trabalha para o banco – não para você – e que provavelmente ele vá indicar os produtos mais interessantes para quem o paga). O mais provável é que 99 entre 100 conversas desse tipo comecem por destacar a rentabilidade nominal das opções apresentadas. “O produto X rende 1% (ou 2% ou 3%) ao mês”, enfim.

Respire fundo e não limite sua avaliação das alternativas a essa única variável. Antes de mais nada entenda que qualquer investimento deve ser pensado a partir do seu perfil, das suas necessidades e dos seus objetivos. Quem busca estabilidade pode optar por papéis como os títulos públicos ou fundos pré-fixados. A opção pelos fundos multimercados é estratégia interessante de diversificação e, com riscos maiores, abre a possibilidade de ganhos também maiores. Leve em conta ainda a resposta a perguntas extras: por quanto tempo o dinheiro ficará aplicado?; qual a chance de uma eventualidade me obrigar a tirar o recurso da aplicação?; eu permanecerei tranqüilo se minhas aplicações apresentarem variações negativas muito expressivas em determinado período?

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Essas são questões pessoais, que variam de indivíduo para indivíduo. A análise deve ser complementada por características práticas de cada opção de investimento. Hoje vamos falar sobre fundos. No caso dos fundos de renda fixa, o mais importante não é a rentabilidade nominal apresentada. Em vez disso, é necessário acompanhar o retorno a partir do CDI. A pergunta a fazer é: qual o retorno em percentual do CDI dessa aplicação? A rentabilidade (já descontada a taxa de administração) deve ser de pelo menos 90% do CDI para o produto ser considerado bom.

Nos fundos ditos “passivos”, que acompanham uma variável pré-determinada (bolsa, inflação, dólar, entre outras), o conhecimento da taxa de administração é essencial. Como as alternativas de operação desses fundos são limitadas (os gestores compram papéis atrelados ao perfil pré-definido do fundo) os ganhos são uniformes. O ganho de dois fundos cambiais, por exemplo, vai ser um reflexo da variação do dólar. Se a taxa de administração de um dos fundos for de 0,5% e a do outro, de 1%, é fácil ver que o segundo investidor vai ter ganhos reais menores.

A taxa de administração perde importância quando a avaliação recai sobre os fundos “ativos”, aqueles que buscam entre as inúmeras opções disponíveis no mercado as melhores opções de investimento. Nesse caso, o essencial é verificar a rentabilidade do fundo e conhecer o perfil e o histórico do gestor. Como envolve um serviço ativo de busca de oportunidades, o que exige estudo, acompanhamento de variáveis e capacidade de análise para antever movimentos do mercado, a gestão desses fundos é melhor remunerada. Em contrapartida, o aplicador pode ter ganhos maiores se o gestor que contrata tiver sucesso em suas decisões. 

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