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Superficialidade – como saber muito pouco de muita coisa
22 de Fevereiro de 2016

Superficialidade – como saber muito pouco de muita coisa

Estamos diante de um momento impressionante quando o assunto é informação. Nunca houve tanta fluidez de dados sobre qualquer assunto. Nada se compara à força transformadora que a internet promove ao disponibilizar globalmente todo tipo de informação de forma ilimitada. Contudo, isso trouxe um efeito colateral assustador: a superficialidade.

Diante de tantas possibilidades, vemos cada vez mais a informação sendo compartilhada de forma fragmentada e sintetizada, tornando muito raro o momento em que alguém se envolve com todo o conteúdo disponibilizado, mesmo que este seja fruto de grande pesquisa e contenha dados relevantes para quem se interessa pelo assunto abordado.

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Há muito mais interesse em manchetes e subtítulos, fazendo com que editores se preocupem mais com as audiências apuradas em “curtidas” e “compartilhamentos” do que com a profundidade da matéria, comprometendo, inclusive, a veracidade da informação. Parece que agora o mais importante é ter a informação, mesmo que não se queira saber nada a respeito dela.

Se alguém acha que saber sobre algo é igual a ver muitas coisas, certamente é uma pessoa rasa e que gosta de parecer intelectual. Um verdadeiro generalista superficial.

As pessoas estão cada vez mais rasas em seus relacionamentos, se comunicando de forma fragmentada pelo Whatsapp e similares, buscando ansiosamente uma resposta imediata para questões absolutamente sem importância ou urgência. Isso traz profundas consequências na construção do conhecimento, pois fragiliza completamente a formação de um repertório que permita as conexões entre as informações, limitando totalmente as capacidades criativas e até cognitivas.

Será que precisaremos de uma grande ruptura cultural para que esse cenário se altere?

Talvez sim, mas não acredito isso seja suficiente.

Em primeiro lugar, devemos mudar nossa própria atitude. Devemos exigir mais profundidade em nossas relações interpessoais, sermos mais criteriosos nos “posts” que curtimos e que compartilhamos e, principalmente, temos que nos aprofundar e focar nas questões que acreditamos que são de nosso interesse legítimo. Caso contrário, estaremos condenados a continuar vendo um mundo cada vez mais caótico e neurótico, com pessoas agindo sem saber para quê.

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