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Coluna Ligia Fascioni | O escorpião e o cisne
28 de Fevereiro de 2011

Coluna Ligia Fascioni | O escorpião e o cisne

Por Ligia Fascioni 28 de Fevereiro de 2011 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

 

Ontem fui ver Bruna Sufirstinha, admito, por pura curiosidade, já que não li o livro (Doce veneno do escorpião) e nunca consegui entender o motivo de tanto sucesso (continuei não entendendo). A produção é bem feita e a história, bem contada. As cenas apelativas e até muito constrangedoras são bem colocadas para contextualizar a história. Deve ter sido bem difícil para a ariz.

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Li que o roteiro tem partes fictícias e não segue totalmente o livro, mas pelo que entendi, os argumentos da Bruna para ter virado garota de programa são bem furados. Sinceramente, penso que cada um faz o que quer da própria vida sem dever explicações sobre suas escolhas — justificar o que não carece de justificativa raramente dá certo. Só que em vários momentos do filme, a protagonista deixa claro que escolheu essa vida porque queria liberdade. Mas liberdade submetendo seu corpo aos desejos e vontades de estranhos? Achei meio contraditório.

De qualquer forma, talvez porque ainda estivesse bem impactada pelo Cisne Negro, vislumbrei um paralelo entre as duas histórias, que no fundo, são a mesma. Mulheres que têm a auto-estima debaixo do pé e querem, mais que tudo, ser amadas e admiradas. Para isso, torturam seu próprio corpo, machucam-se e ferem-se para o deleite de outras pessoas, no mais das vezes, perfeitas estranhas, que nem se dão conta do quanto custa isso.

A Nina do Cisne Negro esgotou-se a ponto de enlouquecer. Será que quem assistiu ao espetáculo onde ela dá literalmente tudo de si, soube valorizá-lo à altura de tanta dedicação? Será que os primeiros clientes que infringiram sofrimento à adolescente tinham noção do que ela estava sentindo? E as atrizes, de ambos os papeis, que devem ter ficado exauridas e passando mal?

Bem, essas mulheres estavam em suas posições por livre e espontânea vontade e ninguém tem nada com isso. Mas penso que resolver essa questão da auto-estima faria bem para ambas as personagens (na verdade, para todas as mulheres), independente da profissão que escolheram para ganhar a vida.

Quem não se ama, acaba dando o que não tem e ficando com um vazio enorme no lugar. E, pelo que tenho visto, dói muito.

Lígia Fascioni | www.ligiafascioni.com.br

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