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Quando o vinho entra em cena, o cinema fica mais refinado
22 de Maio de 2026

Quando o vinho entra em cena, o cinema fica mais refinado

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Por Jessie Lodi 22 de Maio de 2026 | Atualizado 22 de Maio de 2026

Imagem do topo: Divulgação Disney.

Existe algo de profundamente cinematográfico no vinho. Ele carrega tempo, lugar, memória, fracasso e conquista — tudo aquilo de que os melhores filmes são feitos.

Não é à toa que a bebida milenar inspirou alguns dos trabalhos mais marcantes dos últimos vinte anos, de comédias premiadas no Oscar a documentários indicados à Palma de Ouro em Cannes. Esta seleção reúne os cinco melhores títulos sobre vinhos segundo as notas do IMDb — obras que vão muito além da enologia para falar de amizade, obsessão, traição, identidade e o inescapável sabor amargo das escolhas que fazemos. Abra uma garrafa, acomode-se no sofá e deixe o vinho entrar em cena. Confira cinco filmes imperdíveis para quem aprecia uma boa taça — e uma boa história:

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Sideways – Entre Umas e Outras

O filme mais importante já feito sobre vinho — e sobre fracasso. Miles Raymond (Paul Giamatti) é um escritor frustrado e divorciado que leva o amigo Jack (Thomas Haden Church) numa road trip pelas vinícolas do Vale de Santa Ínez, na Califórnia, às vésperas do casamento dele. O que começa como uma semana de degustações se transforma numa jornada brutal de autoconhecimento. Alexander Payne usa o vinho como metáfora de tudo: do que amadurece com o tempo, do que azeda antes da hora, do que vale guardar e do que é melhor abrir logo. A cena em que Miles explica sua obsessão pelo Pinot Noir é um dos monólogos mais belos da história do cinema. O filme virou fenômeno e, segundo enólogos americanos, praticamente eliminou as vendas de Merlot nos EUA pela força de uma única fala. Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado. Ano 2004. Direção: Alexander Payne. Comédia/Romance. 2h 7min. Disponível no Disney+.

 

Somm

Um dos documentários mais tensos que você vai assistir — e o assunto é vinho. O diretor Jason Wise acompanha quatro sommeliers enquanto se preparam para o exame de Mestre Sommelier, um dos títulos mais difíceis do mundo: desde 1969, menos de 230 pessoas o conquistaram, numa taxa de aprovação de cerca de 10%.O filme revela o nível absurdo de exigência da prova, identificar uvas, regiões, safras e produtores apenas pelo olfato e pelo paladar, às cegas. Transforma o cotidiano de estudo e sacrifício desses candidatos numa narrativa de suspense genuíno. Para quem gosta de vinho, é um mergulho fascinante no universo dos especialistas. Para quem não gosta, é simplesmente um ótimo filme sobre obsessão e vocação. Ano 2012. Direção: Jason Wise. Documentário. 1h 33min. Disponível na Netflix.

 

Mondovino

Uma das críticas mais sofisticadas à globalização já registradas em tela — usando o vinho como fio condutor. Jonathan Nossiter percorre três continentes para investigar como o mercado mundial está homogeneizando sabores, apagando terroirs e concentrando poder nas mãos de poucos críticos e produtores multinacionais. No centro da narrativa estão figuras controversas como o crítico Robert Parker, cujo sistema de notas moldou o gosto global, e o consultor Michel Rolland, cuja influência atravessa continentes. De um lado, os grandes conglomerados; do outro, pequenas vinícolas familiares tentando preservar sua identidade. O vinho aqui é um espelho da luta entre o padronizado e o singular — uma discussão que vai muito além das adegas. Indicado à Palma de Ouro em Cannes. Ano 2004. Direção: Jonathan Nossiter. Documentário. 2h 15min. Disponível no Youtube.

 

O Julgamento de Paris

Baseado em fatos reais, o filme reconstitui um dos episódios mais importantes da história do vinho: o “Julgamento de Paris” de 1976, quando vinhos californianos — então vistos como inferiores — derrotaram os melhores rótulos franceses numa degustação às cegas organizada pelo britânico Steven Spurrier (Alan Rickman, impecável). O escândalo foi tal que a França demorou anos para aceitar o resultado. O roteiro acompanha a corrida da vinícola Chateau Montelena, às margens da falência, para preparar seu Chardonnay para a competição. É um filme sobre underdog, sobre preconceito enológico, e sobre como o mundo pode ser surpreendido quando as regras mudam. Divertido, leve e cheio de amor pelo Napa Valley dos anos 70. Ano 2008. Direção: Randall Miller. Drama, Comédia. 1h 50min. Disponível no Prime Video e Plex.

 

Sour Grapes

O documentário mergulha no caso de Rudy Kurniawan, um jovem indonésio que se infiltrou na alta sociedade americana de colecionadores de vinho e aplicou um dos maiores golpes da história do setor: vendeu aproximadamente 35 milhões de dólares em vinhos raros falsificados nas mais conceituadas casas de leilão dos Estados Unidos. O esquema era sofisticado — Kurniawan recolhia garrafas vazias de rótulos raríssimos, reenchia com vinhos mais baratos e recriava as etiquetas com maestria. O FBI só descobriu a fraude em 2012, quando um produtor de Borgonha percebeu que haviam sido leiloados vinhos de safras que sua adega nunca produziu. Um thriller real sobre vaidade, ganância e o snobismo do mercado de vinhos de luxo. Ano 2016. Direção: Jerry Rothwell e Reuben Atlas. Documentário. 1h26min. Disponível na Netflix.

Um brinde ao cinema com um bom vinho! Me conte nas redes sociais – @jessielodi – qual seu filme favorito sobre vinho? Envie sugestões de pauta para o e-mail [email protected].

Você também pode acompanhar análises e novidades no PODCAST CINEGIRLS, disponível no YouTube.

Até a semana que vem!

 

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