Em 1995 a Makron Books lançou no Brasil o livro “Um Mundo Sem Empregos” de Willian Bridges; a análise realizada mostra que o que serviu para a Revolução Industrial está, cada dia, mais obsoleto na sociedade pós-industrial. As regras que eram válidas para a industrialização não mais se aplicam ao momento tecnológico e econômico que a humanidade enfrenta atualmente.
Não é mais possível o engessamento do trabalho em regras fixadas em meados do século XX. O que era uma garantia para o trabalhador em épocas passadas não serve mais para nada a não ser para manutenção do atraso em que se inserem alguns países fruto de seu direcionamento rumo ao passado. Segundo Bridges é fundamental aos trabalhadores do futuro identificarem suas habilidades e desenvolverem novas habilidades para manter-se como um ativo necessário àquelas empresas que continuarão fazendo a diferença. Em 1995 Bridges já alertava para a “deslocalização do trabalho”, o caráter temporário de algumas atividades e a flexibilidade de horários. O trabalho no qual fomos educados e treinados não mais existe, logo as regras devem mudar.
Em 2025, Bill Gates, em declaração à imprensa diz que em 10 anos a maioria das atividades humanas deverão se tornar obsoletas e serão substituídas pela IA. As áreas mais atingidas, segundo ele, serão as da Educação e médica. Para corroborar tal afirmativa a Universidade de Harvard acaba de divulgar um estudo em que faz a comparação, em setor de emergência de hospital americano, entre os diagnósticos feitos por médicos versus IA. Resultado: a IA é mais assertiva com 67% de acertos contra 55% dos médicos e, em relação ao tratamento prescrito, foi de 89% contra 39% dos médicos. A conclusão mostra que a rapidez das decisões e a conexão de padrões fazem a diferença. O estudo mostra que, futuramente, a atuação entre médicos e IA será uma constante.
Ao mesmo tempo que a IA cresce e elimina empregos mudando o perfil do trabalhador e do trabalho, Elon Musk sugere a criação de um fundo financeiro para fornecer o que ele chama de Renda Alta Universal para os trabalhadores que venham a ser desalojados de seus empregos pela IA. Segundo ele a produção feita pela IA será plena e permitirá o abastecimento da sociedade sem inflação o que permitirá a criação deste fundo.
Já Bill Gates sugere a criação de impostos para os robôs similares aos existentes para os trabalhadores atuais que abasteceria o fundo proposto e sustentaria os trabalhadores desempregados. Além de defender que sejam criados cursos de retreinamento para as novas exigências do mercado. Enfim, a discussão está apenas começando e, o Brasil, como sempre atrasado e discutindo algo que não deveria nem estar na pauta já que, no governo Temer nas suas andanças pela legislação trabalhista, já estabeleceu a que a livre negociação entre as partes prevalece sobre a legislação ordinária. Mas, o Brasil como vanguarda do atraso se supera, principalmente em épocas eleitorais.
Em horas assim, em que somos obrigados e entender que a cabeça é redonda para o pensamento mudar de direção, fico a imaginar, como professor que fui e sou, como será a atuação dos professores, em sala de aula, para motivar seus alunos no processo ensino – aprendizagem? Em um mundo em que a única certeza é a incerteza ser professor é um dos desafios de Hércules!

Foto: Magnific
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