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Coluna Ozinil Martins | O Estado paternalista e o brasileiro
24 de Abril de 2026

Coluna Ozinil Martins | O Estado paternalista e o brasileiro

Entre críticas e contradições, comportamento coletivo revela distanciamento das responsabilidades cidadãs

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 24 de Abril de 2026 | Atualizado 24 de Abril de 2026

Tenho um amigo que diz “o Brasil não tem perigo de dar certo.” Quando se parte para a análise de como funciona a cabeça do povo brasileiro deparamo-nos com uma verdade: o brasileiro é viciado em Estado!

Queremos que o Estado faça as coisas de maneira correta, mas não queremos nos envolver com nada. Começa com qualquer eleição; votamos e entendemos que nosso papel foi cumprido. Um mês depois das eleições não nos lembramos em quem votamos e, nem pensar em fiscalizar o que fazem nossos políticos. Fiscalizar não é nosso papel!

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Queremos segurança para andar nas ruas, em qualquer hora e lugar, mas se a Polícia no cumprimento de sua missão constitucional for rígida, caem sobre ela todas as críticas do mundo e, os policiais acabam tendo que assumir, de seu próprio bolso, os custos com sua defesa se isto for exigido.

Queremos que as escolas funcionem adequadamente e nossos filhos sejam bem-preparados para enfrentar um mundo em mudanças, mas quando tenho que fazer a minha parte, comparecer as escolas nas reuniões em que se discute o que interessa de fato a disponibilidade de tempo me impede de ir ou quando tenho que ajudar meus filhos nos deveres de casa nunca há tempo para isto. Enfim, como diz o Presidente, é mais fácil responsabilizar o professor.

Criticamos a falta de honestidade de nossos políticos e dirigentes, mas se pudermos violar algum princípio em benefício próprio, mesmo que ilegal, o fazemos. Escândalos se sucedem e o que vemos é um povo inerte esperando o próximo golpe de que será vítima. Quando o ex-prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, instituiu a política de tolerância zero no combate aos crimes de pequena monta, a criminalidade despencou. Isto valia para jogar lixo nas ruas, pequenas contravenções e por aí afora. Em Terra Brasilis tudo é tolerado e minimizado em função de direitos individuais ou da sociedade malvada.

Quando acompanhamos o desastre que é a gestão das empresas estatais e nada fazemos a conivência fica explícita. Prejuízos milionários sobre prejuízos e os apaniguados políticos revezando-se na gestão do que nada entendem. É impressionante a capacidade de alguns políticos de conduzirem ora a gestão da saúde, ora da Educação e, talvez, a da energia nuclear. Há políticos que já passaram por “n” pastas deixando uma trilha de destruição e, continuam sendo eleitos. Parodiando o Ministro Gilmar Mendes “que Deus se apiede do Brasil!”

Para acomodar toda esta gente que, como moscas varejeiras, vicejam ao redor do poder, o Brasil, segundo a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – tem 418 empresas estatais (dados de 2019). Tem muitos cabos eleitorais precisando de empregos.

Lembrando ao escritor Lima Barreto que disse, em 1922, que o Brasil não tem povo, tem público, se estiver nos lendo que nada mudou, a passividade do povo continua a mesma, agora alimentada pelas bolsas famílias da vida.

Foto: Pexels

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