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Coluna Ozinil Martins | Educação e ideologia!
08 de Abril de 2026

Coluna Ozinil Martins | Educação e ideologia!

Entre memorização, política e lacunas estruturais, o futuro da educação é questionado

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 08 de Abril de 2026 | Atualizado 08 de Abril de 2026

Como o país vive tempos exponenciais, o tema sobre Educação e ideologia que nem deveria ser abordado, torna-se o foco da coluna. A Educação tem um só objetivo; a partir dos conhecimentos acumulados pela humanidade em todas as áreas do saber, conhecimento este disponível para qualquer pessoa que deseje aprimorar-se, o objetivo primordial da Educação é ensinar as pessoas a pensar.

Partindo desta premissa as aulas deveriam ser moldadas a instigar os estudantes a buscar e desenvolver, a partir dos conhecimentos disponíveis, novos conhecimentos, pois só assim, o processo educacional se justifica. Não é o que acontece normalmente. O modelo educacional que prevalece no Brasil é o sistema de memorização, a popular “decoreba”, que não gera novos conhecimentos, nem ensina a pensar.

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Os professores, moldados no ensino a partir de cursos de Pedagogia nas faculdades espalhadas pelo país e, exceções à parte, sem grandes compromissos com qualidade, chegam às salas de aula mal preparados e sem as condições de exercerem o papel que deles se espera para os tempos trepidantes que vivemos, onde a velocidade das mudanças supera em muito a baixa atratividade da aula que está sendo ministrada.

Evidente que as consequências para a Educação e o futuro do país são nefastas. Alunos que deveriam estar alfabetizados até o 2º ano do Fundamental I, em 2024, somavam 59% do total previsto, a desistência no Ensino Médio atingiu a 6% dos matriculados e o Ensino Superior transforma-se em gerador de analfabetos funcionais. Sem considerar os nem-nem, não trabalham nem estudam, totalizando 10 milhões de brasileiros segundo dados do próprio Ministério do Trabalho. Óbvio que com este quadro não seria errado prever um futuro com sérias dificuldades.

Não bastasse este quadro extremamente complicado e, sem perspectivas de melhoria no curto prazo, pois exemplos de países, Vietnã e Polônia, mostram que as mudanças apresentam resultados a partir de 20 anos da implantação, há que se conviver com a política dentro das salas de aulas. A famosa ideologia que substitui as aulas de professores engajados com suas preferências partidárias.

Quando jovem e estudante, lá pelos idos 60 do século passado, nunca vi ou ouvi um comentário de qualquer professor sobre política. O foco sempre foi no conteúdo programático das disciplinas. As escolas tinham seus Grêmios Estudantis onde se discutia política estudantil e, principalmente nos anos que antecederam a 64, sobre as consequências de como o que acontecia afetaria nosso futuro. O Grêmio Estudantil Monte Alverne, do Colégio Bom Jesus em Curitiba, cumpriu seu papel em esclarecer e orientar, nunca doutrinar.

O que se observa nos tempos atuais, é o que preconizava nos anos 70, o ministro da Educação de Cuba: “Toda Educação tem um viés classista, nenhum sistema promove uma Educação na contramão de seus interesses. Educar não se limita a instruir e informar. Implica na formação total do homem… seu caráter…. sua essência.” (Kozol 1978). Assim pensam e agem os governos autoritários!

Foto: Freepik

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