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Coluna Ozinil Martins | A mediocridade como fim!
01 de Abril de 2026

Coluna Ozinil Martins | A mediocridade como fim!

''O pior empregado que existe em uma empresa é o médio ou medíocre''

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 01 de Abril de 2026 | Atualizado 01 de Abril de 2026

A semana recém finda foi rica em informações sobre a Educação. Pedra angular do desenvolvimento de qualquer povo, em Terra Brasilis, teimamos em ter um discurso diferente da prática.

Se a Educação faz a diferença? Basta prestar atenção em dois países para responder a este questionamento; a Polônia saindo de um regime autoritário e que se transforma em potência europeia a partir da priorização dada a Educação em seus planejamentos de Estado e, o Vietnã que, depois de um longo e nefasto episódio de guerras (França e EUA), a partir do investimento em Educação básica, vê o crescimento econômico começar a transformar o país. São só dois exemplos entre tantos que seriam possíveis elencar.

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Em discurso feito na semana passada o Presidente da República transfere aos professores a responsabilidade pelos péssimos níveis educacionais do país. Se a criança não aprende é porque o professor não sabe ensinar, logo o sistema nada tem a ver com isto. Simples assim e a responsabilidade, que é do Estado passa a ser individualizada. Só para refrescar a memória dos que nos acompanham vale relembrar que os estudantes com as notas mais baixas no Enem direcionam-se à Pedagogia; a formação básica, da maioria dos estudantes de Pedagogia é feita na modalidade EaD com forte apoio na parte teórica, mas com deficiências na área prática e, isto não é de ouvir falar, eu vi.

Também é importante lembrar que a leitura de livros, que tem forte poder educacional, é desconsiderada pelo povo brasileiro em geral. O brasileiro lê, em média, entre 2 a 4 livros por anos e a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” indica que, 50% dos professores leem um livro a cada 3 meses. Consequências? Basta caminhar pelas ruas para ver as ações praticadas pelos caminhantes.

Professor com formação inadequada para os tempos atuais, alunos desinteressados pelos métodos de ensino praticados, sala de aula do século XIX, professor do século XX e alunos do século XXI, a consequência óbvia é a que vemos e, o país sente, Educação ladeira abaixo. Alunos passando de ano mesmo com reprovação em várias disciplinas e os alunos do Ensino Médio sendo cooptados por mesadas financeiras para concluir seus estudos. Assim o futuro do país fica, a cada dia, comprometido.

Um caso específico chamou a atenção dos que tem a Educação como pauta permanente; o estudante Luiz Henrique Etechebere Bessa de 18 anos está processando a Fuvest/USP por ter zerado a redação no vestibular realizado em 2026. Segundo três avaliadores o estudante fugiu do tema da redação, mas há uma versão de que, e isto fundamenta o processo, o estudante usou uma linguagem extremamente rebuscada e não usual. Esperar o resultado do processo para concluir se, usar palavras que fujam do gutural e obriguem as pessoas a pensar, não serão motivos de processos futuros por tornar estas pessoas diferentes e que estejam praticando atos contra aqueles que falam guturalmente e não sabem ler e escrever. Talvez, até portar um livro ou começar a ler em um ônibus qualquer venha a ser motivo de prisão para o desafiante da cultura atual.

Para concluir lembro um comentário que fazia em minhas aulas. O pior empregado que existe em uma empresa é o médio ou medíocre; ele não é suficientemente bom para ser promovido e não é ruim o suficiente para ser despedido, mas ocupa um espaço e impede que outros mais interessados venham a ocupar este espaço. O Brasil está caminhando, aceleradamente, para onde nunca deixou de estar, a mediocridade!

Foto de 2y.kang na Unsplash

 

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