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Coluna Carreira | O Desafio do Etarismo e o Valor das Equipes Multigeracionais
18 de Março de 2026

Coluna Carreira | O Desafio do Etarismo e o Valor das Equipes Multigeracionais

O Valor das Equipes Multigeracionais na Era da IA

Por Prof Jonny 18 de Março de 2026 | Atualizado 18 de Março de 2026

Imagem criada pelo colunista com uso do Gemini

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Você consegue imaginar estar no auge da sua capacidade técnica, trabalhando com inovações de ponta, e de repente ser escanteado apenas para dar lugar a profissionais mais jovens e com menos experiência? Foi exatamente o que aconteceu com John Johnson, um engenheiro sênior da gigante aeroespacial SpaceX. Contratado aos 58 anos, ele relatou ter sido progressivamente destituído de suas responsabilidades, sendo estas passadas a engenheiros mais jovens e menos qualificados, muitos dos quais ele tinha sido responsável por treinar [1].

A sensação de se tornar ‘descartável’ no auge da competência não é uma exclusividade do setor aeroespacial, é um fantasma que assombra o mercado como um todo e reflete um medo muito próximo de todos nós. Afinal, você já sentiu a necessidade de omitir sua idade por receio de perder uma oportunidade profissional? Ou já subestimou a capacidade de alguém apenas por causa dos cabelos brancos? O etarismo é um preconceito silencioso que sabota o mundo do trabalho e, ironicamente, pune a única minoria da qual todos nós, se tivermos sorte, faremos parte um dia. Apesar de frequentemente ser disfarçado de “brincadeira”, o etarismo tem impactos drásticos e atinge diferentes gerações. Segundo o G1, essa discriminação afeta diversos profissionais, reduzindo oportunidades e minando a confiança de talentos. A idade biológica transformou-se em um filtro invisível e cruel nas decisões corporativas [2].

Como exemplo das transformações pelas quais passa a sociedade, um estudo citado pela Forbes, nos Estados Unidos estimasse que 25% dos trabalhadores terão mais de 55 anos em 2028. Neste sentido, a matéria ressalta que esse viés prejudica a jornada profissional e precisa ser repensado urgentemente. Com uma força de trabalho cada vez mais madura, manter filtros baseados na idade cria barreiras sistêmicas para o avanço de carreira e desvaloriza a entrega real do profissional [3].

O mais grave é a complacência do mercado, que aceita essa exclusão como algo natural. Este artigo, publicado no The Guardian, revela que o preconceito de idade é espantosamente tolerado, sendo frequentemente a forma de discriminação menos combatida pela sociedade e pelas empresas, o que torna sua erradicação um desafio urgente [4].

Isso se traduz em exclusão severa e perda de talentos. Um artigo publicado pela McKinsey aponta que profissionais maduros enfrentam o desalento e longos períodos fora do mercado, muitas vezes por não se encaixarem nos moldes e algoritmos de recrutamento atuais que ignoram o imenso valor de sua resiliência e experiência acumulada. Como exemplo, a pesquisa abordando pessoas com 45 anos ou mais em sete países, incluindo o Brasil, apontou que 63% estavam desempregadas há mais de um ano, em comparação com 36% entre as pessoas de 18 a 34 anos [5]. Além do aspecto social, será que é possível avaliar o impacto econômico que esta tendência pode gerar? Será que, inconscientemente, a sua equipe não está perdendo inovação por focar apenas na juventude?

Sobre isto, a matéria mencionada da Forbes aponta que custo de ignorar essa diversidade: excluir a força de trabalho madura gera um prejuízo enorme. Segundo dados apresentados, a discriminação por idade custa à economia dos EUA 850 bilhões de dólares por ano, um valor impressionante que poderá chegar a 3,9 trilhões de dólares em 2050 [3]. Portanto, a diversidade geracional não é caridade, mais sim pura inteligência competitiva.

O Valor das Equipes Multigeracionais na Era da IA

Várias iniciativas demonstram que as habilidades dos colaboradores mais experientes tendem a ser aquelas que as tecnologias de IA não conseguem replicar ou substituir, o que, sem dúvida, as torna ainda mais valiosas. Neste cenário, a maturidade profissional deixa de ser obsolescência e passa a ser o maior diferencial competitivo de uma empresa [6]. À medida que sistemas avançados e algoritmos assumem cada vez mais as tarefas operacionais e de processamento rápido, o mercado passa a exigir habilidades estritamente humanas: julgamento crítico, resiliência em crises e visão sistêmica. A análise destaca que as competências interpessoais e de resolução de problemas dos profissionais mais experientes são o complemento perfeito para a fluência digital dos mais jovens, criando uma força de trabalho imune à automação total. Sendo assim, para empresas que adotarem esta estratégia, as perspectivas são promissoras tanto para os trabalhadores mais experientes como seus empregadores. Em outras palavras, as equipes multigeracionais fornecem às suas organizações uma reserva de talentos ampla e diversificada.

Apesar do cenário de etarismo existir, também já há a tendência de certas organizações mais inovadoras fazerem o movimento inverso de forma estrutural. Uma análise de 2024, do Fórum Econômico Mundial (WEF), sobre a “Economia da Longevidade” revela que o mercado está sendo forçado a abandonar os modelos tradicionais de descarte de seniores. Mais do que apenas preencher vagas temporárias, o relatório destaca que as empresas e a sociedade precisam urgentemente redefinir o que significa a aposentadoria, criando modelos focados em reter talentos produtivos por muito mais tempo. Os líderes globais perceberam que permitir que a população madura continue engajada de forma significativa no trabalho é a estratégia mais segura para proteger os negócios e garantir a resiliência corporativa [7].

Independente de medidas de governos ou empresas, sempre haverá a oportunidade de ação do indivíduo, primeiro tomando consciência quanto à relevância do problema, percebendo atitudes ou palavras, muitas até inconscientes (suas ou de outrem), e agindo para reverter esta mentalidade que se instaura. O combate ao etarismo começa nas nossas escolhas diárias e na nossa mesa de trabalho. Na próxima vez que for avaliar um currículo ou delegar um projeto, desafie ativamente seus preconceitos sobre a “idade ideal”. O futuro da sua carreira e a longevidade do seu sucesso dependem de um mercado que valorize a competência, independentemente do ano de nascimento. Se este texto puder colaborar como ponto de partida, terá cumprido sua função.

 

Grato pela leitura. Nos encontramos no próximo artigo!

 

Abraço, Jonny

 

Fontes
1- Ex-engineer files age discrimination complaint against SpaceX [The Guardian, 2022]
2-Etarismo: discriminação por idade não atinge somente os mais velhos e antecede violência contra idosos [G1, 2023]
3-The Ageism Crisis: It’s Time For A Workforce Revolution [Forbes, 2024]
4-Ageism is the least-challenged form of discrimination – but it can be fought [The Guardian, 2023]
5-The economic impact of ageism. [McKinsey, 2021]
6- Prospects Are Bright For Older Workers—And Employers Who Hire Them [Forbes, 2024]
7- Longevity Economy Principles: The Foundation for a Financially Resilient Future. [WEF, 2024]

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