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Santa Catarina precisa governar sua imagem nacional
11 de Março de 2026

Santa Catarina precisa governar sua imagem nacional

Reputação não é propaganda. É consequência de comportamento coletivo. Governar a imagem de Santa Catarina significa alinhar discurso e prática

Por Giuliano Thaddeu 11 de Março de 2026 | Atualizado 11 de Março de 2026

Imagem produzida pelo colunista com apoio da Gemini.

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Santa Catarina é, indiscutivelmente, um dos estados mais eficientes do Brasil. Cresce acima da média nacional, atrai investimentos, recebe novos moradores de todas as regiões e se consolida como um dos principais polos de inovação, indústria e qualidade de vida do país. Ainda assim, quando o estado aparece na agenda nacional, muitas vezes é associado a episódios de intolerância, racismo, xenofobia e radicalização política.

Esse contraste revela a presença de inúmeros preconceitos, mas também um problema que não foi enfrentado com profissionalismo e união de esforços: Santa Catarina ainda não governa sua imagem nacional.

Estados, cidades e regiões disputam não apenas recursos, mas confiança. Reputação tornou-se um ativo de competitividade. Influencia decisões de investimento, atração de talentos, turismo, parcerias internacionais e até a capacidade de mobilizar cooperação em momentos de crise. Não é marketing. É uma questão de desenvolvimento.

Nos últimos anos, episódios isolados ganharam repercussão nacional e reforçaram estigmas que não correspondem à complexidade do estado. Nenhuma sociedade está imune a comportamentos inaceitáveis. A diferença está na forma como se reage a eles. Ignorar, relativizar ou reagir de forma defensiva apenas amplia a caricatura. Por outro lado, também não podemos aceitar que exceções definam a identidade coletiva.

O projeto Catarinenses (www.catarinenses.com.br), que a Critério conduziu ouvindo a população em todas as regiões, revelou uma sociedade em transformação, mais diversa, mais aberta e menos fechada do que a imagem construída externamente.

Reputação não é propaganda. É consequência de comportamento coletivo. Governar a imagem de Santa Catarina significa alinhar discurso e prática. Significa fortalecer educação, cultura de convivência, instituições, ambiente empresarial e espaços públicos que incentivem respeito e cooperação. Significa respeitar a essência deste estado, mas implementar estrategicamente um conjunto de ações que permita revelar sua integralidade.

É verdade que poucos estados no Brasil tratam esse tema de forma estruturada. As urgências do cotidiano são muitas, os desafios são concretos e as agendas são extensas. Coordenar uma visão ampla, envolvendo múltiplos atores, é complexo. Talvez por isso essa discussão quase nunca aconteça. Mas a complexidade não elimina a necessidade, ela a torna ainda mais estratégica.

Antes que alguém apressadamente comece a apontar dedos, essa agenda não pertence a um governo. É uma agenda de estado. Envolve setor público, empresas, universidades, imprensa, o brilhante ecossistema de comunicação catarinense e sociedade civil. Envolve também reconhecer que, em um ambiente digital radicalizado, qualquer episódio local pode se transformar em narrativa nacional em poucas horas.

Talvez tenha chegado a hora de reunir todos esses atores, com franqueza e espírito público, para um debate aberto sobre identidade, valores e posicionamento do estado.

O catarinense merece ser visto como realmente é. E falo isso como alguém que adotou Santa Catarina como seu lar com amor e respeito.

No mundo da reputação, assim como no político, não existe vácuo. Se abrirmos mão de contar a história, alguém irá contá-la por nós. E essa é uma decisão que não podemos terceirizar.

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