Imagem produzida pela Colunista com apoio do Chat GPT
Na mídia, assim como na fotografia, o enquadramento define o que ganha destaque e o que fica fora da cena. Aquilo que parece óbvio sob um determinado ponto de vista pode assumir outro significado quando mudamos a lente.
No dia a dia do planejamento de mídia, é natural que a gente se conecte com aquilo que faz parte da nossa própria rotina. Os caminhos que percorremos, os meios que consumimos, os formatos que reconhecemos com facilidade. Essa familiaridade traz conforto. Mas nem sempre traz resultado.
Nem toda mídia que a gente vê é, necessariamente, a que mais impacta.
E nem toda mídia que funciona faz parte do nosso repertório cotidiano.
O comportamento do consumidor está cada vez mais fragmentado, diverso e menos previsível. As pessoas transitam por múltiplos ambientes, alternam telas, formatos e momentos de atenção ao longo do dia. Diante desse cenário, pensar estratégia exige ir além do que é familiar, confortável ou óbvio.
É nesse ponto que entra o papel da mídia: ajudar a trocar o enquadramento.
Sair do olhar individual e colocar em foco o comportamento coletivo. Menos sobre onde nós estamos e mais sobre onde o público realmente está. Menos reconhecimento pessoal, mais impacto real.
Outro desafio recorrente nesse processo está nas generalizações. Frases como “ninguém mais vê TV”, “ninguém ouve rádio” ou “ninguém presta atenção em outdoor” surgem com frequência e quase sempre dizem mais sobre a experiência individual de quem fala do que sobre o consumo real de mídia.
O consumo não desaparece. Ele se transforma, se fragmenta e se redistribui.
E cada meio segue tendo relevância quando analisado dentro do contexto certo, para o público certo e no momento certo.
Planejamento de mídia não é sobre gosto pessoal nem sobre absolutos.
É sobre comportamento, contexto e estratégia.
Muitas vezes, a mídia mais eficiente é justamente aquela que não percebemos, não porque ela não esteja funcionando, mas porque não fazemos parte daquele fluxo, daquele território ou daquele hábito de consumo. A estratégia não precisa nos representar para ser eficaz.
Quando as decisões se baseiam apenas no que reconhecemos com facilidade, o risco não está em errar por intenção, mas em limitar o potencial da comunicação. A verba tende a se concentrar onde há familiaridade, não necessariamente onde há oportunidade. A frequência se constrói para quem valida, não para quem consome.
Trocar a lente não significa desconsiderar percepções individuais. Significa entendê-las como parte de um cenário maior. É um exercício constante de empatia estratégica: sair do próprio trajeto para compreender o caminho do outro.
No fim, planejar mídia é isso:
Entender que nem sempre o que é familiar para nós é o que realmente funciona para o público.

