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Você foi surpreendido com o resultado do Enamed? Eu não!
28 de Janeiro de 2026

Você foi surpreendido com o resultado do Enamed? Eu não!

''As razões são inúmeras, mas vamos abordar apenas algumas que entendo são as mais importantes''

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 28 de Janeiro de 2026 | Atualizado 01 de Fevereiro de 2026

A divulgação pelo MEC dos resultados do Enamed provocou baixa repercussão na imprensa brasileira. Os baixos índices apresentados pelos estudantes de medicina e as notas recebidas pelas Universidades/Faculdades de medicina surpreenderam, apenas, os desavisados e aqueles que não querem ver.

Em 2014 a imprensa publicava uma notícia que gerou os mesmos murmúrios que hoje ouvimos. 60% dos médicos formados em São Paulo e que fizeram o exame comprobatório do CREMERSP foram reprovados; destes 70% tem sua origem em Universidades/Faculdades privadas e 30% em públicas. O que assustou na época foram detalhes fornecidos, tais como: não sabem diagnosticar, receitam indevidamente e conduzem os pacientes a situações críticas.

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Passados 12 anos da constatação do CREMERSP o problema perdura e agora com agravantes. O exame teve caráter nacional e dos 351 cursos avaliados somente 49 obtiveram a nota máxima (5) sendo preocupante os 24 cursos com nota 1 e 83 cursos com nota 2.

A Organização dos Advogados do Brasil – OAB – conhecendo o problema há mais tempo, aplica, anualmente, o exame para os bacharéis formados em Direito e só fornece a autorização para advogarem aos que forem aprovados. Historicamente, ano após ano, os índices de reprovação são muito altos.

Importante ressaltar que são cursos longos e com elevados custos a seus estudantes e, não podemos esquecer que se outros cursos como Engenharias, Biomedicina, entre outros, fizessem os mesmos exames após a conclusão dos cursos não seria de estranhar que o índice de reprovação fosse significativo.

As razões são inúmeras, mas vamos abordar apenas algumas que entendo são as mais importantes. Tudo começa com a Educação de base. Os indicadores que hoje são dados a conhecer mostram falhas sérias na formação dos estudantes dos níveis I e II do fundamental e se consolidam nos péssimos resultados do Ensino Médio.

Estudantes que deveriam estar alfabetizados até o 2º ano do fundamental I (crianças com até 8 anos de idade), não o estão; o indicador mostra que, em 2024, apenas 59% apresentavam domínio sobre esta habilidade e, pior, a meta estabelecida pelo MEC é que se atinja 64% até 2025 e 80% até 2030. Não se fala em indicador de 100% alfabetizados. Significa um pacto com a mediocridade!

Outro ponto a ser citado é a transformação das Universidades/Faculdades, principalmente as federais, em laboratórios de desenvolvimento de adeptos de ideologias e pautas que questionam tudo que aí está e foi construído ao longo do tempo. Verdade que nos cursos técnicos esta influência é minimizada, mas existe.

A ser considerar, também, o marasmo com que o MEC e as autoridades da Educação atuam no sentido de adequar cursos, ementas, à velocidade dos tempos atuais. Enquanto o mundo gira na velocidade dos drones, a Educação no Brasil ainda está caminhando na velocidade dos carros de boi. Na verdade vivemos de espasmos e “slogans”; o último e mentiroso foi o “Universidade para Todos.” Calcado sobre o financiamento estudantil – FIES – acabou gerando estudantes e avalistas endividados (60% é a inadimplência), criação de instituições educacionais de 2ª linha e os donos destas, cada vez mais ricos e sem riscos.

A Educação, base lapidar do desenvolvimento das nações, exige ser definida como prioritária. A Polônia é um bom e atual exemplo!

Foto de National Cancer Institute na Unsplash

 

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