A divulgação pelo MEC dos resultados do Enamed provocou baixa repercussão na imprensa brasileira. Os baixos índices apresentados pelos estudantes de medicina e as notas recebidas pelas Universidades/Faculdades de medicina surpreenderam, apenas, os desavisados e aqueles que não querem ver.
Em 2014 a imprensa publicava uma notícia que gerou os mesmos murmúrios que hoje ouvimos. 60% dos médicos formados em São Paulo e que fizeram o exame comprobatório do CREMERSP foram reprovados; destes 70% tem sua origem em Universidades/Faculdades privadas e 30% em públicas. O que assustou na época foram detalhes fornecidos, tais como: não sabem diagnosticar, receitam indevidamente e conduzem os pacientes a situações críticas.
Passados 12 anos da constatação do CREMERSP o problema perdura e agora com agravantes. O exame teve caráter nacional e dos 351 cursos avaliados somente 49 obtiveram a nota máxima (5) sendo preocupante os 24 cursos com nota 1 e 83 cursos com nota 2.
A Organização dos Advogados do Brasil – OAB – conhecendo o problema há mais tempo, aplica, anualmente, o exame para os bacharéis formados em Direito e só fornece a autorização para advogarem aos que forem aprovados. Historicamente, ano após ano, os índices de reprovação são muito altos.
Importante ressaltar que são cursos longos e com elevados custos a seus estudantes e, não podemos esquecer que se outros cursos como Engenharias, Biomedicina, entre outros, fizessem os mesmos exames após a conclusão dos cursos não seria de estranhar que o índice de reprovação fosse significativo.
As razões são inúmeras, mas vamos abordar apenas algumas que entendo são as mais importantes. Tudo começa com a Educação de base. Os indicadores que hoje são dados a conhecer mostram falhas sérias na formação dos estudantes dos níveis I e II do fundamental e se consolidam nos péssimos resultados do Ensino Médio.
Estudantes que deveriam estar alfabetizados até o 2º ano do fundamental I (crianças com até 8 anos de idade), não o estão; o indicador mostra que, em 2024, apenas 59% apresentavam domínio sobre esta habilidade e, pior, a meta estabelecida pelo MEC é que se atinja 64% até 2025 e 80% até 2030. Não se fala em indicador de 100% alfabetizados. Significa um pacto com a mediocridade!
Outro ponto a ser citado é a transformação das Universidades/Faculdades, principalmente as federais, em laboratórios de desenvolvimento de adeptos de ideologias e pautas que questionam tudo que aí está e foi construído ao longo do tempo. Verdade que nos cursos técnicos esta influência é minimizada, mas existe.
A ser considerar, também, o marasmo com que o MEC e as autoridades da Educação atuam no sentido de adequar cursos, ementas, à velocidade dos tempos atuais. Enquanto o mundo gira na velocidade dos drones, a Educação no Brasil ainda está caminhando na velocidade dos carros de boi. Na verdade vivemos de espasmos e “slogans”; o último e mentiroso foi o “Universidade para Todos.” Calcado sobre o financiamento estudantil – FIES – acabou gerando estudantes e avalistas endividados (60% é a inadimplência), criação de instituições educacionais de 2ª linha e os donos destas, cada vez mais ricos e sem riscos.
A Educação, base lapidar do desenvolvimento das nações, exige ser definida como prioritária. A Polônia é um bom e atual exemplo!
Foto de National Cancer Institute na Unsplash
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