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Não representa! Não representa! Não representa!
19 de Novembro de 2025

Não representa! Não representa! Não representa!

O ato, praticado por uma torcedora, é abominável, indefensável e criminoso

Por Giuliano Thaddeu 19 de Novembro de 2025 | Atualizado 19 de Novembro de 2025

Imagem: Autoria do Colunista com apoio do Chat GPT

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O episódio de racismo e xenofobia registrado em vídeo na Ressacada, em Florianópolis, durante a partida entre Avaí e Remo, mobilizou o noticiário, a sociedade e as mídias digitais.

É praticamente impossível que você não tenha visto. O ato, praticado por uma torcedora, é abominável, indefensável e criminoso — e é assim que está sendo tratado pelas autoridades.

Contudo, todos temos o dever de traçar uma linha clara entre o crime individual e a reputação coletiva.

Poucas práticas são tão corrosivas à reputação de pessoas, instituições, empresas e lugares quanto a generalização. Em tempos de tribunal digital, perseguições políticas e reações automáticas, engaja mais carimbar comunidades inteiras do que fazer a reflexão correta sobre a responsabilidade individual.

Foram necessários poucos minutos para que surgissem, por todos os cantos, opiniões como “os catarinenses são assim” ou “só podia ser lá mesmo”.

Acompanhei de perto um episódio que caminhou pela mesma estrada no Rio Grande do Sul, em 2023, quando foram identificadas condições absurdas em um alojamento de trabalhadores que atuavam na safra da uva.

Rapidamente, passaram a condenar e estigmatizar toda a cadeia produtiva vitivinícola e uma região inteira a partir de um único fato. “Não compre vinho feito com trabalho escravo”, diziam alguns “iluminados”. Foi um dano econômico violento e um dano de imagem imensurável.

Isso não quer dizer que não devamos debater as causas e consequências de crimes como o racismo e o trabalho análogo à escravidão, pelo contrário. O que não se pode é iniciar o debate pela premissa da generalização. Reduzir a complexidade e a diversidade de milhões de catarinenses — e de todos aqueles que escolheram viver aqui — a um único e odioso ato de preconceito é uma distorção perigosa e intelectualmente desonesta. A conduta de uma
pessoa, motivada pela ignorância ou pelo ódio, não pode ser a régua para medir o caráter de uma população inteira.

Santa Catarina é um Estado construído sobre o pilar da imigração e do acolhimento. De Norte a Sul, sua história é marcada pela miscigenação de culturas e pela abertura a novos povos. É uma terra que recebe de braços abertos e que depende do talento e da força de trabalho de brasileiros vindos de todas as regiões.

Eu mesmo sou testemunha, e prova viva, de que aqueles que chegam aqui respeitando a cultura, dispostos a contribuir e com vontade de crescer recebem nada além de uma acolhida fraterna.

O verdadeiro retrato de Santa Catarina é o da oportunidade, do esforço coletivo e do trabalho. É o retrato de um Estado que se destaca pela qualidade de vida e que, por isso, atrai pessoas de todos os cantos em busca de um futuro melhor. Aliás, o estudo Catarinenses, realizado pela Critério (www.catarinenses.com.br), detalha e comprova exatamente isso.

Racismo e xenofobia são crimes, e o sistema de justiça deve agir contra a criminosa, não contra o conjunto da sociedade que a repudia.

A nós, cabe repudiar o ato, exigir a punição, mas nos recusar veementemente a cair na armadilha da generalização. O abjeto episódio não representa este Estado.

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