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➢ De acordo com o relatório Digital 2025 Global Overview, da DataReportal, cada pessoa passa em média 6 horas e 38 minutos por dia conectada à internet, sendo quase três horas dedicadas apenas às redes sociais.
➢ No Brasil, a média de uso das redes sobe para 3 horas e 49 minutos diárias, uma das mais altas do mundo.
➢ Em paralelo, o mercado global de videogames movimentou 187,7 bilhões de dólares em 2024, segundo dados da Entertainment Software Association (ESA).
➢ Já o segmento de vídeo sob demanda atingiu 129 bilhões de dólares no mesmo ano, com projeção de ultrapassar 400 bilhões de dólares até 2030, conforme levantamento da Grand View Research.
Somados, esses dados revelam uma tendência inescapável: nunca se consumiu tanto entretenimento — em tempo e dinheiro. O lazer, antes uma pausa, tornou-se o centro da economia da atenção e do comportamento contemporâneo.
Não é nenhum absurdo falar que estamos vivendo a era do entretenimento.
Um exemplo prático destas transformações é a forma como as redes sociais passaram a entregar seus conteúdos. Antes, eram espaços de conexão entre amigos. A lógica era simples: seguir e ser seguido. Hoje, o jogo mudou. O “for you” popularizado pelo TikTok inaugurou uma nova era: a do conteúdo feito para entreter, não necessariamente para informar, dialogar ou inspirar.
Essa mudança atingiu todos os setores. Marcas, influenciadores, empresas e até políticos precisam “convencer o algoritmo” antes de convencer pessoas. De uma hora para outra, todos precisaram transformar-se em atores, “showmans” e “entertainers”para serem relevantes — algumas vezes contrariando suas próprias essências.
“Quem não entretem, se trumbica”, provavelmente diria o saudoso Chacrinha. Será?
Tudo isso passa a ser um problema quando confundimos visibilidade com reputação — ou engajamento com credibilidade. Reputação é uma corrida de fôlego, não de velocidade.
Constrói-se com consistência, propósito e valor. Um vídeo pode viralizar em segundos, mas confiança leva tempo.
Não há nada de errado em entreter. Pelo contrário: o entretenimento é parte da comunicação contemporânea e pode ser um veículo poderoso para transmitir ideias, causas e propósitos. O erro está em acreditar que basta entreter para ser relevante. Reputação exige coerência, entrega e verdade.
Neste sentido, quatro cuidados são fundamentais:
1. Tenha clareza de propósito — antes de buscar visibilidade, saiba o que quer representar. Reputação começa onde o entretenimento termina: na coerência entre discurso e entrega.
2. Use o entretenimento como meio, não como fim —conteúdos leves e criativos atraem, mas devem sempre reforçar valores e mensagens consistentes.
3. Priorize valor, não volume —não é o número de postagens, e sim o impacto delas. Alcance sem substância gera barulho, já o valor gera lembrança.
4. Cultive consistência — a reputação é construída no tempo. Mantenha tom, estilo e posicionamento alinhados — mesmo quando o algoritmo muda.
Num mundo em que todos buscam aparecer, o diferencial está em permanecer. O alcance até abre portas, mas é o valor que mantém as mantém abertas.

