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A difícil arte (e necessidade) de medir resultados de comunicação e reputação
29 de Setembro de 2025

A difícil arte (e necessidade) de medir resultados de comunicação e reputação

“Em áreas como a de vocês, não basta mostrar o resultado. É preciso esfregar na cara.”

Por Giuliano Thaddeu 29 de Setembro de 2025 | Atualizado 29 de Setembro de 2025

Imagem produzida pelo Colunista com apoio da IA.

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Todo começo deixa marcas. E o nosso, na Critério, foi em uma mesa cercada por gente que entende de gestão como poucos no Brasil: o time da Falconi, consultoria que ajudou a transformar o país ao aplicar método, disciplina e resultado a um território que antes se movia basicamente por intuição.

Cada interação era uma aula. Foi em uma dessas trocas que Vicente Falconi, direto e pragmático como sempre, nos lançou uma frase que ecoa até hoje:

“Em áreas como a de vocês, não basta mostrar o resultado. É preciso esfregar na cara.”

Mais do que um alerta, foi um chamado à responsabilidade. Porque trabalhar com comunicação e reputação é lidar com campos de alta complexidade: são ciências humanas, permeadas por subjetividades, percepções e contextos. Embora tudo isso seja verdade, não pode servir como bengala para não se avançar na profissionalização da nossa área.

Em gestão, vale o princípio: o que não se mede, não se gerencia. E reputação, embora intangível, pode — e deve — ser acompanhada, interpretada e traduzida em indicadores que ajudem a tomar decisões melhores.

O todo e as partes

Na Critério, temos avançado nessa direção com o desenvolvimento de um score proprietário, uma ferramenta que mede a maturidade reputacional de empresas e lideranças. Ele não é um ranking nem um número isolado, mas um retrato de consistência: o quanto discurso e prática caminham juntos, o quanto a organização se antecipa a riscos, o quanto inspira confiança em seus públicos críticos.

Mas o olhar sistêmico precisa conviver com análises granulares. É possível — e desejável — medir o que é feito no cotidiano, porque reputação é construída (ou abalada) em camadas.

Embora não exista resposta definitiva, existem bons caminhos que podemos utilizar para comprovar os resultados das ações implementadas.

indicadores de planejamento e execução, que mostram o quanto do que foi idealizado virou entrega real. Há indicadores de relacionamento e mídia, como o aproveitamento de conteúdos por veículos, o sentimento das publicações e a valoração contextual dos espaços conquistados. Há também as métricas digitais, que permitem perceber o alcance e o engajamento gerados por determinados movimentos — e, mais importante, entender quem foi atingido e como reagiu. E há, ainda, a escuta especializada, por meio de pesquisas e entrevistas, que traz a dimensão qualitativa: o que as pessoas realmente sentem, associam e esperam da marca.

Abaixo compartilho algumas aplicações que podem ser úteis:

Planejamento e execução (leading indicators)
– Cumprimento de planos a partir do checking da ações realizadas
– Aprovação dos planos sugeridos
– % de ações realizadas dentro do cronograma proposto

Mídia e relacionamento
– Aproveitamento de conteúdos pelos veículos
– Alcance dos conteúdos
– Qualidade de cobertura (relevância do veículo, posição, presença de mensagens-chave, neutralidade/positivo/negativo, presença de fontes de terceiros).
– Densidade de relacionamento (calor do relacionamento por editoria/região; tempo desde o último contato significativo; mapa de lacunas).

Valoração de espaços (com parcimônia)
– Não confundir valor de tabela publicitária com valor reputacional. Prefira índices de qualidade de exposição a métricas puramente financeiras — que no geral não suficientemente representativas

Digital e social
– Alcance
– Engajamento qualificados (por público prioritário).
– Taxas de conclusão de vídeos e click-through de conteúdos estratégicos.
– Sentimento (com amostragem humana para calibrar o algoritmo).

Percepção e escuta especializada
– Pesquisas de opinião.
– Entrevistas em profundidade com públicos estratégicos.

Reputação é, no fim das contas, o saldo entre percepção e entrega. E entrega que não se prova, se perde. Como dizia Falconi, resultado em comunicação não é para ser sussurrado — é para ser mostrado com convicção, de preferência com um bom relatório em mãos.

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