Dados divulgados recentemente por órgãos da ONU, entre outras instituições que analisam o tema, apontam para o crescimento mundial do desemprego.
Quando se analisa o efeito dos eliminadores de empregos em ação no mundo, nada mais previsível; automação, mecanização, robotização, virtualização e Inteligência Artificial agindo ao mesmo tempo sinalizam para tempos difíceis à frente.
Também há material circulando nas mídias sociais falando no surgimento da primeira geração de inúteis por volta de 2050. Penso que estão sendo otimistas, pois já há um contingente expressivo da população que não será mais aproveitado pelo mercado de trabalho. Yuval Noah Harari, autor de vários livros sobre os tempos atuais, faz menção a geração de inúteis e, seu crescimento exponencial.
Medidas começam a ser tomadas em alguns países como forma de combater o desemprego; na Finlândia o governo aprovou lei reduzindo a jornada de trabalho para 6h diárias, 4 vezes por semana, portanto 24h semanais. Na Alemanha já tem empresas assumindo, independente do governo, a jornada de 28h semanais. A busca por soluções exige urgência.
Mas, parece que estas são medidas paliativas e que não atacam o problema de frente. As mudanças que atingirão o mercado de trabalho serão contundentes e pessoas sem qualificações não terão espaço, logo a preocupação com a educação atinge níveis muito mais significativos do que demonstrados até então. Ou o Brasil dá um salto de qualidade na educação ou será um país periférico na economia, com pobreza crescente.
Aos pais e estudantes um lembrete; atentem para onde apontam as demandas da economia. Tudo parece indicar que as áreas técnicas serão as prioridades. Engenharias e Tecnologia da Informação devem ser olhadas com atenção. Cursos técnicos ao invés de bacharelados que só conduzirão ao desemprego e ao engrossamento da geração de inúteis.
No outro lado da balança há um problema avolumando-se com um efeito devastador. No mundo todo, os sistemas de aposentadorias, começam a mostrar, claramente, que estão a caminho da exaustão.
No Brasil, 24 milhões de aposentados, com renda média de R$ 1.863, (trabalhadores urbanos) e R$ 1.415, (trabalhadores rurais) em 90% de sua totalidade só possuem este rendimento; não têm nenhum sistema de aposentadoria complementar. O sistema, em 2024, apresentou um déficit de 419 bilhões de reais.
Por outro lado, no setor público, as médias de aposentadoria são as seguintes: poder executivo R$ 8.478, poder judiciário R$ 19.019, e, poder legislativo R$ 26.823.
Em ranking sobre aposentadoria (Money Time e Mercer), indicam que, os melhores países para se aposentar estão na Europa; Holanda, Portugal, Islândia e Dinamarca ponteiam o ranking com o Brasil em 33º lugar em 47 possíveis.
Como a caminhada da IA está apenas começando é de se prever o tamanho do problema que aguarda o mundo. Hora de trabalhar e, depressa!
Foto de Max Harlynking na Unsplash
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