Imagem Guilherme Ferreira: Carlo Manfroi – Divulgação
Participei do Startup Summit 2025 em Florianópolis, depois de ter acompanhado edições anteriores, e me surpreendi com a dimensão e a organização desta edição. Entre dezenas de palestras, tanto na plenária quanto nos palcos paralelos, uma fala me marcou em especial: a do empreendedor catarinense Guilherme Ferreira, cuja história compartilho a seguir.
Em 1999, Guilherme Ferreira, um garoto de Palhoça (SC), queria criar um site para a banda em que tocava. Não entendia nada de tecnologia, estudava no IFSC e sequer tinha internet em casa. Encontrou um livro na biblioteca sobre como programar e, na base da tentativa e erro, fez o que conseguiu.
O site chamou a atenção: outra banda pediu um orçamento e ele, sem saber quanto cobrar, arriscou R$ 15,00. Logo depois, uma loja de cortinas do bairro também encomendou um site, e um amigo o apresentou a uma empresa de Miami interessada no mesmo serviço.
Com quase nenhum inglês, Guilherme decidiu embarcar para os Estados Unidos.
Na imigração, enfrentou seu primeiro “bug” de comunicação: ao ouvir a pergunta “How long… work?”, entendeu que o agente queria saber há quanto tempo trabalhava e respondeu, orgulhoso: “há 15 anos”. Na verdade, a questão era por quanto tempo ficaria no país. O mal-entendido o levou direto ao corredor da malha fina, até que a empresa contratante americana foi consultada e esclareceu o propósito da viagem.
Essa foi apenas a primeira de muitas barreiras que ele transformaria em aprendizado. De Palhoça para o mundo, foi conquistando clientes cada vez maiores — Google, Microsoft, Amazon, Mercedes-Benz, Stanford, Samsung, Ikea… até fundar a Atomsix, com sede na Pedra Branca, filiais em Orlando e Denver e projetos entregues para mais de 350 empresas em 23 países.
Entre os aprendizados do Vale do Silício, Guilherme cita um mantra do Google que carrega até hoje: “Se o usuário precisa pensar, já falhamos.”
Não se discutia apenas features, mas como um produto poderia mudar o humor, o dia e até a vida de alguém. Esse olhar para a experiência humana, aliado ao foco constante, tornou- se um dos pilares de sua trajetória. Ideia após ideia, ele aplicou, melhorou e seguiu em frente, apesar das dificuldades.
E é justamente esse espírito, de coragem para começar e foco para evoluir, que marcou o Startup Summit 2025 em Florianópolis. Foram três dias de evento, de 27 a 29 de agosto, com mais de 200 palestrantes e 10.000 participantes, reunindo startups, investidores e grandes nomes do ecossistema de inovação nacional e internacional.
Entre auditórios repletos de conteúdo, uma área de negócios com as principais empresas do setor e a presença de formadores de opinião e líderes de mercado, o Startup Summit 2025 foi a celebração de um ecossistema que acredita em transformar realidades por meio de conhecimento, colaboração e empreendedorismo.
Histórias como a do Guilherme sintetizam esse espírito: não importa de onde se começa, mas sim a capacidade de aprender, adaptar-se e seguir em frente. Esse é o recado que o Startup Summit 2025 deixa para os novos e futuros empreendedores.
Que venham as próximas edições!

