Imagem produzida pelo colunista com apoio de IA
Rótulos são muito mais do que um pedaço de adesivo que gruda até a alma nos produtos de um supermercado. Servem para identificar rápido o que estamos comprando — mas não contam toda a história. Quem nunca foi reduzido a um adjetivo, uma impressão ou um estereótipo? Empresas, pessoas e até lugares sofrem com isso.
É o que acontece com Santa Catarina quando olhada exclusivamente de fora: virou senso comum traduzi-la apenas como “um estado de direita”. Veja, até uma verdade pode ser usada para produzir uma distorção de imagem. Santa Catarina é um complexo de virtudes e valores muito mais amplo. O estudo Catarinenses (que você pode acessar em www.catarinenses.com.br) mostrou um estado múltiplo: inovador, empreendedor, comunitário, obcecado por qualidade de vida. Um mosaico de identidades que não cabe em uma só etiqueta.
Marcas, muitas vezes, passam pelo mesmo dilema. A Apple já foi vista apenas como uma fabricante de computadores bonitos, caros e restritos a nichos criativos. Era quase um “fetiche” para designers e publicitários, mas sem apelo para o grande público. A virada veio com o iPod, que mudou a forma de consumir música, e depois com o iPhone, que revolucionou a tecnologia móvel. A marca deixou de ser sinônimo de elitismo estético para se tornar referência global de inovação, status e experiência integrada.
Para superar dilemas como esses, é preciso separar o que é imagem e o que é reputação. A grosso modo, imagem é fotografia: um retrato momentâneo e superficial. Já a reputação é filme: construída ao longo do tempo, ancorada em ações e experiências mais profundas — sendo muito mais difícil de ser descaracterizada.
As reputações nascem da combinação das respostas a três questionamentos fundamentais: quem de fato nós somos? O que dizemos a nosso respeito? E como as pessoas nos enxergam? Trocando em miúdos: essência, narrativa e percepção. Se as respostas às três questões forem as mesmas, ótimo — estamos no caminho. Caso não sejam, é hora de repensar e de agir.
Tomando como base esses preceitos, aqui vão três dimensões que precisam ser gerenciadas:
Essência
Às vezes, o problema não está fora, mas dentro. Muitas distorções de imagem nascem da própria empresa, da liderança ou até de incoerências pessoais. Em reputações políticas isso é ainda mais evidente. Por isso, antes de culpar o rótulo, é preciso cultivar espírito crítico e capacidade de autoanálise. Eu de fato conheço minha essência? Talvez seja hora de deitar no divã.
Narrativa
Em comunicação, o vazio não existe. Onde não há narrativa, alguém preenche por você. Uma frase mal colocada, um silêncio estratégico ou a ausência em certos debates pode ser suficiente para consolidar percepções equivocadas. Cada mensagem precisa carregar intenção — e estar alinhada à essência. Empresas, pessoas e lugares que se comunicam sem estratégia abrem espaço para que terceiros assumam a autoria de sua história. Profissionalismo em comunicação não é luxo: é a garantia de que a melhor versão de nós mesmos chegue primeiro.
Percepção
Reputação é construída não só no que dizemos, mas no que ouvimos. Monitorar e escutar ativamente é parte do processo. Pesquisas de opinião, análise crítica de interações digitais, canais estruturados de feedback: tudo isso é vital. Mas não basta coletar informações, é preciso agir sobre elas. De nada adianta relatórios bem-feitos que ficam na gaveta. O ciclo só se completa quando o que ouvimos gera mudança prática. Escutar é estratégico; transformar o escutado em ação é reputação.
No fim, todos estamos sujeitos a rótulos — empresas, marcas, pessoas ou até estados inteiros. Não temos controle absoluto sobre como seremos vistos, mas temos responsabilidade sobre como seremos lembrados. Reputação é um caminho de consistência: nasce da essência, se afirma na narrativa e se consolida na percepção. Santa Catarina é maior do que o recorte que fazem dela. E você também é maior do que qualquer etiqueta colada às pressas. A diferença está em assumir a própria história e cuidar, todos os dias, para que ela seja contada do jeito certo.
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Até a próxima segunda.

