Infelizmente, em qualquer segmento do poder público que se examine, o planejamento inexiste ou é precário. O país vive aos solavancos e em função dos eventos, inopinados ou não, que acontecem.
Todos sabem que haverá secas e enchentes a cada ano, de acordo com a época e, sempre o país é surpreendido quando as tragédias acontecem.
O Brasil foi escolhido para sediar a Cop30 no encerramento, em Dubai, da Cop28 em 11 de dezembro de 2023. A cidade escolhida foi Belém e a escolha foi decorrente de sua situação geográfica na Amazônia. Belém possui uma população de 1.304 mil habitantes e em relação ao saneamento básico apresenta os seguintes números: 19,9% da população têm coleta de esgoto e, apenas, 2,4% tem o esgoto tratado; há uma década o Instituo Trata Brasil classifica Belém entre as 20 piores cidades do Brasil em saneamento básico.
Para avaliar a importância que se dá ao saneamento básico no país o prazo que prevê a universalização do serviço, 99% das habitações com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033, por dificuldades operacionais, está sendo empurrado para 2040 e, se levarmos em consideração os lixões a céu aberto e sua transferências de prazos é bom esperar sentados.
Se voltarmos os olhos para o passado recente e as obras realizadas para a Copa de Futebol em 2014 e a Olimpíada em 2016 ou estão inconclusas ou não cumpriram as funções previstas para depois dos eventos. Como exemplos vale citar: linha 17 Ouro do monotrilho em São Paulo, o VLT Cuiabá – Várzea Grande e o VLT de Brasília. Pós Olimpíadas encontram-se ociosos e em processo de desmanche Arenas Cariocas 1 e 2 e o Centro de Tênis. Como o Brasil é um país com carências enormes o desperdício de dinheiro público deveria ser considerado crime contra o patrimônio público.
A COP30, que deveria ser motivo de orgulho para um país carente de autoestima, transforma-se, aos poucos em motivo de vergonha. O que acontece, a meses do início do evento, é a descoberta de que a infraestrutura de hospedagem é insuficiente para atender a demanda; com isto, os preços explodiram e países começam a se manifestar pela não participação em função do custo do evento. A Áustria já informou, pelo seu presidente, que não se fará presente. Solução? Contratem-se navios de cruzeiro para ficarem ancorados e servirem de hospedagem para os participantes que se dispuserem a pagar. Em plena discussão do meio-ambiente, navios queimando óleo diesel, ancorados, beira ao ridículo!
Importante citar o pesado desmatamento que foi feito em razão da construção do Centro de Eventos e da Av. Liberdade com 13 km de extensão que corta áreas habitadas por quilombolas, povos indígenas e ribeirinhos.
Para coroar com chave-de-ouro a COP30 e rivalizar com o ocorrido em Manaus, na passagem da tocha olímpica pela cidade em 2016, basta aparecer outra onça Juma que, exibida durante a corrida, foi sacrificada com um tiro de pistola no Centro de Instrução de Guerra na Selva, por tentar exercer sua natureza que é viver em liberdade. Dinheiro público desperdiçado, natureza agredida e a COP30 servindo a interesses políticos!
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